Ainda hoje, o Citroën DS é um modelo capaz de fazer parar o tráfego, sem nunca ter passado de moda.

Perto do final dos anos cinquenta, os engenheiros da Citroen enfrentavam um problema: após terem produzido o carro de tracção avançada (Traction Avant), e o 2 Cavalos, como o que é que se poderia seguir a estas lendas?

A resposta foi criar um dos mais importantes carros da segunda metade do século vinte, o DS 19. Em Portugal, devido ao seu estilo único, recebeu o nome de “Boca de Sapo”, menos romântico do que o recebido em França, onde as iniciais DC serviram para lhe atribuir o nome de “déesse”, a deusa, nome também adaptado pelos criadores.

Ainda hoje é um modelo capaz de fazer parar o tráfego, sem nunca ter passado de moda, reflectindo ao mesmo tempo um sentimento de poder e feminilidade. E debaixo daquela capa, o Citroen tinha a tecnologia suficientemente avançada para ser olhado com respeito tanto pelos técnicos como pelos artistas que o conceberam.

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O sapo
Lançado no Paris Motorshow, no Outono de 1955, foi um sucesso instantâneo. Muita da excitação foi causada pelo seu estilo único, completamente diferente de qualquer outro que alguma vez tenha surgido no mercado. Caracterizado por linhas suaves e fluentes, os criadores ignoraram completamente as regras básicas de construção dos carros em vigor na altura. Por exemplo, a grelha do radiador não aparecia, um elemento de estilo de quase todos os carros, e a marca de luxo dos Bugatti, Roll-Royce e Alfa Romeo.

No DS todo o formato do corpo era a imagem de marca do carro. Menos surpreendente era a tracção às rodas da frente. A Citroen era perita no campo e nos anos cinquenta, esse conhecimento era já uma herança da companhia. O espaço para o condutor também foi alargado, dando azo ao aspecto único do carro que foi descrito com uma expressão francesa “a tour de force”.

Mas se o desenho do carro era de cortar a respiração, a parte mecânica era mais do que avançada. Apenas o motor era convencional, retirado do modelo Traction Avant, com a cabeça do cilindro modificada.

Uma maravilha da técnica mas a restante tecnologia do carro nada tinha a ver com o passado. No seu coração batia uma central hidráulica num sistema único, conduzido por uma bomba. Em principio, o sistema baseava-se em gás de nitrogénio comprimido conduzido por um fluído hidraúlico sobre pressão. O gás providencia a pressão suficiente para levar o óleo a actuar sobre os travões, o sistema hidraúlico, de motor, as mudanças e a hidropneumatica suspensão.

As unidades de suspensão, uma em cada pneu, usavam a pressão de óleo e gás. Um controlador de nível ajustava as quatro unidades de suspensão e permitia que o carro mantive-se um equilíbrio de condução perfeito, sem que o peso tivesse interferência.

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O condutor podia controlar a performance do carro em qualquer tipo de piso, mas as habilidades do carro iam mais longe, ao ponto de ser ele próprio a elevar-se mal as rodas tocavam em alguma elevação do terreno, bastando para tal uma simples folha de árvore, bastando para tal colocar a suspensão na sua posição mais elevada, colocar um suporte – vendido em casas da especialidade – debaixo do carro e reprogramar a suspensão para o seu nível mais baixo. Uma vez que o carro não podia rebaixar-se, os pneus mantinham-se elevados, facilitando a troca destes.

Antes de ter sido introduzido no DS, o sistema hidropneumático foi duramente testado em modelos com uma baixa suspensão.

Um ano após a sua entrada no mercado, ao DS juntou-se uma versão mais simples o ID 19, e durante os dez anos em que foi produzido, surgiram modelos com características mais alargadas ao nível do espaço e descapotáveis.

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No ano de 1993, a consagração final. A revista Automobile Year celebrou o quadragésimo aniversário convidando jornalistas de todo o mundo ligados aos motores para decidirem qual o melhor carro que tinha dado entrada no mercado durante os anos da sua publicação. Não foi surpresa para ninguém que o escolhido tenha sido o DS 19.

Nenhum carro, antes ou depois, se assemelhou ao “Boca de Sapo”. Ainda nenhuma produção de carros se aproximou da sua complexidade técnica – esta atracção é única da Citroen.

Outra das faces mais individualistas do DS 19 é a forma como os pneus de trás estão posicionados no carro, mesmo ao fim da carroçaria, o que dá uma qualidade única na condução, para além da solidez que transmite aos condutores.

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