A Direção Regional da Cultura, através da Biblioteca Pública e Arquivo Regional Luís da Silva Ribeiro, em Angra do Heroísmo, celebrou um contrato de doação do espólio e da biblioteca de João Dias Afonso a esta instituição.

Esta doação foi encetada pela filha deste ilustre terceirense, Maria João Afonso Galvão Telles, no cumprimento da vontade expressa de seu pai.

O contrato, celebrado a 26 de julho, obriga a instituição ao tratamento deste espólio, que passa a integrar o Fundo João Afonso, à guarda do Arquivo Regional.

O espólio entregue inclui documentação diversa, nomeadamente vasta correspondência entre João Dias Afonso e diversas personalidades, como Luís da Silva Ribeiro, Vitorino Nemésio, Mécia de Sena, Armando Côrtes-Rodrigues, Cecília Meireles e Pedro da Silveira, entre outros, mas também fotografias e documentação pessoal.

A disponibilização ao público da documentação constante do acervo será efetuada após o seu tratamento arquivístico.

João Dias Afonso, que nasceu na freguesia da Sé, foi contratado como bibliotecário da então Biblioteca Municipal de Angra do Heroísmo, iniciando aí uma carreira que o levaria a técnico superior principal de bibliotecas e arquivos e a diretor desta instituição.

Na biblioteca em que trabalhava, e noutros arquivos nacionais e estrangeiros, realizou investigação no âmbito da história dos Açores, da etnografia e, em particular, sobre a história da baleação nos Açores, campo em que foi um dos grandes especialistas e pioneiro.

Nos estudos sobre a caça à baleia realizou investigação nos Estados Unidos (Nova Inglaterra e Califórnia) e no Reino Unido, tendo sido o principal mentor da organização etnohistórica do Museu dos Baleeiros, nas Lajes do Pico.

No campo da etnografia histórica açoriana, publicou numerosos artigos sobre os trajes tradicionais açorianos.

Também se dedicou à bibliografia, tendo realizado um inventário exaustivo da bibliografia açoriana, publicado em numerosos volumes pelo Governo dos Açores.

Como jornalista esteve ligado à fundação do Diário Insular, foi colaborador assíduo do jornal A União e foi o primeiro delegado da RTP nos Açores.

Como poeta fez parte da corrente do modernismo insular de meados do século XX, tendo alguns dos seus poemas sido assinados com o pseudónimo Álvaro Orey.

Em 1960, ganhou o Prémio Nacional de Poesia do Secretariado Nacional de Informação (SNI), com o livro "Pássaro Pedinte e Ruas Dispersas", prefaciado por Vitorino Nemésio.

A Direção Regional da Cultura informa que este e outros eventos estão disponíveis para consulta na Agenda Cultural do Portal CulturAçores, no endereço www.culturacores.azores.gov.pt.

 

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