O Governo Regional atribuiu um milhão de euros de fundos comunitários para a criação de uma linha de financiamento para ‘business angels’ (investidores informais) que queiram investir em pequenas e médias empresas na Região.

“É um modelo que tem demonstrado sucesso a nível mundial e que traz às empresas que se iniciam um parceiro financeiro, que traz capital para o desenvolvimento da empresa, mas que traz essencialmente conhecimento, contactos e experiência de gestão, para apoiar as empresas numa primeira fase”, adiantou o vice-presidente do Governo Regional, Sérgio Ávila, em declarações aos jornalistas, em Angra do Heroísmo, à margem da apresentação da linha de financiamento.

Esta linha de financiamento terá verbas do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional (FEDER) e será gerida pela Instituição Financeira de Desenvolvimento (IFD), sociedade financeira detida pelo Estado português.

O concurso público de seleção dos investidores que terão acesso à linha de financiamento abre no dia 15 de abril e a lista dos escolhidos será divulgada em junho.

Os ‘business angels’ escolherão depois pequenas e médias empresas nos Açores, sujeitas à aprovação da IFD, para investir não apenas os fundos públicos da linha de financiamento, mas pelo menos 15% de fundos próprios.

“Essa linha vai selecionar e financiar as entidades veículo das ‘business angels’ e essas entidades vão receber o máximo de 325 mil euros de financiamento público”, avançou Frederico Serras Gago, da IFD.

Segundo Sérgio Ávila, mais do que a injeção de capital nas novas empresas, esta medida pretende dar mais conhecimento e contactos aos empreendedores açorianos. “No fundo, estamos a captar para os Açores aqueles que são os principais ‘business angels’ que estão em Portugal, para que possam apoiar empresas açorianas no início da sua atividade, trazer capital, mas também trazer essencialmente conhecimento e experiência a essas empresas açorianas que iniciam agora a sua atividade”, frisou.

Esta é a primeira linha de financiamento de ‘business angels’ destinada exclusivamente a empresas dos Açores, mas este modelo de investimento já deu bons resultados no continente português, segundo Frederico Serras Gago.

A IFD financia atualmente 64 ‘business angels’, empresários, pessoas ligadas à incubação de empresas e professores universitários, entre outros, que adquirem parte de empresas em fase inicial (preferencialmente menos de 25%), vendendo-a posteriormente numa fase de crescimento.

“Já temos dois ‘business angels’ do continente interessados em participar. Obviamente que a linha é aberta também a ‘business angels’ dos Açores”, revelou Frederico Serras Gago.

 

Conheça uma plataforma europeia que pretende facilitar o encontro entre investidores e fundadores de start-ups e que, em 2019, já ajudou a fechar perto de 300 rondas.

E se, enquanto fundador, conseguisse melhorar substancialmente as suas possibilidades de receber investimento? Ou tivesse oportunidade de conhecer start-ups que se adequassem aos parâmetros dos investimentos que quer levar a cabo?

Esta é a premissa da Fundsup, uma plataforma de matchmaking holandesa que quer diminuir o atrito entre a procura de capital inicial e a pesquisa pela equipa ideal. De uma forma simples, funciona como um “Tinder” para o universo do empreendedorismo: as start-ups partilham o seu pitch deck no website e os investidores inserem as suas preferências de investimento. Caso haja uma correspondência, as duas partes podem entrar em contacto.

Lançada em março de 2018, a plataforma já conta com mais de 2400 fundadores e mais de 300 investidores, incluindo business angels, fundos de financiamento de Governos e firmas de capital de risco. Este tipo de utilizadores pode utilizar a ferramenta de forma anónima, de modo a encontrar os melhores negócios. Recebem uma notificação sempre que alguma das equipas que estão a seguir, e que vá ao encontro dos seus critérios, se mostre interessada em receber investimento.

Como funciona

À data, a Fundsup já recebeu mais de 1,7 milhões de euros de investimento. O modelo de negócio da organização holandesa passa por cobrar um fee aos utilizadores: 100 euros por mês aos investidores e 150 euros por trimestre aos fundadores. Embora a tração se tenha provado positiva, com mais de 290 rondas de financiamento fechadas só este ano, a plataforma quer atrair mais investidores. Para o fazer, ainda tem 200 contas disponíveis com um período de experimentação gratuito de seis meses.

A aplicação mobile – destinada aos veículos de investimento – está disponível em iOS e Android. O acesso dos fundadores à plataforma é feito através da versão desktop.

 

A Vice-Presidência do Governo dos Açores, através da SDEA - Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores, distinguiu na Gala do Empreendedor, que se realizou esta sexta-feira na Praia da Vitória, as melhores ideias de negócio, na sequência de mais um Concurso Regional de Empreendedorismo (CRE).

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Na edição de 2017, este concurso atribuiu o primeiro prémio, no valor de 25 mil euros, ao projeto 'Oricalco', da autoria de Lisa Esteves, o segundo lugar, no valor de 20 mil euros, ao 'Yara Pets', de Dúnio Gomes do Couto, e o terceiro, no valor de 15 mil euros, ao projeto 'Infinitum', de Marco Costa, Filipe Raposo e João Rego.

Relativamente à edição de 2018, o primeiro lugar foi atribuído ao projeto 'AZ SmartGrow', de Gonçalo de Andrade, no segundo lugar ficou a ideia de negócio 'Fumeiros dos Açores', de Tiago Silva, e em terceiro lugar o projeto 'Redcatpig Studio', de Marco Bettencourt.

Os prémios agora atribuídos visam integrar o capital das empresas que serão criadas no âmbito desta iniciativa.

Os resultados foram conhecidos na Gala do Empreendedor, cerimónia que contou com a presença do Vice-Presidente do Governo, Sérgio Ávila.

Durante a Gala, os vencedores das duas edições tiveram oportunidade de dar a conhecer os seus projetos, que abrangem diversas áreas, tais como inovação tecnológica, ao nível do desenvolvimento de sistemas de monitorização no âmbito da indústria agroalimentar, biotecnologia, tecnologias de informação e comunicação, turismo e indústrias criativas, em particular no desenvolvimento de jogos digitais.

No âmbito do fomento do empreendedorismo e em consonância com os objetivos delineados pelo Governo dos Açores, o Concurso Regional de Empreendedorismo visa estimular a capacidade de iniciativa, a criatividade e o comportamento empreendedor dos concorrentes, portadores de ideias de negócio inovadoras.

Tem ainda por objetivo a criação, nos Açores, de negócios inovadores, exequíveis e que respondam a necessidades do mercado, em áreas consideradas prioritárias para o desenvolvimento regional.

Num mundo em transformação, foi sobre “Convergência” que se falou na 13ª edição do QSP Summit, na Exponor, Porto – Matosinhos, nos passados dias 21 e 22 de março.

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As novidades foram muitas e o crescimento de um dos maiores e melhores eventos de marketing e gestão da Europa foi notório: dois dias de evento, três pavilhões totalmente preenchidos, mais de uma centena de expositores, mais de 2.300 gestores e líderes das principais empresas em cada um dos dias e 47 oradores.

Com Daniel Pink, um dos pensadores mais aclamados do mundo, o primeiro dia começou com um novo olhar sobre como melhor motivar e gerir o talento, numa era de informação transparente, instantânea e personalizada. Percebemos com Daniel Pink que a remuneração importa e é a base da motivação pelo sentido de justiça que representa, mas, no longo prazo, não é suficiente. Os líderes devem ser capazes de envolver os elementos das suas equipas no progresso, fazendo-os com que se sintam uma verdadeira contribuição no propósito da empresa, o que só é possível dando-lhes autonomia.

Vindo do Insead, o segundo orador, Spencer Harrison, professor de comportamento das organizações, mostrou-nos como a literatura se tem centrado no papel das pessoas nas empresas e como é fundamental saber convergir ideias, inovações e diferentes culturas, porque a criatividade é o motor de marcas e empresas. É precisamente sob esta noção que o terceiro orador entra de rompante em palco. Stanley Hainsworth é uma marca. Mas é também um profissional. E um empolgante orador. De cabelo espetado e roupa colorida, confiante de que todos nós vendemos a imagem do que somos e do que fazemos. Não há uma segunda oportunidade para criar uma primeira impressão; este líder criativo de marcas como Nike, Lego e Starbucks não podia ter causado uma melhor.

Para a tarde, o primeiro dia de QSP Summit reservava ainda duas atuações memoráveis no palco principal, após um momento para os Worklabs e Thinkers Hall, que contaram com nomes como Anne Hoyer, António Tavares, Joana Amaral Dias, Joana Garoupa e Michael Akkerman. Primeiro, Howard Saunders, um humorista-futurista que roubou muitas gargalhadas a um auditório repleto, com um monólogo assente numa ideia: o futuro espera-nos com braços de comodismo, onde a experiência e o toque humano, de tão raros, serão muito mais valorizados. Seguidamente, Jerry Storch completou o dia no palco principal com uma visão sobre o futuro do retalho, em que só vencerá quem conseguir o melhor preço com lucratividade, ou entrega mais valor, conteúdo, serviço, no fundo, branding.

Por fim, foi dado novamente espaço a Worklabs e Trends Forum, com a presença de Jaime del Valle Sansierra, José Soares, Melanie Cook, Helen Duphorn, José Fortunato e Luís Teixeira.

O segundo dia de QSP Summit, novamente com casa cheia, contou com três oradores no palco principal – Barbara Kahn, Lewis Garrad e Rob Bradley – e também com Worklabs de Ana Lehman, Cristina Fonseca, Sofia Tenreiro, Fuencicla Clemares e Katrina Dodd.

Barbara Kahn trouxe uma matriz de aplicação no retalho (denominada Kahn Retailing Success Matrix) em que podemos posicionar as marcas, num determinado momento do seu ciclo de vida, quanto à capacidade de fazer sobressair a vantagem competitiva da marca (preço vs marca) e à proposta de valor que entregam (conveniência vs experiência). Com esta matriz é interessante notar o percurso das marcas nativo-digitais, como a Amazon, e como podemos integrar nas nossas empresas o que de melhor estas fizeram.

Para fechar o grande auditório, Lewis Garrad não deixou ninguém indiferente com a sua questão “como podemos estar na era da informação e ser tão ignorantes?”, a propósito da nossa permeabilidade a fake news, explicando como vivemos numa era de ignorância promovida pela constante mudança e introdução do desconhecido. Já Rob Bradley esclareceu, com o exemplo da CNN, como os media se podem tornar em empresas de análise de dados e personalização de publicidade para que, sem perder a experiência editorial, sejam relevantes e sustentáveis.

A 13º edição do QSP Summit não terminou sem uma atuação musical do trio Gileno Santana, Daniel Dias e Paulo Gravato e com as marcas a proporcionarem grandes experiências a todos os conferencistas. E, para o próximo ano, a 14ª edição tem já data marcada: dias 26 e 27 de março, na Exponor, Porto – Matosinhos.

David Magboulé, fundador da LabToMarket

David Magboulé é um especialista na área da Saúde. O fundador da LabToMarket, uma organização que encurta a distância entre o lançamento das soluções de investigadores e o mercado, falou com o Link To Leaders sobre a eHealth Summit, o estado atual das start-ups de saúde em Portugal e outros temas.

A 3.ª edição do Portugal eHealth Summit decorreu entre 19 e 22 de março. O ponto de encontro mais relevante da área da Saúde nacional juntou agentes públicos (como os Serviços Partilhados do Ministério da Saúde e o Sistema Nacional de Saúde) a start-ups.

O evento contou também com vários oradores e uma Startup Village, onde era possível encontrar dezenas de equipas prontas a apresentar as suas soluções para os mais variados problemas. O fundador da LabToMarket foi um dos responsáveis pela vila dedicada à inovação.

Que balanço faz da eHealth Summit?
Foi excelente. Contou com as maiores empresas da Saúde em Portugal, decisores e stakeholders chave desta indústria – tanto a nível público, como privado. [Para além disto, contou com] meia centena de start-ups, palestras muito interessantes, sobre as últimas e as próximas tendências de mercado, com oradores nacionais e internacionais muito reputados.

Acima de tudo, é um evento onde se fica a par das últimas novidades e onde é realmente possível criar oportunidades de negócio. Com sete palcos, incluindo o Startup Village, existem poucos eventos desta envergadura em Portugal e é, sem dúvida, o maior evento nacional da área da Saúde.

(…) os próprios Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) têm um programa chamado “Spotlight” que, na última quarta-feira de cada mês, recebe start-ups (…)”

Sentiu alguma intenção da parte das entidades públicas presentes de utilizarem as novas tecnologias para melhorar o serviço prestado aos cidadãos?
Sem dúvida alguma. No próprio Startup Village tivemos vários administradores de hospitais públicos que não só mostraram exemplos da adoção de tecnologias inovadoras para uma melhor eficácia e gestão nos cuidados de saúde, como reforçaram a necessidade e aposta na inovação para poderem chegar a mais portugueses, de forma mais eficiente e sustentável.

Como foi apresentado no primeiro dia do Startup Village, os próprios Serviços Partilhados do Ministério da Saúde (SPMS) têm um programa chamado “Spotlight” que, na última quarta-feira de cada mês, recebe start-ups para perceber se as suas soluções são integráveis com o Sistema Nacional de Saúde (SNS).

“Nesta área, temos muitas start-ups em fase early stage ou mesmo embrionária, mas algumas já estão a ser um caso de sucesso na fase growth.”

As start-ups portuguesas desta área estão de boa saúde? Que novas ideias de negócio estão a surgir?
As start-ups portuguesas de Saúde estão muito dinâmicas! E isso notou-se neste eHealth Summit. Nesta área, temos muitas start-ups em fase early stage ou mesmo embrionária, mas algumas já estão a ser um caso de sucesso na fase growth, como é o caso da SWORD Health que conseguiu recentemente um bom financiamento e está focada no mercado dos Estados Unidos, ou da Tonic App que conseguiu vários projetos com multinacionais farmacêuticas e aposta no mercado espanhol e inglês como próximos passos.

A inovação em Saúde já não passa só por desenvolvimento de fármacos. Hoje em dia aposta-se cada vez mais nos medical devices, nos sistemas de informação, nas aplicações e em wearables, o que faz com que haja mais interessados e especialistas vindos de outras indústrias a quererem entrar neste mercado. Exemplo disso é a Blockbird Ventures, uma empresa que aposta na tecnologia blockchain para a proteção de dados na Saúde.

Como novas ideias temos também a Promptly Health que pretende apostar nos cuidados de Saúde e tratamentos mais personalizados, e que para isso estuda e recolhe dados sobre como os pacientes reagem a certos tratamentos e medicamentos. Uma indústria mais centrada nos pacientes e focada em resultados tem de recolher e tratar patient data e, por isso, a meu ver, estão no caminho certo.

Outra ideia inovadora é a da Elsie, que pretende ser uma plataforma marketplace para quem faz testes genéticos e para quem os pede. Tendo em conta a crescente democratização e fácil acesso a testes genéticos, a Elsie, preocupando-se com a proteção dos dados genéticos dos pacientes e a autenticidade dos testes e dos seus resultados, sobretudo da perspetiva clínica, quer elevar o standard neste mercado.

“A partilha de experiências pode ajudar as start-ups a estar melhor preparadas para este mercado, a antecipar e ultrapassar potenciais barreiras que possam surgir.”

Porque é que é importante reunir start-ups de saúde num único espaço?
Acima de tudo, para os stakeholders poderem encontrar, num único espaço, o que de melhor se tem feito ao nível da inovação. Sabemos que, sobretudo em Portugal, pode ser difícil para uma empresa recém-criada chegar aos decisores e nesse espaço a “troca de cartões de visita” e apresentações é mais fácil.

Mas é também importante para a partilha de experiências. Todas as start-ups passam por momentos mais fáceis e outros mais duros, sejam eles devido a dores de crescimento, a oportunidades que surgiram ou devido a burocracias e regulações, o que é um dado adquirido neste setor. A partilha de experiências pode ajudar as start-ups a estarem melhor preparadas para este mercado, a anteciparem e ultrapassarem potenciais barreiras que possam surgir.

Outro ponto relevante é a criação de potenciais sinergias. Existem cada vez mais tecnologias complementares e certas start-ups podem juntar forças na sua forma de abordar o mercado ou chegar a certos clientes. E até com start-ups de outras indústrias: acreditamos em cross-industry innovation e foi por isso que trouxemos a GEMA e a Nudge Portugal ao Startup Village para apresentarem as suas soluções, que são muito aplicáveis neste setor.

“A troca de experiências com outros players, a partilha de informação com experts e estar a par do que se passa na indústria é crucial para ter maior consciência das regulações, das classificações dos produtos, dos valores associados à burocracia necessária e, assim, garantir uma melhor e mais eficiente entrada no mercado.”

Ao contrário das start-ups de outras áreas, as de saúde não se podem dar ao luxo de abordar o mercado da mesma forma. O move fast and break things não se adequa à saúde. Que precauções é que este tipo de projetos têm de ter antes de chegarem ao mercado?
Como disse, a inovação já não passa só pelo conceito de novos fármacos. Existem soluções inovadoras nesta indústria, baseadas em plataformas e sistemas de informação que conseguem penetrar no mercado e ter um impacto enorme nos pacientes e consumidores em muito pouco tempo, e que não precisam de passar por todo o processo de regulação habitual.

Devido ao avanço e rápida evolução das novas tecnologias, que estão cada vez mais associadas ao mercado da Saúde, o próprio INFARMED, a Agência Europeia de Medicamentos e a Food and Drugs Administration têm, ainda hoje em dia, dificuldade em saber como as devem regular e classificar.

Mas para evitar mais barreiras ou burocracias desnecessárias – o que pode causar surpresas e adiar o time-to-market das soluções e produtos – é recomendável as start-ups apoiarem-se em serviços legais competentes e com experiência no mercado da Saúde e que estejam a par das últimas atualizações legais neste campo.
Mais uma vez, a troca de experiências com outros players, a partilha de informação com experts e estar a par do que se passa na indústria é crucial para ter maior consciência das regulações, das classificações dos produtos, dos valores associados à burocracia necessária e, assim, garantir uma melhor e mais eficiente entrada no mercado.

Um estudo europeu concluiu que mais de metade dos unicórnios de healthtech não têm provas científicas independentes dos produtos que vendem. Para os investidores que estão interessados em entrar na área, que sinais devem procurar para saber se as equipas têm (ou não) uma solução inovadora?
Não descartando a importância das provas científicas, acima de tudo, na minha opinião, o que um investidor deve procurar é se existe mercado para a solução apresentada, o chamado product-market fit. E isso passa por garantir que a start-up validou a solução junto do mercado, seja através de um piloto que tenha sido executado e os seus resultados, de estudos de mercado onde é visível o voice of customer e potencial procura dessa solução, ou até de acordos ou interesses de potenciais clientes – sejam eles farmacêuticas, empresas de medical devices ou prestadores de cuidados de saúde – já confirmados.

Mas para assegurar a veracidade científica, o facto de a solução ter nascido de uma equipa de investigação universitária com renome e experiência na área, de terem sido realizados ensaios clínicos em contexto adequado ou a acreditação/classificação reconhecida pelas entidades reguladoras, são argumentos que podem dar uma maior segurança à solução e, por conseguinte, ao investidor.

Já serviu de mentor em várias iniciativas de aceleração/incubação de start-ups. Quais são as barreiras e os erros mais comuns que os fundadores de projetos de saúde cometem?
A maior parte dos projetos da área da Saúde que tenho encontrado nascem do entorno académico. Isso faz com que existam duas barreiras, diria, quase naturais: a falta de conexão à realidade da indústria e, acima de tudo das necessidades dos pacientes, mas também um apoio escasso da parte das universidades – e claro, existem exceções – na comercialização das soluções. Isto passa pelo apoio na estratégia de propriedade intelectual, na negociação de royalties, na procura de opções de financiamento e também na providência de ferramentas de marketing para que o produto ou serviço seja adequado às necessidades do cliente final.

Mas, acima de tudo, os pontos de melhoria são sem dúvida a validação do conceito no mercado ouvindo os targets principais, conhecendo o entorno regulatório, pesquisando bem se existe concorrência – e estudando-a para não cometer os mesmos erros -, e ter um plano financeiro bem estudado e maduro na sua estrutura e no que diz respeito à estratégia de crescimento.

“O que tem faltado, a meu ver, é uma maior ambição das start-ups: correr o risco de abandonar a investigação e/ou o ensino, que traz uma segurança financeira, para se dedicarem a 100% ao seu projeto empreendedor.”

O que é que estas start-ups podem fazer para aumentar a sua esperança média de vida?
Para além dos pontos referidos, e quero reforçar a prova de conceito e a concorrência – até porque num mundo globalizado como o que vivemos hoje, podem existir as mesmas soluções na Índia, na China ou em qualquer outro país de uma realidade mais remota, mas que possa ter maior capacidade de chegar até à Europa – é importante definir uma estratégia de crescimento sustentável. Portugal não deixa de ser um mercado pequeno, ou um mercado de teste, e qualquer start-up ambiciosa tem que pensar em soluções globais e na conquista de novos mercados.

Concretamente, criar uma equipa multifacetada, também com pessoas experientes e bagagem internacional pode sem dúvida ser uma mais-valia. Executar um piloto ou ensaio clínico num país estrangeiro também permite validar a solução noutro mercado e ganhar potenciais interessados.

Mas acima de tudo o que tem faltado, a meu ver, é uma maior ambição das start-ups: correr o risco de abandonar a investigação e/ou o ensino, que traz uma segurança financeira, para se dedicarem a 100% ao seu projeto empreendedor, e com a devida vontade de vencer tudo e todos, para chegar o mais longe possível.

Em relação à LabToMarket, o que é que o levou a criar este projeto?
Sou formado em Biologia e com praticamente 15 anos de experiência internacional em todo o espectro da área da Saúde, como Pharma, Biotech e Medical Devices, em postos executivos de marketing, business development e estratégia. [Por este motivo,] quis colocar esta expertise em prática e apoiar-me na minha network global para ajudar Portugal e a Europa a comercializar ainda mais produtos no mercado da Saúde.

Em Portugal temos uma investigação em Life Sciences que é internacionalmente reconhecida, no entanto, não transformamos esse conhecimento em inovação, e isso, a meu ver, passa por registar patentes e lançar produtos e serviços no mercado.

Antes de lançar a LabToMarket estive num evento de inovação em Saúde e ouvi falar pela primeira vez sobre pedidos de patentes provisórias (PPP), que custam perto de dez euros e permitem um período de 12 meses até a decisão de avançar com o pedido de patente oficial mantendo a prioridade inicial (data da PPP). Nesse momento, percebi que pelo menos 80% dos nossos investigadores desconheciam essa informação e foi aí que soube que tinha de lançar a LabToMarket e tentar simplificar e apoiar os interessados no processo de inovação.

“Existem inúmeras iniciativas que podem ajudar a aproximar o mercado da academia.”

Ainda existe um gap muito grande entre a academia e o mercado? O que é que pode ser feito para diminuir esta lacuna?
Sem dúvida que a academia precisa de aproximar-se do mercado. Temos casos de sucesso em vários pontos do país onde existe uma clara ponte estabelecida entre a universidade em questão e a indústria. No entanto, é preciso mais.

Acima de tudo, é imprescindível ter pessoas nas unidades de transferência de tecnologia com experiência de mercado, e não só com conhecimento da parte legislativa. Para transmitirem as necessidades do mercado aos investigadores e para avaliarem, em primeira mão, o potencial de um projeto de investigação e a sua aplicabilidade no mercado.

Essas unidades podem e devem ser mais proativas. Existem inúmeras iniciativas que podem ajudar a aproximar o mercado à academia, como por exemplo sessões informativas onde tanto a indústria, como os prestadores de cuidados de Saúde e até as associações de pacientes podem explicar aos investigadores as suas necessidades, o seu dia-a-dia, os seus painpoints; workshops de marketing e de tendências de mercado; programas de open innovation entre a indústria e a academia; partilha de experiências entre start-ups que nasceram do entorno académico – as chamadas spin-offs – e investigadores servindo como fonte de inspiração; entre muitas outras.

Existem de facto várias instituições e universidades que executam algumas destas ações, mas deveria ser muito mais generalizado e recorrente em todo o país.

O que é que a LabToMarket faz, na prática, pelas organizações que pedem os seus serviços?
A LabToMarket pretende ser uma one-stop-shop para a inovação em Saúde e ajudar os investigadores a serem mais empreendedores e lançarem as suas soluções ao mercado.

Através da nossa rede global de contactos e experts na indústria da Saúde, queremos ajudar as start-ups e empresas do setor a crescerem e aumentarem as suas vendas. Em concreto, temos feito, [entre outras iniciativas], formações com universidades e incubadoras em várias temáticas como Estratégias de Propriedade Intelectual, Comercialização de Produtos e Soluções em Life Sciences, Marketing e Comunicação, Técnicas de Pitch, Técnicas e Estratégias de Venda.

Temos ajudado start-ups através de consultoria em estratégia de marketing e internacionalização, a entrarem em mercados estrangeiros, apoio no business development das suas soluções, e a conseguirem financiamento com fundos que têm experiência neste setor.

Já têm um ano e meio de atividade. Que resultados tiveram até agora?
Hoje em dia, colaboramos com cinco das maiores universidades do país, vários parques de ciência e tecnologia, somos parceiros de inovação da Associação Nacional de Estudantes de

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