Se fosse possível misturar o charme de um Karman-Ghia com a precisão técnica de um BMW, o que resultaria deste cruzamento? Em tempos modernos, você precisará colocar a imaginação para funcionar. Nos anos 1960, a resposta seria o BMW 2000 CS, exatamente o carro que encontramos meio perdido e à venda aqui no Brasil.

Em 1965, a BMW resolveu usar a plataforma New Class — que havia estreado em 1962, com o sedã 1500 —, para criar um novo cupê. Seria o substituto do 3200 CS, um cupê desenhado por Bertone que, de 1962 a 1965, teve apenas 603 unidades construídas. Vender mais do que ele, portanto, não seria tarefa das mais difíceis.

Também chamado de New Class Coupé, o 2000 vinha com duas opções de alimentação: a C, com carburação simples, de 100 cv a 5.500 rpm, e a CS, com carburação dupla e 120 cv a 5.500 rpm. Seu motor era um quatro-cilindros de dois litros, o chamado M10, cuja versão modificada, o M12, ajudou Nelson Piquet a vencer seu segundo título mundial, em 1983. As duas versões do carro eram equipadas com transmissão manual de quatro marchas. Curiosamente, foi a versão menos potente, a 2000C, que recebeu a opção de transmissão automática, com apenas três marchas.

Apesar de a BMW ser da Baviera, o cupê era fabricado pela Karmann, na Baixa Saxônia, mais especificamente em Osnabrück. Com 4,53 m de comprimento, 1,68 m de largura e 1,36 m de altura, ele tinha o bom entre-eixos de 2,55 m. Pesava 1.150 kg e conseguia atingir a velocidade máxima de 177 km/h. Nada estonteante.

Desenhado por Wilhelm Hofmeister, chefe de design da marca de 1955 a 1970 e pai da famosa curva Hofmeister da coluna C dos modelos BMW, o cupê gerou reações diversas, especialmente por sua dianteira, que parecia usar óculos. Era do tipo “ame ou odeie”, mas os números de vendas mostram que o ódio não teve vez nessa história: foram fabricados 11.720 New Class Coupés. Destes, 9.999 eram 2000 CS, 3.249 eram 2000 C automáticos e apenas 443 eram 2000 C manuais.

Se você acha o carro parecido com o 3.0 CSL, está coberto de razão. Foi sobre o 2000 que o 3.0 CS e o CSL foram construídos. A dianteira e o entre-eixos foram ampliados para comportar o motor de seis cilindros e 3 litros. Olhando os carro de lado, ficará fácil notar que a cabine é praticamente a mesma, enquanto o balanço dianteiro é cerca de um palmo maior no modelo mais novo.

O modelo à venda no Brasil, ainda que faça parte da versão mais vendida, é raridade por aqui. Segundo o vendedor, estima-se que existem somente outros dois exemplares no país. Nenhum deles à venda. Este é de 1967 e está com 58.000 km, em seu terceiro proprietário.

 

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