Foi desenvolvido em segredo ao longo de 18 anos, mas tornou-se um sucesso imediato. Amado por figuras como Yuri Gagarin e Jane Birkin, o Citroën DS, carinhosamente apelidado Boca de Sapo, possui um currículo invejável no cinema e até salvou a vida do Presidente francês Charles De Gaulle. O modelo, que assinala 60 anos em 2015, é a grande estrela do Motorclássico, que começa hoje na FIL, em Lisboa.

Participou em mais de um milhar de filmes, foi campeão de vendas em França e mantém desde 1955 (data do seu lançamento) fãs um pouco por todo o mundo - do pintor Marc Chagall à cantora e actriz Jane Birkin, do astronauta Yuri Gagarin ao actor Jeff Bridges. Falamos do Citroën DS (que em francês se lê Déesse, 'deusa'), conhecido em Portugal como 'boca-de-sapo'. No ano em que o modelo celebra seis décadas, o festival Motorclássico prepara uma exposição dedicada ao lendário automóvel que fez furor nos anos 50 e 60 e que continua a atrair olhares. Além disso, está previsto um passeio de Citroën DS que virão de todo o país e chegarão à FIL, este domingo, por volta das 14h.

Jane Birkin no seu DS (1968)Com um design futurista e aerodinâmico da responsabilidade do italiano Flamino Bertoni, tecto em fibra de vidro e suspensão hidráulica, teve um sucesso imediato quando foi apresentado no Salão Automóvel de Paris, em Outubro de 1955. Logo nos primeiros minutos foram vendidos 749 exemplares e ao longo da primeira noite a marca recebeu 12 mil encomendas. Desse dia até 1975, data em que saiu da fábrica o último boca-de-sapo, foram vendidos 1.455.746 carros. Em 1999 o DS atingiu o terceiro lugar no top dos carros mais influentes de todos os tempos e a revista Classic & Sports Cars elegeu-o mesmo como o carro mais bonito de sempre.

Antes de atingir o estrelato, o DS esteve 18 anos a ser desenvolvido em segredo, numa série de avanços e recuos marcados primeiro pela II Guerra Mundial e depois por um país que tentava reerguer-se das cinzas. Mas o sucesso da casa francesa veio mostrar também o poderio de um país que não se tinha deixado ficar para trás. Em plena corrida ao espaço, Roland Barthes escreveu todo um ensaio sobre o carro, afirmando que parecia ter «caído do céu».

Não caiu, mas foi elevado aos céus, não só pelos números crescentes de vendas (em 1956, vendeu 9.868 e em 1970 chegou aos 100 mil), como pelo brilhante percurso na sétima arte. Entre milhares de presenças em séries, filmes e banda desenhada, destacam-se Scarface (1983), Regresso ao Futuro II (1989) ou, mais recentemente, a série O Mentalista (exibida no canal AXN), na qual o protagonista Patrick Jane se passeia frequentemente com um DS.

Neste brilhante currículo nem falta a proeza de ter salvo a vida do então Presidente Charles de Gaulle de uma tentativa de assassínio, perpetrada pelo veterano de guerra Jean-Marie Bastien-Thiry, a 22 de Agosto de 1962. Reza a história que apesar do tiroteio, o carro conseguiu arrancar a toda a velocidade. O ataque viria a ficar perpetuado no filme O Dia da Chacal (1973). Mais recentemente Manuel Baileau voltou a pôr o DS no mapa ao empreender (de 2005 a 2008) uma viagem à volta do mundo com um DS de 1971 (ambulância), na qual percorreu mais de 80 mil quilómetros e atravessou cerca de 38 países. Quando chegou ao Laos, encontrou o DS Prestige de 1974 que tinha pertencido a Sisavang Vatthana (o último rei do Laos), e que hoje está em exposição em Banguecoque.

A marca vai assinalar a efeméride com a presença de modelos de época em vários salões automóveis. Em Maio, o circuito histórico de Montlhéry (França) será invadido por viaturas proveninentes de todo o mundo, que depois se concentrarão no Jardim das Tulherias, no centro de Paris. Em 2005, os 50 anos do modelo foram celebrados em Paris com mais de 1600 DS a atravessarem o Arco do Triunfo.

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