O Instituto Açoriano de Cultura, associação cultural sem fins lucrativos e de utilidade pública, com sede em Angra do Heroísmo, ilha Terceira, tem desempenhado papel relevante na sociedade e cultura açorianas, desde a sua criação, em 1955, até aos dias de hoje.

Prova disso mesmo é a concretização, logo nas primícias do Instituto, de cinco edições das

Semanas de Estudo, levadas a cabo entre 1961 e 1966, que tiveram a particularidade de, desde logo se pautarem pela descentralização, ao serem levadas a cabo, alternadamente, em Angra do Heroísmo, Horta e Ponta Delgada.

Os objetivos de então, também ainda hoje se mantêm pertinentes e necessários. Recordemo-los:

Congregar os agentes culturais dispersos nos Açores e levá-los a pensar e a cultivar espírito crítico;

Criar nos Açores a consciência de unidade regional;

Refletir sobre o progresso social e económico dos Açores e projetá-los, tendo em vista o desenvolvimento do arquipélago como um todo. Fruto das circunstâncias da época, políticas e de outra ordem, as Semanas de Estudo sofreram uma longa interrupção, sendo apenas retomadas em 1983, para refletir sobre o sismo que, três anos antes, abalara a cidade de Angra do Heroísmo. A que se seguiram mais três, uma em 1987, dedicada “A Autonomia como fenómeno cultural e político”; outra em 1988, dedicada ao “Conhecimento dos Açores através da literatura” e a última, em 1992, dedicada ao “Desenvolvimento insular”.

Tendo em conta este ponto de partida, pretende-se agora levar a cabo um conjunto de Semanas de Estudo que, durante um, dois ou três dias, envolvam conjuntos diversificados de pessoas de diferentes gerações; que incluam especialistas e não-especialistas, se possível sempre com a participação das novas gerações, seja ao nível de estudos, seja de testemunhos e que seja politicamente transversal, daí que a entidade promotora seja uma instituição de

utilidade pública privada e apartidária, o IAC, que levou a cabo várias semanas de estudo nos anos 60, 80 e 90 do século passado.

Assim, setenta anos depois e quando se aproxima o cinquentenário do primeiro estatuto Político-Administrativo da Região Autónoma dos Açores (2026), o Instituto Açoriano de Cultura, na pessoa de Carlos Bessa e Sara Leal, juntamente com Francisco Simões e Nuno Costa Santos, dão corpo à Comissão Organizadora que retoma as Semanas de Estudo, para um novo ciclo das mesmas, com início em setembro de 2021, que se estenderá pelos próximos cinco anos. Fá-lo com um duplo propósito, por um lado o de celebrar a realização das Semanas de Estudo e a Autonomia regional e, por outro lado, o de refletir e problematizar a Autonomia e o desenvolvimento dos Açores.

Ou, dito de outro modo, como é a autonomia entendida pelas diferentes gerações, sejam aquelas que cuidaram de a efetivar, sejam as mais novas? Que valias trouxe a Autonomia ao desenvolvimento das Regiões Autónomas? Como era antes? Que problemas se colocam hoje à Autonomia? E que perspetivas se abrem? Como é que as novas gerações encaram o desenvolvimento das regiões Autónomas? Que áreas estão bem? Quais as que carecem de atenção e de melhoria? Que desafios? Que futuro?

Nesse sentido, esta primeira iniciativa estará situada entre dois tempos: o tempo da memória e o tempo do futuro.

A memória será trazida, prioritariamente, na primeira pessoa, por parte daqueles que deram início e dinamizaram Semanas de Estudo anteriores.

Fazendo jus aos objetivos iniciais das primeiras Semanas havidas na década de 60 do século passado, elencados atrás.

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Por isso e prestando homenagem a alguns dos intervenientes dessas diferentes Semanas de Estudo, convidamos para a Comissão de Honra destas novas Semanas de Estudo quatro individualidades de reconhecido mérito cívico e cultural: Álvaro Monjardino, José Guilherme Reis Leite, Maria Fernanda Enes e Onésimo Teotónio Almeida, que estarão connosco em Angra do Heroísmo, no dia 18 de setembro próximo, para o relançamento das Semanas de Estudo e para o estabelecimento de uma síntese das intenções, relevância e contributos dessa iniciativa para o desenvolvimento da autonomia açoriana e a discussão será orientada pela pergunta: Que Autonomia quisemos ter? Numa reflexão partilhada com o público e moderada por um jovem açoriano Tomé Ribeiro Gomes.

O futuro será trazido, a 2 de outubro, por especialistas convidados, mas também por vozes das gerações mais jovens, em torno de uma questão: que Açores queremos ter, na próxima década? Entre os convidados que marcarão presença no evento destacam-se Pedro Adão e Silva e Renato Carmo (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia – Iscte) e Miguel Monjardino (Universidade Católica). As discussões irão cobrir aspetos como o emprego, educação, as mobilidades e a participação política e cívica dos jovens, no quadro autonómico.

Partindo desta provocação, pretende-se desenvolver uma discussão especulativa e aspiracional que, ainda assim, isole os grandes desafios a que o poder político e a sociedade açorianas devem atender nos próximos anos, ao mesmo tempo que são lançadas pistas de reflexão sobre caminhos a trilhar.

Com ecos do passado, práticas do presente e projetando o futuro, levar-se-á a cabo um terceiro painel, que decorrerá em duas cidades, na Horta e em Ponta Delgada, durante o mês de outubro, que faça a síntese do ponto de vista das artes e indústrias criativas, contando, para tal, com intervenções de alguns de diferentes agentes culturais e empresariais no ativo, relacionados com eventos que têm projetado os Açores para fora da região.

Com a realização destas Semanas de Estudo pretende-se, portanto, não só problematizar, questionar e refletir sobre a Autonomia como proporcionar o encontro e a partilha de ideias e de conhecimentos de diferentes gerações sobre diferentes áreas-chave para o desenvolvimento das nove ilhas dos Açores.

São ainda objetivos das Semanas de Estudo analisar as vias de aprofundamento do Estatuto Político-Administrativo a partir de temáticas cruciais para o desenvolvimento da região, nos próximos anos, envolver especialistas de diferentes áreas, regionais (Açores e Madeira), nacionais e das Canárias e realizar investigação sobre algumas das áreas da Autonomia.

As Semanas de Estudo pautar-se-ão pelos seguintes princípios: abertura, descentralização, pertinência, alinhamento e devolução.

Abertura temática (centrando-se numa variedade de temas que permita cobrir desafios contemporâneos para a autonomia e para a sociedade açorianas); abertura a diferentes audiências (com os programas das semanas a procurarem atingir elites - políticas, culturais, científicas, sociais -, jovens e menos jovens, sociedade em geral); abertura ideológica (prevendo que a discussão favoreça a participação de atores políticos - e não estritamente partidários - de múltiplos quadrantes).

Descentralização: a organização procurará formas de ramificar as suas atividades, de modo a atingir todas as ilhas dos Açores e a diáspora, ao longo dos cinco anos em que decorrerão as Semanas de Estudo. Tal implicará uma aposta na coorganização, isto é, na possibilidade de a partir de 2022, as Semanas de Estudo articularem um programa central, da responsabilidade da comissão organizadora, com concursos à apresentação de iniciativas locais, auto-organizadas, de base comunitária, devidamente alinhadas com cada um dos temas centrais da iniciativa.

Pertinência: os temas selecionados procurarão cobrir desafios pertinentes da autonomia açoriana para as próximas décadas, oferecendo possibilidades de formulação de teses, antíteses e sínteses.

Alinhamento: a seleção e dinamização dos temas procurará, ainda, alinhar as prioridades regionais com as agendas nacionais e internacionais (europeias). Deste modo, garante-se a projeção do local na realidade global.

Devolução: a organização pautar-se-á por um princípio de devolução de produtos à sociedade, através de publicações escritas, registos audiovisuais e outros que sejam entendidos como relevantes.

Para que tudo isto seja possível o IAC e a Comissão Organizadora trabalharão no sentido de estabelecer parcerias com entidades e instituições regionais, nacionais e estrangeiras.

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