Um funcionário de uma Câmara Municipal em São Miguel foi detido, “fora de flagrante delito, por ser suspeito de crimes de natureza económica-financeira, numa operação em que foram constituídos "vários arguidos", anunciou hoje a Polícia Judiciária (PJ) nos Açores.

Em comunicado, o Departamento de Investigação Criminal dos Açores da PJ adianta que a operação designada “Economato privado” desenvolveu-se "no dia de ontem" (quarta-feira).

Uma fonte da PJ adiantou à agência Lusa que os foram constituídos arguidos "vários empresários ligados ao comércio e serviços e construção civil".

Segundo o comunicado divulgado pela PJ, a operação “Economato privado” foi desencadeada pela "existência de fortes indícios da prática dos crimes de peculato, falsificação de documentos, recebimento indevido de vantagem, entre outros, em que são intervenientes um funcionário de uma Câmara Municipal e diversos empresários da ilha de São Miguel".

Durante a operação "foram realizadas 28 buscas em residências, empresas, viaturas, num terreno rústico e no local de trabalho do funcionário municipal", que "permitiram a apreensão de abundantes meios de prova", refere a PJ.

Entre "os meios de prova" apreendidos consta "documentação contabilística, prova digital, na forma de dados informáticos e de correio eletrónico e, sobretudo, parte do produto e vantagens dos crimes, nomeadamente, artigos de informática, eletrodomésticos, mobiliário, máquinas de jardinagem, para além de infraestruturas construídas com materiais ilicitamente obtidos", detalha a PJ.

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Além de "vários arguidos constituídos, foi detido, fora de flagrante delito, um homem, com 57 anos, com antecedentes criminais por crimes da mesma natureza", acrescenta.

A PJ refere que o detido "agiu concertadamente com responsáveis de empresas fornecedoras de bens e serviços à Câmara Municipal, com o objetivo de se apropriar de artigos e de materiais, posteriormente pagos pela edilidade".

Ainda segundo a PJ, "esta atividade – desenvolvida, pelo menos, nos últimos dois anos - foi dissimulada através de esquemas de sobrefaturação e adulteração de diversa documentação".

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