A Câmara do Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) defendeu hoje a necessidade de um reforço de medidas de apoio aos empresários do setor turístico, depois de terminado o processo de 'lay-off', previsto para junho, devido à pandemia de covid-19.

"Vamos precisar de um reforço, com medidas extraordinárias, passado o período de 'lay-off' [redução temporária dos períodos normais de trabalho ou suspensão dos contratos de trabalho efetuada por iniciativa das empresas, durante um determinado tempo], porque ainda são muitos meses de paralisação", advertiu o presidente da CCIA, Rodrigo Rodrigues, em declarações à agência Lusa, na sequência da crise provocada pela pandemia do novo coronavírus.

O empresário reagia, assim, aos programas já anunciados pelo Governo Regional de complemento ao 'lay-off' simplificado (destinado à manutenção dos postos de trabalho) que, no caso dos Açores, já abrange 1.470 empresas, muitas das quais deverão manter-se neste programa até ao final dos três meses de vigência.

"No curto prazo é essa a perspetiva mais realista, embora não seja de colocar de parte que algumas unidades hoteleiras, ou até mesmo a sua maioria, possa ter de continuar com essa solução para além do mês de junho", admitiu Rodrigo Rodrigues.

O presidente da CCIA espera, contudo, que logo que sejam retomadas as ligações aéreas interilhas possa surgir no arquipélago um movimento excecional de turistas internos, que ajude a revitalizar o setor turístico regional.

"Poderemos ter aqui um mercado interno regional a funcionar interilhas, para que não tenhamos de estar completamente fechados, ou seja, um mercado interno que ajude a mitigar o problema da falta de turistas", exemplificou Rodrigo Rodrigues.

Apesar disso, o presidente da CCIA lembrou que a realidade que hoje se vive no setor turístico açoriano é pouco otimista, já que as reservas estão a ser canceladas e já se adivinha que o verão será um "desastre".

"O que nós temos é as reservas todas a caírem, semanalmente. À medida que nos aproximamos do final de cada mês, essas reservas são completamente canceladas e, portanto, temos aqui um ano que, para a hotelaria, será um desastre", alertou Rodrigo Rodrigues.

O presidente da associação empresarial açoriana afirma-se mesmo convencido de que o desemprego nos Açores irá aumentar para "níveis idênticos de há 8, 9 ou 10 anos".

"Estou convencido que sim. E isso não deve ser visto como uma visão pessimista", defendeu Rodrigo Rodrigues, adiantando que se os empresários do setor do turismo não fossem otimistas e confiantes "já tinham entrado em despedimentos coletivos, de forma generalizada".

Confrontado com estas posições, o vice-presidente do Governo dos Açores, Sérgio Ávila, assinalou que a região já anunciou, na passada semana, um programa excecional de apoio às empresas açorianas, para além do período de 'lay-off', num investimento que poderá chegar aos 150 milhões de euros.

"O Governo [Regional] já criou o apoio suplementar após o 'lay-off'', nomeadamente o programa que apresentou na passada semana, de manutenção do emprego, que permitirá às empresas açorianas terem apoios suplementares superiores às restantes empresas do país, quer em termos do complemento do ‘lay-off’, quer depois dessa situação, com o programa de manutenção do emprego", frisou Sérgio Ávila.

A covid-19 já provocou sete mortes nos Açores, de acordo com os dados revelados hoje pela Autoridade de Saúde Regional, numa região onde foram detetados, até à data, 131 casos positivos por infeção pelo novo coronavírus.

 

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