Guido Teles, Vereador da Câmara Municipal de Angra do Heroísmo, na segunda parte desta entrevista fala-nos do projecto de expansão do Parque que já está a ser tratado. Mas fala igualmente dos múltiplos sinais da revitalização económica do concelho e de como a Startup Angra e o TERINOV contribuíram, e irão continuar a fazê-lo, no futuro imediato, para o clima económico que Angra vive neste momento

IA – Sente-se uma evolução na economia da ilha Terceira, com o aparecimento de novas empresas e de novos negócios nomeadamente no Parque Industrial que, quando este elenco camarário chegou ao município estava uma taxa de ocupação na casa dos 50 por cento…

GT – O parque industrial acaba por ser uma boa referência para podermos analisar a dinâmica económica do concelho.

Quando, como referiu na sua pergunta, iniciámos o nosso trabalho no primeiro mandato, tínhamos a taxa de ocupação que, igualmente, referiu e nem sequer chegava aos 50 por cento.

É certo que se vivia, naquele momento, uma situação de crise muito difícil que conduziu ao encerramento de muitas empresas.

Nos primeiros meses do nosso mandato, aprovámos um programa especial e excepcional que previa uma redução de preços não só pata aquisição da propriedade plena mas igualmente para aquisição do direito de superfície e, com o passar do tempo e ao com a evolução positiva da economia em vários dos seus segmentos, resultante do esforço conjunto de uma série de entidades de que a autarquia fez parte, a verdade é que hoje o parque industrial está completamente lotado não havendo nenhuma parcela disponível.

- Esse facto coloca novos desafios…

- Sem dúvida. O nosso grande objectivo, neste momento, é o de conseguirmos expandir o parque industrial e estamos a trabalhar nesse sentido ultrapassando alguns impedimentos administrativos que permitam a sua ampliação.

Isto porque continua a haver procura. Há cerca de dois meses levámos a cabo uma hasta pública para os lotes, que na altura, ainda estavam disponíveis, tendo esgotado todos os espaços e já, depois disso, temos vindo a ser contactados por empresas que desejaria instalar-se naquela zona.

Isto é um bom sinal da actual vitalidade da nossa economia sendo que o desafio que se nos coloca é o de criarmos maiores oportunidades de espaços para que mais empresas possam fazer os seus investimentos naquela zona do concelho.

- Para além da ocupação plena do parque industrial há outros sinais de retoma da economia?

- Posso, desde já, referir um que se prende com o facto do novo parque de ciência e economia, o TERINOV, que abriu as suas portas muito recentemente ter, neste momento, uma taxa de ocupação a rondar os 90 por cento.

Acho muito positivo, mais a mais, porque a maioria das empresas que lá estão instaladas são startups, empresas recém-criadas e estão a actuar em sectores económicos inovadores fundamentais para a nossa economia. Desde a área agroalimentar, um dos pilares de acção do parque, ao sector tecnológico, em que temos de apostar cada vez mais, uma vez que não enfrenta tantas dificuldades e obstáculos como os negócios mais tradicionais, que sentem os naturais constrangimentos geográficos relacionados com a exportação dos seus produtos.

Resumindo, acho que há vários sinais, não só em Angra, mas também na Praia da Vitória, no Terceira Tech Island que vê crescer mensalmente o número de empresas que estão lá sediadas, fazendo com que olhemos para o futuro próximo com optimismo.

- Em todo este “pulsar” não podemos esquecer o papel da startups de Angra…

- A Startup Angra teve, e tem, na minha perspectiva, uma importância muito grande no sector um pouco diferenciado na economia do concelho. Durante muitos anos Angra esteve ligada aso chamados sectores tradicionais e, com o aparecimento da Startup, começámos a poder contar com novos investimentos provenientes de pessoas, grande parte delas, jovens e, sobretudo, em áreas de negócio muito diferenciadas e com uma maior capacidade de expansão. Hoje esta estrutura tem uma enorme complementaridade com o TERINOV ou seja, a Startup, que surgiu em 207, conseguiu alavancar uma série de ideias que se tornaram em negócios que, uma boa parte deles, acabaram por se transferir para o parque tecnológico.

Agora terá de ser gerida de outra forma, mais virada para as ideias de negócio que tenham por alvo o centro da cidade e à sua dinâmica económica mantendo de forma permanente a ligação com o TERINOV de maneira a que possam existir, em permanência, espaços disponíveis, fundamentais para quem tenha uma ideia inicial de negócio, essenciais ao seu início de actividade.

- Surgiu, entretanto, a sua participação na Websummit…

- A Websummit é uma enorme montra internacional de novos negócios e uma oportunidade fantástica que tem sido muito bem aproveitada pelas startups da nossa ilha com alguns resultados práticos. Temos algumas startups que conseguiram arranjar investidores nacionais e, nalguns casos, internacionais, fruto da exposição que tiveram, não só na Websummit, mas noutras feiras internacionais em que participaram.

Algumas delas já foram premiadas por entidades nacionais e internacionais. Temos algumas que já estão a ser objecto de investimento por parte da Portugal Ventures, fundamental porque se trata de uma importante entrada de capital que lhe permite o desenvolvimento dos conceitos que vão sendo criados.

Parece-me que este tem que ser o caminho que devemos continuar a seguir no sentido de globalizar os nossos negócios.

Estas participações neste tipo de certames acaba por representar uma forma de obter os financiamentos de que já falei mas, igualmente, de promover o nome de Angra do Heroísmo em areópagos muito, mas mesmo muito, importantes para nós.

 

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