O festival AngraJazz arranca hoje em Angra do Heroísmo, nos Açores, com expectativas de casa cheia nos três dias da sua 21.ª edição, que conta com nomes como Allan Harris, Miguel Zenón e Frank Kimbrough.

“Temos casa quase cheia. Os bilhetes têm-se vendido muitíssimo bem, melhor do que nos anos anteriores e esperamos ter de facto um grande festival, à altura dos anteriores”, adiantou, em declarações à Lusa, José Ribeiro Pinto, da associação cultural AngraJazz, que organiza o festival.

Este ano, o cartaz do festival começou a ser divulgado em março na Bolsa de Turismo de Lisboa (BTL) e com anúncios em revistas internacionais desde maio, o que a organização acredita ter contribuído para que mais pessoas tivessem programado visitas à ilha Terceira para assistir ao AngraJazz.

O furacão “Lorenzo”, que passou pelos Açores na madrugada e manhã de quarta-feira e obrigou ao cancelamento de voos, poderá ter condicionado a deslocação de alguns turistas, mas ainda assim José Ribeiro Pinto estima que o público que chega de fora da ilha aumente.

“A nossa expectativa continua a ser muito boa. Estamos com esperança de termos mais gente do que nos anos anteriores”, afirmou, acrescentando como exemplo que um casal que habitualmente marcava presença no festival este ano desistiu, porque o seu voo foi cancelado.

Quanto ao cartaz, não sofreu alterações, com exceção de um espetáculo previsto para a passada quarta-feira num bar, em Angra do Heroísmo, porque os músicos não conseguiram chegar a tempo à ilha.

Para além dos três dias de festival no Centro Cultural e de Congressos de Angra do Heroísmo, a organização promove um conjunto de concertos em bares, restaurantes, lojas e espaços culturais da cidade, na semana que antecede festival, que tem contado com boa adesão do público.

“Não é, como não podia ser, uma coisa com grandes audiências, porque decorre em bares e restantes, mas a verdade é que se cria um ambiente muito agradável, muito próximo, entre os músicos e espetadores e portanto as pessoas gostam imenso”, salientou José Ribeiro Pinto.

O objetivo, explicou, é criar um conjunto de atividades que tornem a cidade de Angra do Heroísmo “apelativa” para que os amantes de jazz se desloquem à ilha Terceira não apenas para os três dias do festival.

A 21.ª edição do AngraJazz arranca hoje com a Orquestra AngraJazz, formada por músicos locais, que é já presença habitual no primeiro dia e que este ano conta com o pianista e compositor Carlos Azevedo como convidado.

Segue-se o quinteto do francês Émile Parisien, “um dos grandes saxofonistas altos da Europa, altamente premiado”.

O segundo dia começa com o sexteto Axes do português João Mortágua, composto por quatro saxofonistas e dois bateristas, “uma experiência interessante, que tem sido muito acarinhada pela crítica”, dentro do jazz mais moderno, e cujo álbum de estreia foi considerado “o melhor do ano” pelo JazzLogical.

Sobe também ao palco do AngraJazz nessa noite o quarteto do pianista norte-americano Frank Kimbrough, que começou a tocar músicas de Thelonious Monk em 2017 e já gravou seis álbuns dedicados a esse vulto do jazz mundial.

O festival encerra com Allan Harris, “cantor da senda nova-iorquina já com muitos anos de experiência e muito considerado internacionalmente”, seguido pelo quarteto do saxofonista porto-riquenho Miguel Zenón, “eleito o melhor saxofonista alto do mundo”.

 

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