O Dia Mundial da Visão é assinalado hoje, dia 14 de outubro, e a esse propósito a Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal (APDP) destaca a importância da vigilância oftalmológica para quem sofre de diabetes e do acesso aos cuidados de oftalmologia.

Um comunicado emitido pela APDP enfatiza que haja prioridade aos cuidados da visão de pessoas com diabetes. Salientando, por um lado, a urgência de retomar os rastreios da retinopatia diabética e os tratamentos necessários. E por outro lado, a necessidade de identificar atempadamente os casos de visão diminuta.

A retinopatia diabética é uma manifestação oftalmológica da diabetes e uma das principais causas de perda grave de visão em todo o mundo. A sua frequência está diretamente dependente dos anos de duração da diabetes.

Conforme explica a APDP, após 20 anos de evolução, estima-se que cerca de 90% dos indivíduos com diabetes tipo 1 e mais de 60% com tipo 2, sejam afetados pela condição ocular degenerativa. Outro fator de risco para o surgimento do problema refere-se ao controlo deficitário metabólico - nomeadamente glicemia e pressão arterial.

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"O problema é que existem em Portugal um milhão de pessoas com diabetes e, a noção que temos, é que entre 10% a 15% destas pessoas não tinham acesso a programas de rastreio da retinopatia diabética no período que antecedeu a pandemia. Com a paralisação dos serviços nesta área, o número de pessoas com diabetes e sem acesso a uma vigilância oftalmológica regular será hoje, certamente, bem superior", diz no comunicado José Manuel Boavida, presidente da APDP.

João Filipe Raposo, diretor clínico da APDP, sublinha a premência da deteção dos casos de visão limitada em pessoas com diabetes: "há atrasos na avaliação da baixa visão que podem ser colmatados caso os profissionais que acompanhem as pessoas com diabetes saibam como os identificar. Graças ao projeto que desenvolvemos em parceria com a Associação Promotora do Ensino dos Cegos e com o apoio da Câmara Municipal de Lisboa, conseguimos organizar uma consulta de baixa visão na APDP que visa ajudar as pessoas com limitação visual a recuperar a sua autonomia e a melhorar a capacidade de controlo terapêutico. É, sem dúvida, um modelo que pode ser replicado nos cuidados primários".

A área de intervenção da APDP abrange, atualmente, os concelhos de Lisboa e Vale do Tejo, o que corresponde a um universo de mais de 30 mil portugueses.

No âmbito da baixa visão e diabetes, a APDP lançou dois guias informativos, um para profissionais de saúde e outro para doentes e seus cuidadores, com o apoio das Sociedades Portuguesas de Diabetologia e de Oftalmologia, que podem ser consultados online: Educação Terapêutica das pessoas com diabetes e baixa visão e Guia prático para pessoas com diabetes e baixa visão e seus cuidadores.

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