A Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico estimou hoje que as suas vendas caíram 60% em abril, em termos comparativos com o período homólogo, em grande parte devido ao decréscimo do turismo nos Açores.

O presidente do Conselho de Administração da Cooperativa Vitivinícola da Ilha do Pico – Picowines, Losmenio Goulart declarou à agência Lusa que a queda traduz as vendas reais, o encerramento da secção de enoturismo da cooperativa e o cancelamento ou adiamento de diversas encomendas.

De acordo com o responsável pela cooperativa, se durante o mês de março ”o mercado pareceu manter alguma normalidade, em abril já foi notória a diminuição das vendas, especialmente porque o mercado principal é a Região Autónoma dos Açores e, na própria região, grande parte do mercado era impulsionado pelo turismo”.

A cooperativa está a enfrentar a pandemia da covid-19 “com uma visão de futuro mais alargada”, consciente de que “eventualmente o mercado vai recuperar” e, quando isso acontecer, quer “estar pronta”, daí que tenha seguido com o calendário de engarrafamento e rotulagem.

Losmenio Goulart avança que, em simultâneo, tenta-se “encontrar e fomentar novos mercados, em situação mais favorável, para que sejam uma janela de escoamento dos nossos produtos”.

Foi ainda lançada a loja ‘online’ www.picowines.com, visando “aproximar os produtos dos clientes e potenciais clientes que se encontram em casa”, tendo-se “aumentado a visibilidade das marcas com uma presença mais ativa nas redes sociais, através da criação de conteúdo diversificado, com fotografias de paisagens da ilha e dos produtos”.

“Continuamos com novos projetos que queremos lançar nas nossas redes sociais, essencialmente com o objetivo de apoiar quem nos apoia. Temos o exemplo do projeto #àmesacompicowines, que pretende aproximar chefes portugueses dos nossos vinhos e da sua cozinha com a criação de receitas que utilizem os nossos produtos, e para o ‘pairing’ ideal”, declara o presidente da Picowines.

Questionado sobre se está em causa a continuidade da cooperativa, o responsável refere que esta “atravessou todas as crises” durante a sua existência e tem a convicção de que “esta será mais uma que se irá conseguir ultrapassar”.

“Os desafios são imensos e vão prolongar-se no tempo, mas iremos com toda a certeza, em conjunto com todos os nossos parceiros, recuperar e reerguer-nos mais fortes”, frisou.

Losmenio Goulart está convicto que os apoios disponibilizados pelos governos nacional e regional para fazer face à pandemia “não estão a contemplar a verdadeira dimensão desta crise, nem todos os seus contornos”.

É sua expectativa vir a assinar com a Secretaria Regional da Agricultura e Florestas, após uma reunião com o seu titular, João Ponte, um protocolo de cooperação.

O presidente da Picowines refere que o sector vitícola na ilha do Pico “representa um movimento de capital, todos os anos, na ordem dos dois milhões e meio de euros”, o que, para uma realidade de cerca de 14.000 habitantes, é “um número considerável”.

A cooperativa previa realizar investimentos no primeiro e segundo trimestre do ano para preparar uma vindima que se “espera extraordinária”, mas, “neste momento, esses investimentos estão em causa dada a situação que se atravessa, correndo-se o risco de não ter capacidade livre disponível, ao nível dos depósitos, para rececionar toda a produção dos sócios".

O setor vitivinícola dos Açores viu ser duplicado entre 2012 e 2019 o número de produtores, de 246 para 517, passando-se de 190 hectares em 2012 para cerca de mil em produção de vinha certificada, na atualidade.

Existem cerca de 40 vinhos certificados nos Açores, sendo que em 2019 foram uma dezena.

Segundo as projeções oficiais, a produção de vinho dos Açores vai quadruplicar em cinco anos, ultrapassando os vinhos certificados um milhão de litros, se for tido em consideração que a sua produção anual é de 250 mil litros.

Portugal registava na quinta-feira 989 mortos associados à covid-19 e 25.045 infetados.

Desde o início do surto foram confirmados 138 casos da covid-19 nos Açores, 80 dos quais atualmente ativos, tendo ocorrido 45 recuperações (27 em São Miguel, oito na Terceira, cinco em São Jorge e cinco no Pico) e 13 mortes (em São Miguel).

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