“Bem Bom”, “Diários de Otsoga” e “Prazer Camaradas” são alguns dos filmes que integram a sexta edição da mostra de cinema Cine Atlântico, que regressa hoje a Angra do Heroísmo, nos Açores, depois de um ano de interregno.

“Esta sexta edição tem como subtítulo ‘Doces Memórias’, porque os filmes portugueses mais recentes trazem-nos um pouco a questão das memórias e muito no feminino, desde logo a começar pelo filme ‘Bem Bom’, que é um filme de Patrícia Sequeira sobre algo que está na memória de algumas gerações de portugueses, que é o grupo Doce”, adiantou, em declarações à Lusa, o presidente do Cine-Clube da Ilha Terceira, Jorge Paulus Bruno.

Há seis anos que o cineclube promove uma mostra de cinema português da atualidade. Entre hoje e domingo serão exibidos, na Sociedade Filarmónica e de Instrução Recreio dos Artistas, em Angra do Heroísmo, sete filmes nacionais.

A edição de 2020 chegou a ser anunciada, com cartaz fechado, mas, a dias da sua realização, um aumento no número de casos de infeção por SARS-CoV-2 nos Açores, levou ao cancelamento da mostra.

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O cineclube retomou a sua programação em setembro, com o ciclo “O Cinema da Minha Vida”, que tem tido uma “afluência relativamente grande”.

“Depois de mais de um ano de constrangimento devido à pandemia, as pessoas estão a afluir e estão interessadas em sair e em ver o que temos para oferecer”, avançou Jorge Paulus Bruno.

Só o premiado filme “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, transita da programação do ano passado.

“É um filme de autor muito reflexivo e não quisemos perder a oportunidade de trazer ao público terceirense a visualização deste filme”, justificou o presidente do cineclube.

O cartaz, a cargo do crítico e realizador de cinema José Vieira Mendes, procura selecionar os “filmes que representam o melhor que se está a fazer no cinema português contemporâneo”.

“O nosso objetivo é salientar o cinema português atual, que é um cinema de qualidade, um cinema que tem vindo a ganhar prémios ao nível dos principais festivais internacionais de cinema europeus, e era importante para nós que o público terceirense pudesse ter um contacto com o que de bom o cinema português tem neste momento”, afirmou Jorge Paulus Bruno.

Com um público “relativamente fidelizado”, o Cine Atlântico conta com vários pedidos de reserva na bilheteira, sobretudo para o filme mais “mediático”, “Bem Bom”.

“Estamos convictos de que vamos ter pelo menos duas ou três casas cheias, com as limitações impostas ainda atualmente devido à situação pandémica”, avançou o presidente do cineclube.

A mostra de cinema português surgiu como uma alternativa a um projeto de que Paulus Bruno ainda não desistiu: um festival internacional de cinema com competição sobre o mar, as ilhas, as viagens e as aventuras.

“Não está encerrado, vamos continuar a lutar por ele, porque temos a convicção de que faria todo o sentido nos Açores a ocorrência de um festival desta natureza”, salientou.

O projeto será apresentado “tão depressa quanto possível” ao atual Governo Regional, que tomou posse em novembro de 2020, porque exige “um orçamento com alguma disponibilidade financeira”.

O presidente do cineclube reiterou que o festival teria “um grande potencial ao nível económico e de desenvolvimento para os Açores”, porque “poderia trazer realizadores, que viessem rodar filmes" à região e "trazer muita gente numa competição internacional que estaria pelos Açores durante uma semana”.

O Cine Atlântico arranca hoje à noite com o filme “Bem Bom”, de Patrícia Sequeira, realizadora de “Snu” e “Conta-me Como Foi”.

No sábado, é exibido o “documentário inédito de Manuela Serra ‘O Movimento das Coisas’, sobre o quotidiano da comunidade de Lanheses”. Filmado entre 1979 e 1985, chega agora ao circuito comercial, numa cópia restaurada.

Segue-se “O Último Banho”, “um filme dramático que marca a estreia em longa-metragem do português David Bonneville”.

Ainda no sábado, é exibida a mais recente obra de Miguel Gomes, com correalização de Maureen Fazendeiro, “Diários de Otsoga”, “estreado mundialmente na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cinema de Cannes”. O ator João Nunes Monteiro estará presente na sessão.

No domingo, é exibido o filme “Visões do Império”, “uma viagem coletiva ao passado colonial através de fotografias e sob o olhar de Joana Pontes”.

Segue-se “Prazer Camaradas”, documentário “estreado no Festival de Locarno em 2019”, da autoria de José Filipe Costa.

O festival encerra com “Vitalina Varela”, de Pedro Costa, que venceu o prémio Leopardo de Ouro para melhor filme no Festival Internacional de Cinema de Locarno, em 2019, e o prémio de melhor atriz principal para Vitalina Varela.

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