Há 20 anos, os portugueses, em conjunto com mais 11 países, passaram a utilizar euros no dia-a-dia, abandonando os escudos. Agora, são já 19 os Estados-membros que utilizam esta moeda.

Foi há 20 anos que o Euro entrou em circulação, em 12 países europeus. Portugal foi um deles, com os portugueses a trocarem os escudos que tinham na carteira por euros. Neste ano que marca o vigésimo aniversário do Euro, prescrevem também os últimos escudos que ainda se podem trocar junto do Banco de Portugal.

Apesar de terem passado duas décadas desde que o Euro começou a circular, a moeda “nasceu” oficialmente a 1 de janeiro de 1999, quando foram fixadas as taxas de conversão com as antigas moedas nacionais dos países da Zona Euro. Nessa altura, foi lançado como moeda contabilística nos mercados financeiros e utilizado para pagamentos eletrónicos, chegando aos bolsos dos europeus três anos depois.

Agora, são já 19 os Estados-membros que utilizam esta moeda, depois de a Eslovénia aderir à Zona Euro em 2007, seguida de Chipre e Malta (2008), Eslováquia (2009), Estónia (2011), Letónia (2014) e Lituânia (2015). Atualmente, a Croácia está a dar os passos preparatórios para aderir também a esta moeda, o que prevê fazer em 1 de janeiro de 2023, desde que cumpra todos os critérios.

Assim, existem cerca de 340 milhões de europeus a utilizar esta moeda no dia-a-dia. Há mais de 140 mil milhões de moedas e 27 mil milhões de notas de euro em circulação, segundo a Comissão Europeia, sendo que a nota mais usada é a de 50 euros: circulam mais de 13 mil milhões de exemplares deste valor.

Mas mesmo passados 20 anos desde a chegada da nova moeda, continuam a existir milhares de milhões em dinheiro que já não se usa no Velho Continente.

Segundo os cálculos feitos pela Bloomberg, são 8,5 mil milhões de euros nas moedas antigas que ainda podem ser trocados nos bancos centrais de cada país. Portugal está incluído neste montante, pelo menos até ao próximo mês, altura em que vão prescrever os últimos escudos que ainda podiam ser trocados junto do Banco de Portugal.

O escudo deixou as mãos dos portugueses a 1 de março de 2002, quando foi completamente substituído pelo Euro, terminando assim este ano o prazo de troca, que é de 20 anos após a retirada de circulação. A taxa de conversão ditou que um euro equivalia a 200,482 escudos.

Após 20 anos, ainda há muitos milhões nas moedas antigas

Os últimos dados conhecidos do banco central português revelavam que existem ainda 11,4 milhões de notas de escudo que não foram entregues, que correspondem a aproximadamente 95 milhões de euros, sendo que mais de um terço deste valor representa notas de cinco mil escudos. O último conjunto de notas de escudos, da série dos Descobrimentos, ainda pode ser trocado até 28 de fevereiro de 2022.

Apesar de muitos ainda terem notas antigas em casa, as estatísticas indicam que a maioria tem uma opinião positiva da moeda atual. O Eurobarómetro mais recente aponta que 78% dos europeus pensam que o euro é uma coisa boa para a União Europeia, sendo que mais de dois terços (69%) também dizem que o euro é uma coisa boa para o seu país.

20 anos depois, vem aí um euro digital?
Apesar de ser cada vez mais invisível, o Euro continua a ser maioritariamente transacionado em mão, segundo os dados mais recentes. Mas está nos planos um euro digital, que poderá alterar a maneira como os europeus interagem com o dinheiro.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, sinalizou numa declaração em comunicado a marcar este aniversário que o Euro é “a moeda do futuro e, nos próximos anos, também se tornará uma moeda digital”. “O Euro também reflete nossos valores. O mundo em que queremos viver. É a moeda global para investimentos sustentáveis. Todos nos podemos orgulhar disso”, acrescentou.

BdP vai criar “grupo de contacto” para debater euro digital

Já Christine Lagarde, presidente do Banco Central Europeu (BCE), reitera, também citada em comunicado, que “os euros que temos nas mãos tornaram-se um farol de estabilidade e solidez em todo o mundo”. Enquanto líder deste organismo, compromete-se a “continuar a trabalhar arduamente para garantir a manutenção da estabilidade de preços”, prometendo também que vão renovar “a face destas notas e que dar-lhes também uma dimensão digital”.

Em julho, foi anunciado que o projeto do euro digital do BCE iria avançar para uma fase de investigação de 24 meses em que tentará chegar ao desenho e à distribuição ideal deste complemento às notas e às moedas.

Por cá, também já se está a preparar esta dimensão. O Banco de Portugal (BdP) sinalizou no mês passado que iria criar um “grupo de contacto” para debater o fenómeno das criptomoedas e a possível emissão do euro digital, um projeto que está em discussão no seio do BCE. Em causa estará um grupo pequeno, que deve arrancar no início deste ano.

 

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