Após décadas de domínio dos americanos, o fim das importações em 1956 abriu caminho aos compactos de origem europeia, como VW Sedan e Renault Dauphine. Ao lado de Aero-Willys e FNM JK, o Simca Chambord era uma exceção. Com porte de carro médio, nasceu na França como Vedette, projeto da Ford local, adquirida pela Simca em 1954. Vestígios dessa origem eram o motor V8 e o desenho em sintonia com Detroit. Por aqui ele chegou em 1959. Como a nacionalização das peças, a linha crescia. Em 30 de agosto de 1960, ela foi enriquecida com o topo-de-linha Présidence.

A primeira variação do Chambord era o carro mais caro do Brasil e se caracterizava pelo capricho no acabamento e sofi sticação nos detalhes. O painel era estofado e os assentos, revestidos de couro. Cinzeiros dianteiros e porta-malas tinham iluminação. Vidros Ray-Ban eram opcionais. Em vez de rede para revistas, pastas de couro com fechadura. Atrás, um minibar trazia uma garrafa de uísque, três copos de cristal e cigarreira. Os pneus tinham faixa branca e as calotas eram cromadas e raiadas. Nada, porém, chamava mais atenção que o estepe sobre o para-choque. O chamado Kit Continental era uma criação americana que estreou nos Lincoln e teve seu auge nos anos 50. Além da estética, livrava espaço no porta-malas.

Se o V8 de 2,3 litros e 84 cv do Chambord era motivo de chacota, os 6 cv extras do motor do Présidence, graças à carburação e ao escapamento duplo, ajudavam. Aos poucos ganhou cavalaria. Em 1962 eram 100 cv, mesmo motor do esportivo Rallye, com 2,4 litros. Em 1963, o câmbio ganhou primeira sincronizada e melhoria nos cabeçotes rendeu mais 5 cv.

Em 1964, com o V8 Super Tufão de 2,5 litros, chegou a 112 cv. A estrutura foi reforçada e capô ganhou tomadas de ar para os dois carburadores sequenciais. As colunas traseiras fi caram mais largas e o dono do carro podia gravar seu nome numa plaqueta ali instalada. As lanternas foram redesenhadas. Com o mesmo motor do Présidence, o Simca Rallye testado por QUATRO RODAS em junho de 1965 fez 0 a 100 km/h em 16,5 s e atingiu 144,2 km/h de máxima.

Ao ser resgatado, o Présidence 1965 das fotos passou por um restauro total. “As calotas precisaram ser feitas raio a raio e cromadas”, diz o dono, um colecionador paulista. “Para quem está acostumado a guiar Simca, é um avião, estável, confortável e freia bem.”

No motor Emi-Sul de 1966, o Présidence ia a 140 cv, enfi m uma tropa de cavalos digna de um chefe de estado. Como opcional, havia a divisória de vidro entre os bancos da frente e de trás. QUATRO RODAS nunca testou um Présidence, mas avaliou um Chambord com motor Emi-Sul (com 10 cv a menos). Ainda assim, bateu o recorde entre os carros avaliados pela revista, passando de 160 km/h. Poucos Présidence tiveram o motor de 140 cv, dos 848 produzidos entre 1960 e 1966. Número reduzido, como até convém a um carro criado para o luxo e a exclusividade.

Em Brasília

Apesar do nome, o Présidence nunca virou carro oficial do governo federal. Mas seus rivais foram. Juscelino Kubitschek usou na inauguração de Brasília, em 1960, um FNM 2000 JK, primeiro nacional usado por um presidente. Em 1966, a Willys doaria um Itamaraty sedã e um Executivo para Castello Branco.

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