O "Dia da Viola da Terra", assinalado anualmente em 02 de outubro, tem este ano "dois pontos altos", o lançamento de um livro com crónicas sobre aquele instrumento típico açoriano e a inauguração de uma exposição com "caráter itinerante".

Em declarações hoje à agência Lusa, o presidente da Associação de Juventude Viola da Terra, que promove a programação, Rafael Carvalho, avançou que as comemorações contarão com "muitas atividades na ilha de São Miguel", destacando como "pontos altos" e "marcantes" a apresentação do livro “Viola da terra crónicas”, da sua autoria, e a inauguração da exposição de fotografias “Violas dos Açores”.

Sobre o livro, o músico e professor no Conservatório Regional de Ponta Delgada, em São Miguel, adiantou que a publicação "junta as crónicas escritas sobre a viola da terra, em 2018, para o jornal Atlântico Expresso" e constitui "uma forma de ter acesso às características" do instrumento musical típico dos Açores.

O livro é apresentado na sexta-feira, pelas 19:00 locais (20:00 em Lisboa), numa livraria em Ponta Delgada.

Outro ponto "marcante", segundo Rafael Carvalho, será a inauguração da exposição de fotografias “Violas dos Açores”, no sábado, no espaço exterior do Centro Natália Correia, na Fajã de Baixo, pelas 19:30 locais (20:30 em Lisboa).

"Esta exposição contará com registos fotográficos de violas de oito ilhas dos Açores e pretende dar a conhecer os diferentes modelos de violas na nossa região, bem como a grande riqueza da imaginação dos construtores ao longo dos anos. A mostra vai estar um mês patente ao público e terá caráter itinerante entre os concelhos de São Miguel e entre as ilhas açorianas", assinalou.

No mesmo dia da inauguração da exposição decorrerá, pelas 20:00 locais, também no Centro Natália Correia, o concerto comemorativo do "Dia da Viola da Terra".

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Rafael Carvalho realçou à Lusa que o “Dia da Viola da Terra” terá uma programação diversificada em São Miguel, mas este ano estas comemorações contarão com "eventos produzidos em várias ilhas dos Açores, por diversas Associações Culturais, mas também por tocadores ou entusiastas da viola".

"Todas estas instituições e personalidades pretendem que esse trabalho conjunto seja reconhecido, no sentido da oficialização, na região, do “Dia da Viola da Terra – Açores e Comunidades Açorianas”, em 02 de Outubro", refere a Associação, numa nota a propósito das comemorações.

Assim, na sexta-feira, a RTP Açores transmite o concerto da “Orquestra de Violas da Terra e Convidados”, pelas 21:30 locais.

Rafael Carvalho explicou que "a orquestra comemora este ano 10 anos" e o concerto que será transmitido "foi gravado em junho".

Além disso, estão a decorrer, sessões de sensibilização em escolas e outras instituições, com "o objetivo de levar a viola da terra aos mais novos, no sentido de os aproximar, cada vez mais cedo, à nossa viola", disse ainda.

O Dia da Viola da Terra foi comemorado pela primeira vez nos Açores em 2019, com o objetivo de "valorizar e promover" o instrumento musical, "desafiar projetos musicais e músicos" e levar a cabo ações de sensibilização em escolas, afirmou o músico.

A viola da terra é um instrumento musical de cordas típico dos Açores, pertencente à família das violas de arame portuguesas, que teve origem no século XVIII e “sobreviveu graças ao povo”. Tem a caixa em forma de oito e tem 12 cordas: três ordens duplas (seis cordas mais agudas organizadas aos pares) e duas ordens triplas (outras seis cordas graves e organizadas em conjunto de três).

O instrumento é também conhecido como viola de arame ou viola de dois corações, sendo semelhante ao violão, mas de dimensões mais pequenas. No passado, a viola da terra fazia parte do dote do noivo e o seu lugar na casa durante o dia era em cima de uma colcha axadrezada, como adorno do quarto do casal, assumindo, desde o povoamento do arquipélago, um lugar de destaque nos festejos, bailes, cantorias e serões.

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