Ministros de ambos os lados do Atlântico reúnem-se virtualmente hoje, sexta-feira, para dar destaque à observação espacial como forma de compreender melhor oceanos e alterações climáticas e orientar financiamento europeu para projetos dessas áreas.

"A única forma de termos informação de polo a polo é por satélite. Esta conferência vem dar ênfase àquilo que é o futuro dos sistemas de interpretação das alterações climáticas através de informação espacial", disse à agência Lusa o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

Manuel Heitor acrescentou que "não é possível compreender e atuar no âmbito das alterações climáticas sem melhor perceber a relação do clima com os oceanos e isso só se faz com mais temas de observação espacial".

A conferência AllAtlantic, que começou na quarta-feira e decorre no âmbito da presidência portuguesa da União Europeia, tem como objetivo "dar orientações à Comissão Europeia para os programas europeus, nomeadamente no âmbito do Horizonte Europa", o programa-quadro de financiamento de investigação e inovação.

"O objetivo último é que os futuros concursos para financiamento de projetos no âmbito do Horizonte Europa deem relevância às áreas atlânticas e, sobretudo, à integração de sistemas espaciais ou sensoriais e formas de perceber o que se passa no fundo dos oceanos", como a deposição de plástico.

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Além de ministros da União Europeia, a AllAtlantic junta também responsáveis "da América Latina, de África, do Canadá, de países do norte, como a Noruega, para discutir os termos e reorientar cada vez mais os programas europeus no sentido das interações atlânticas", referiu.

O governante português apontou que "sobretudo os satélites de baixa órbita conseguem ter imagens de alta resolução que facilitam a compreensão dos processos de mudança climática, no âmbito dos quais a relação com os oceanos é cada vez mais crítica".

Organizada virtualmente e presencialmente, com sede em Ponta Delgada, nos Açores, a conferência dará também destaque à região autónoma como "um laboratório vivo no que é o espaço de intervenção europeia" e "valorizar o posicionamento atlântico [de Portugal] face ao interesse cada vez maior da Europa de liderar [o combate] às alterações climáticas", indicou Manuel Heitor.

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