De utilitários a heróis das pistas – esta parece ser a história de muitos dos modelos que se tornaram mitos do desporto automóvel. E o caso do Lancia Delta não é excepção. Concebido em 1979 por Giorgio Guigiaro, o modelo utilizava a plataforma do Fiat Ritmo, suficiente para as ambições de um pequeno carro familiar com alguns luxos no interior. A primeira versão desportiva foi apresentada em 1986 e fazia uso de um motor de quatro cilindros com dois litros de capacidade, turbo-compressor, cabeça de oito válvulas e tracção às quatro rodas.

A primeira versão de 1987 do Lancia Delta Integrale 8V ou Delta 4WD, utilizada pela marca italiana para homologar a versão de competição do modelo, que viria a dominar durante vários anos o Campeonato do Mundo de Rallys, fazia uso de um motor de quatro cilindros em linha, com cinco rolamentos na cambota, cabeça em alumínio de dupla árvore de cames, comandando duas válvulas por cilindro e uma capacidade de 1.995 c.c. (84mm X 90mm). A injecção ficava a cargo de um sistema electrónico multiponto IAW-Weber e um turbo-compressor GarretAiResearch, que permitia um débito de 185 CV de potência às 5.300 rotações e um binário máximo de 304 Nm às 3.500 rotações.

Para aplicar a potência ao solo, era utilizada uma transmissão integral, a suspensão era independente nos dois eixos, por meio de uma estrutura tipo MacPherson, molas helicoidais, amortecedores telescópicos e barra estabilizadora. A direcção, por pinhão e cremalheira, era assistida hidraulicamente e os travões eram de disco às quatro rodas.

De características aquém de serem impressionantes, o primeiro Lancia Delta Integrale veio, no entanto, permitir à marca dispor de uma excelente base de trabalho e homologação dos seus carros de rallys, uma aposta forte para a Lancia que, em meados da década de 80, havia desenvolvido o fabuloso Delta S4, entretanto banido juntamente com os restantes bólides de Grupo B. Em 1989, a Lancia apresentava uma versão 16 válvulas do seu Lancia Delta Integrale, subindo a potência do motor para 200 CV.

Em 1991 a Lancia actualizava o Delta Integrale, revendo toda a dinâmica do modelo e criando o primeiro modelo Evoluzione, facilmente reconhecível pela sua carroçaria, com alargamentos e entradas de ar adicionais. No Lancia Delta Integrale HF Evoluzione, conhecido nalguns mercados como Deltona, a potência debitada pelo motor de quatro cilindros subia para os 210 CV, disponibilizados às 5.750 rotações, graças à utilização de um turbo-compressor Garret T3 e intercooler. A transmissão era actualizada com um diferencial central planetário, com embraiagem multidiscos viscosa e diferencial traseiro Torsen, permitindo uma distribuição da potência de 47 por cento para a frente e 53 por cento para trás.


As prestações de referência melhoravam de forma tímida, com o Lancia Delta Integrale HF Evoluzione. Porém, onde as diferenças face aos antecessores mais se notavam era no comportamento em estrada, com o desportivo desenvolvido para os exigentes troços de rallys a demonstrar o porquê de ter sido coroado várias vezes Campeão do Mundo de Rallys.

Dois anos depois do surgimento do primeiro Delta Evoluzione, a Lancia apresentava o Lancia Delta Integrale HF Evoluzione II, esteticamente semelhante ao seu antecessor, mas equipado no motor com uma gestão electrónica Magneti-Marelli IAW reprogramada, permitindo subir a potência para os 215 CV. Curiosamente, esta versão não foi utilizada para efeitos de homologação junto da FIA, sendo equipado com um turbo mais pequeno, de baixa inércia, o que tornava o motor mais dócil a baixos regimes.

Considerado ainda hoje como o mais bem-sucedido modelo na história do Campeonato do Mundo de Rallys, o Lancia Delta Integrale contabiliza um total de seis campeonatos ganhos.

Este automóvel foi doado ao Museu do Caramulo por Ilídio de Oliveira Freitas.

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