As obras de requalificação do Porto das Pipas, em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira, que incluem a construção de uma rampa ‘roll-on/roll-off’ (‘ro-ro’), deverão arrancar até ao final do primeiro semestre deste ano.

“O contrato é agora enviado para visto do Tribunal de Contas, o que demorará, imagino que não mais do que um mês. Não se anteveem problemas”, afirmou hoje a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas dos Açores, Ana Cunha, em declarações aos jornalistas, em Angra do Heroísmo.

A governante falava à margem da assinatura do contrato da empreitada de construção da rampa para navios ‘ro-ro’ e 'ferry' e das obras complementares para melhoramento da operacionalidade e do abrigo no Porto das Pipas.

A empreitada, adjudicada ao consórcio Sacyr-Somague, S.A./Sacur-Neopul, S.A, por cerca de 14 milhões de euros, tem um prazo de execução de 24 meses.

A intervenção contempla o aumento do cais e o prolongamento do manto de proteção ao muro de cortina existente, permitindo a operação de navios de cruzeiros temáticos, e a construção de uma rampa ro-ro, para que os ‘ferries’ que efetuam as ligações entre Angra do Heroísmo e a Calheta (São Jorge) possam desembarcar viaturas.

“As principais valências de melhorias com esta obra prendem-se não só com as condições de abrigo, como com a melhoria da operacionalidade, com a concretização da última das rampas 'ro-ro' previstas construir, com a potenciação do transporte marítimos de passageiros e viaturas e também com a dinamização do porto para acolhimento de um determinado segmento de mercado de cruzeiros ditos temáticos ou de expedição”, frisou a secretária regional dos Transportes e Obras Públicas.

Em 2008, o executivo açoriano, então liderado por Carlos César (PS), prometeu a construção de um cais de cruzeiros em Angra do Heroísmo, que chegou a estar orçado em cerca de 60 milhões de euros.

Em fevereiro de 2014, o então secretário regional do Turismo e Transportes, Vítor Fraga (PS), anunciou que o Governo Regional tinha desistido de construir um cais de cruzeiros em Angra do Heroísmo, substituindo-o pela construção de uma rampa ‘ro-ro'.

Questionada sobre os motivos do atraso na concretização da obra, Ana Cunha, que substituiu Vítor Fraga em 2017, admitiu que existiram “desafios técnicos” e salientou que estes processos são demorados.

“Anunciado o objetivo, as pessoas têm a expectativa de que ele se realize no mais curto espaço de tempo. Há, no entanto, sempre um procedimento que tem de ser seguido e que nem sempre é percetível por parte das pessoas, em geral, e que fazem com que não seja tão imediato”, apontou.

As obras decorrerão durante dois anos, mas o executivo açoriano prevê que a operação da Atlânticoline, que liga Angra do Heroísmo à Calheta nos meses de verão, não seja afetada.

“Terá de ser articulada com o empreiteiro, mas o objetivo é manter a operação “, adiantou a secretária regional.

O presidente do município de Angra do Heroísmo, Álamo Meneses (PS), disse estar “absolutamente satisfeito” com o projeto final da obra.

“Creio que neste momento o Governo Regional está de parabéns pelo percurso feito. Foi um percurso com dificuldades técnicas, com um conjunto de questões que foram sendo levantadas, mas, num exercício de diálogo e de concertação entre todos os interesses envolvidos, creio que chegámos a uma excelente solução”, frisou.

Segundo Álamo Meneses, a requalificação do Porto das Pipas vai permitir melhorar as acessibilidades a Angra do Heroísmo e virar novamente a cidade para o mar.

“Angra sempre foi uma cidade que viveu do mar, aliás toda a sua história está ligada a esta função de porto e o facto de termos estado aqui umas décadas desviados do centro dessa atividade não nos trouxe obviamente grandes vantagens, antes pelo contrário. É uma forma de irmos recuperando um espaço que precisamos de ter”, apontou.

 

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