O presidente da Comissão Executiva da ANA/VINCI, Thierry Ligonniére, admitiu hoje a possibilidade de a pista do Aeroporto da Horta, nos Açores, vir a ser reduzida em vez de ampliada, como pretendem as forças vivas locais.

“É verdade que existe um cenário em que as superfícies de segurança do fim da pista, as chamadas RESAS, seriam realizadas dentro da pista existente, com redução das dimensões declaradas da pista e, consequentemente, com limitações à operacionalidade do aeroporto”, explicou o administrador da empresa que gere o aeroporto açoriano, durante uma audição realizada esta manhã na Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação da Assembleia da República.

O presidente da ANA/VINCI admitiu que “ninguém gosta deste cenário”, nem mesmo a empresa, que disse “não ter nada a ganhar” com a redução das dimensões da pista do Aeroporto da Horta, mas ressalvou que o problema até poderia ficar minimizado se a Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) autorizasse a utilização das RESA (Runway End Safety Area) para descolagem e aterragem dos aviões.

“Se a ANAC decidisse que essa solução era possível, ter uma superfície pavimentada, que podia ser utilizada para corrida e descolagem, isso alterava as necessidades técnicas”, frisou Thierry Ligonniére, adiantando que este cenário apenas se colocaria se a ANAC impusesse um prazo para a construção das zonas de segurança naquela infraestrutura aeroportuária, na ilha do Faial.

Quanto à desejada ampliação da pista do Aeroporto da Horta, dos atuais 1.700 para 2.300 metros de comprimento, tal como reivindicam as forças vivas locais, o presidente da ANA/VINCI não se comprometeu com nenhuma data ou solução, afirmando que isso irá depender do relatório final que o grupo de trabalho criado pelo Governo da República irá apresentar sobre esta matéria.

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As declarações do administrador deixaram perplexos os deputados da Comissão de Economia, Inovação, Obras Públicas e Habitação da Assembleia da República que estavam a assistir à audição.

“Faria a todos um grande favor se desse instruções aos representantes da ANA/VINCI para não repetirem, nem como possibilidade, a redução da pista do Aeroporto da Horta”, alertou João Fernando Castro, deputado socialista, que considerou que este cenário “é ofensivo” não apenas para a classe política, mas para os próprios açorianos são servidos por aquela infraestrutura aeroportuária.

Também Ilídia Quadrado, do PSD, manifestou preocupação pelas explicações dadas em sede de comissão e disse não compreender por que razão se colocam agora tantas reservas à construção das zonas de segurança da pista do Aeroporto da Horta. 

“Este era um compromisso e uma obrigação já assumido desde 2019 e, portanto, não se percebem agora estas limitações todas que estão a surgir sobre as RESA”, lamentou a deputada social-democrata.

Também Bruno Dias, do PCP, considerou que este cenário não faz qualquer sentido: “Parece-me que qualquer uma das pessoas à volta desta mesa, se há uns anos lhes dissessem que isto ia acontecer, todos os senhores diriam que isso era impossível”.

Para Isabel Pires, deputada do Bloco de Esquerda, o problema está na privatização da ANA, que, no seu entender, nunca devia ter acontecido: “Foi um erro ter sido privatizada e as consequências dessa privatização estão aqui neste exemplo, na forma como este processo se está a atrasar.”

Os deputados da Assembleia da República tinham requerido a audição do presidente da ANA/VINCI para questioná-lo a propósito das reivindicadas obras de ampliação da pista.

 

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