A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo defendeu hoje que a retoma da economia dos Açores deve seguir “um sistema que permita flexibilidade” a cada ilha e que a região deve manter o controlo sobre as viagens.

Questionado pela Lusa sobre os contributos que o município da Terceira irá remeter ao Governo Regional, que quis ouvir os parceiros sociais sobre o roteiro “Critérios para uma saída segura da pandemia covid-19", o presidente da câmara, Álamo Meneses, afirmou que concorda “em pleno com as propostas” do executivo e que a autarquia da defende a criação “de um sistema que permita a flexibilidade a cada uma das ilhas, de acordo com a sua situação epidemiológica”.

Álamo Meneses considerou que não se devem “criar medidas uniformes para o arquipélago” e que não há necessidade de “criar constrangimento àquelas ilhas que não têm qualquer” caso positivo do novo coronavírus.

O roteiro criado pelo executivo regional já adiantava que "a decisão de levantamento de medidas restritivas poderá ser diferenciada de ilha para ilha ou de grupos de ilhas para grupos de ilhas”.

“O que se afigura mais provável é que existam ilhas em que as restrições são levantadas, enquanto outras mantêm-se sujeitas a restrições que só serão levantadas conforme o evoluir da situação", adianta.

Pelas mesmas razões, prossegue o documento, "também não é de excluir que a mesma diferenciação possa existir entre concelhos dentro da mesma ilha".

Os Açores têm nove ilhas divididas em três grupos: oriental (Santa Maria e São Miguel), central (Terceira, Pico, Faial, São Jorge e Graciosa) e ocidental (Flores e Corvo).

Até ao momento, Flores, Corvo e Santa Maria não registaram casos de infeção com o vírus da covid-19 e as restantes ilhas, excetuando São Miguel, não têm novas infeções há algumas semanas.

Álamo Meneses acrescentou que é necessário “manter um regime de controlo apertado dentro e para fora da região”, controlo esse que deve ser adensado ou alargado de acordo com a situação epidemiológica da ilha de origem e de destino de cada passageiro.

Sobre o caso concreto da Terceira, onde há três casos ativos, o autarca considera que há margem “para retomar a atividade dentro da ilha, mas com todos os controlos”, sendo, para isso, necessário “garantir que há um conjunto de medidas de contenção que se mantêm”.

“Quanto à abertura da ilha ao exterior, é uma questão técnica a que não sei responder”, admitiu o socialista.

O presidente do Governo dos Açores, Vasco Cordeiro (PS), disponibilizou na passada sexta-feira um documento com os critérios para uma "saída segura" da pandemia de covid-19, nas palavras do executivo regional.

O documento está aberto a contribuições de várias associações, entidades e cidadãos que assim pretendam.

Os Açores estão há seis dias consecutivos sem registar qualquer novo caso de covid-19.

No arquipélago foram detetados um total de 138 casos, verificando-se 37 recuperados, 11 óbitos e 90 casos positivos ativos de infeção pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, que causa a doença covid-19, sendo 66 em São Miguel, três na ilha Terceira, cinco na Graciosa, dois em São Jorge, nove no Pico e cinco no Faial.

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