Produzir cannabis com fins medicinais é o core business da jovem FunCrops que agora procura potenciais clientes e parcerias para levar o negócio a mercados internacionais.

A FunCrops é uma empresa recém-constituída que vai dedicar-se à plantação de cannabis para fins medicinais. Instalada no Fundão, a empresa é resultado da iniciativa empreendedora de um português, David Ferreira, e dois holandeses, Josh Tuzgol e Patrick Go, que decidiram investir no Fundão onde dispõem de 3000 m2 de área para cultivo de Cannabis Sativa indoor (em vez de outdoor, uma vez que querem garantir qualidade e resultados eficazes), que lhes permitirá uma produção de cerca de 700 kg a cada quatro meses.

Atualmente a desenvolver esforços junto do Infarmed para a obtenção da respetiva licença para começarem de imediato a plantação, a FunCrops espera conseguir potenciais clientes e parcerias para levar o negócio a mercados internacionais.

Como surgiu a ideia
“No ano passado, eu e o Josh estávamos a discutir boas oportunidades de negócio para desenvolvermos. Pensámos em algo digital, mas hoje a maior parte das start-ups são tecnológias. Por isso vimos uma oportunidade de criar algo mais tradicional e menos tecnológico”, explicou David Ferreira. Consistente da nova lei da cannabis medicinal em Portugal, que estava entretanto a ser discutida, foi esta a opção que tomaram. “Na verdade, até tinha tido a ideia de começar no início de 2017, mas não tinha à minha volta as pessoas certas. Por isso, quando falámos do assunto decidimos avançar. Este será um negócio legítimo, legal e vamos fazê-lo num país que aceita muito bem este tipo de investimentos – Portugal”, acrescenta David Ferreira.

Josh Tuzgol lembra que já conhecia David de outros negócios e projetos em que trabalharam no passado. “O David mencionou-me o facto do mercado legítimo de cannabis em Portugal estar para ser aprovado, tanto para a produção como para exportação. Eu já andava a pensar nesta área de negócio, mas quando o David me trouxe a ideia de fazermos algo juntos, sugeri contactarmos o Patrick para saber se ele estava interessado em criar uma empresa. A partir daí, tudo começou a acontecer muito rápido.” Patrick Go frisou ainda que “quando se fala de cannabis é um assunto especialmente sensível, contudo acreditamos no que vamos fazer em Portugal e mostrar ao país e ao mundo os benefícios da cannabis medicinal.”

O projeto começou com um investimento próprio na ordem dos 60 mil euros, mas a equipa fundadora está a tentar junto da banca um financiamento de 140 mil euros, para fazer as obras e a instalação de equipamento especializado. “Procuramos passivamente investidores, para um futuro em caso de crescimento exponencial, visto que em 2020 queremos produzir mais de 20 toneladas/ano para mercados internacionais – visto que a nossa empresa será licenciada para exportação também”, explica David Ferreira.

Os três sócios têm afinidade com a indústria, conhecimento e know-how para fazer crescer uma empresa de cannabis medicinal profissionalmente. “Cada um de nós tem diversas áreas de especialização no nosso campo profissional. Mas a parte em comum é que somos os três empreendedores e fazemos as coisas rápida e eficazmente. Por exemplo, conseguimos criar a empresa com uma estrutura um pouco complexa em menos de um dia – duas pessoas coletivas holandesas e uma pessoa singular holandesa – tudo graças a uma boa comunicação, sincronização e preparação”.

A sede está instalada no Centro de Negócios e Serviços do Fundão, concelho onde também ficará a plantação, onde esperam poder tirar partido da qualidade do ar e da pura água da Serra da Estrela, essenciais para o bom crescimento da planta. “Prevemos que durante o verão de 2019 já possamos começar a plantar as primeiras plantas”, vaticina David Ferreira.

O modelo de negócio
“Temos um pavilhão para crescimento indoor e iremos plantar e produzir cannabis medicinal orgânica com diferentes níveis de CBD/THC (substância relaxande da cannabis / substância psicotrópica), desde um nível elevado de CBD a níveis médios em comparação com o THC – tudo dentro dos limites que o Infarmed nos vai estabelecer”, explicou o sócio português da start-up. David Ferreira revelou ainda que irão secar e vender a cannabis para farmácias, indústria farmacêutica nacional e internacional, mas também para indústrias transformadoras (óleos, comprimidos, etc). “Por querermos oferecer alta qualidade, trabalhamos num ambiente fechado para garantir a qualidade e o resultado final, ao contrário de plantações ao ar livre que se tornam susceptíveis a todo o tipo de problemas”, assegurou.

Por agora, o responsável da FunCrops confidenciou, que já está em conversações “com algumas entidades nacionais e internacionais, dentro da Europa e nas Américas, para exportar o produto”. Contudo, acreditam que a recetividade ao produto em Portugal vai ser positiva. “Estamos a investir num país, numa área menos favorável para negócios é a grande possibilidade de ajudar empresas ou universidades a encontrar curas ou tratamentos para as diversas doenças que podem ser tratadas por esta planta, geralmente, demonizada em nome da guerra às drogas. O sentimento mundial é que muitos países e comunidade médica começam a admitir os bons efeitos da cannabis medicinal. Além disso, nós os três acreditamos na legalização da planta para todos os fins e nos benefícios económicos que isso poderia trazer para o país”.

Necessidades imediatas
Enquanto aguarda o necessário licenciamento para pode começar a plantar, a start-up está a juntar os fundos e em negociações com a banca para investir no edifício. “Planeamos um investimento de três milhões nos primeiros 24 meses de atividade”, revela David Ferreira. Também procuram sinergias com potenciais clientes ou até mesmo start-ups que possam comprar o stock. Entretanto, vão começar a remodelação do armazém para estar pronto para a produção e precisam também de obter as certificações BPF, ISSO, entre outras. Ao mesmo tempo, preparam-se para participar na Spannabis, uma conferência sobre cânhamo e cannabis, em Barcelona, já no próximo mês e onde esperam encontrar parcerias, fornecedores, clientes e talvez investidores. Além disso, vão continuar a preencher os requisitos do Infarmed, fazer as remodelações do espaço e concluir as certificações e certificados para começar a operar.

Resumo
Responsáveis: David Ferreira, Josh Tuzgol, Patrick Go
Área: Saúde
Mercado: Europa e Américas
Necessidade: Contactos com clientes, sinergias com start-ups ou empresas na área.
Contactos: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. – https://funcrops.com

Francisco Ferreira Pinto, administrador executivo da BusyAngels

Enquanto investidores “hands-on”, que procuram apoiar e acrescentar valor aos fundadores ao longo da relação, uma das nossas preocupações é avaliarmos regularmente a qualidade desse acompanhamento e como o podemos melhorar.

Se eu perguntar a diferentes fundadores quais as áreas em que procuram mais a nossa ajuda e colaboração diria que a maioria andaria em torno de: i) apoio estratégico e na gestão do negócio; ii) contactos e abertura de portas comerciais; iii) experiência e contactos em levantamento de novas rondas de capital e exits e; iv) identificação e apoio no recrutamento de elementos chave.

De entre todos estes requisitos, é precisamente na identificação e recrutamento de elementos chave que temos vindo a procurar continuamente encontrar novas soluções para podermos contribuir numa atividade chave na afirmação inicial da empresa. Tipicamente estamos a falar de empresas com poucos recursos e que não têm tempo nem dinheiro para poder falhar muitas vezes na identificação de novos elementos.

Neste âmbito, uma das iniciativas que temos vindo a desenvolver centra-se em procurar identificar alguns parceiros especialistas nesta área que possamos recomendar aos fundadores. Temos a noção que qualquer rede nossa será sempre menos abrangente que uma rede de parceiros dedicados e especializados. A nossa proposta de valor para estes parceiros também nos parece clara, ao dia de hoje na Busy Angels temos 25 start-ups no portfólio, a maioria em Portugal e Espanha, financiadas, com objetivos de crescimento muito ambiciosos, já com presença em múltiplas geografias e naturalmente com necessidades de recrutamento constantes (e em certos momentos com um volume de pedidos ao nível de grandes empresas já estabelecidas).

Diria que à partida seria fácil encontrar parceiros especializados interessados em colaborar com o nosso portefólio, mas a realidade é que na prática os resultados não têm sido assim tão imediatos.

Da experiência que vou recolhendo, e fazendo desde logo o disclaimer de ser o “ponto de vista do utilizador” em Portugal, identifico as seguintes razões para esta dificuldade:

Em primeiro lugar, o crescimento da economia e da confiança das empresas portuguesas aliadas à vinda massiva de empresas internacionais para Portugal nos últimos anos tem criado uma pressão positiva sobre o mercado laboral. A procura é muita e a oferta tem muito por onde escolher. Uma das consequências é que quem faz a intermediação tem cada vez mais atividade e pedidos a bater à porta vindos dos seus clientes habituais, um valor imediato a ser capturado. É terreno conhecido, mais simples de operacionalizar, paga melhor e tem mais economias de experiência. Uma proposta de valor difícil de combater.
Nos casos em que mesmo assim existe intenção e alocação de recursos internos para explorar este “mundo das start-ups” (como muitas vezes ouvimos), o que acabamos por verificar é que essa aposta é na maioria das situações ainda superficial. Procuram replicar os processos e modelos de negócio tradicionais que conhecem bem, nas start-ups. Não verificamos ainda um verdadeiro investimento em know-how específico da indústria, em conhecer por dentro como trabalham este tipo de empresas, os perfis que se encaixam na cultura e na dinâmica das empresas, quais as motivações quer da empresa quer das equipas (comprarem o sonho, ligação com o sucesso da empresa, …) e claro uma adaptação do próprio modelo de remuneração em linha com os recursos disponíveis (maior partilha de risco e aposta no sucesso mútuo futuro).
Vemos outras linhas de atividade, como escritórios de advogados ou empresas de consultoria, a realizar esta aposta e investimento específico neste setor, mas em recursos humanos ainda não conseguimos identificar essa tendência. No entanto, relembro o que referi no ponto anterior, o custo de oportunidade será hoje muito grande…
Por último, julgo que a (i)maturidade do ecossistema em Portugal também cria algumas barreiras à aposta nesta indústria. Ainda existe pouca experiência em muitos dos perfis pretendidos, tipicamente muito específicos, e que obrigam inclusivamente a procurar opções criativas noutras geografias. Por exemplo experiência em vendas software as a service, em SEO, growth hacking, marketing digital, blockchain (entre muitas outras), são ainda difíceis de encontrar em quantidade e qualidade em Portugal.
De qualquer forma, todos os problemas são oportunidades e julgo que uma especialização em recrutamento para start-ups tecnológicas seria uma grande mais-valia para o ecosistema. Cada vez mais temos vindo a conhecer start-ups que procuram revolucionar o sector de Recursos Humanos. Temos inclusive investido, no final de 2018, na Easy Virtual Fair, dedicada (por agora) a resolver o problema das feiras de emprego, tornando-as virtuais e acessíveis à distância de um clique. Pode ser que os convença a estudar mais aprofundadamente o problema e eventualmente poderão vir a endereçar esta oportunidade no futuro.

Na ilha Terceira, nos Açores, há projetos que veem a luz do dia graças à incubadora inaugurada em 2017. A Startup Angra avalia, acelera e ajuda a validar ideias de negócio. Da ilha para o mundo.

Etapa 10: Para chegar a Angra do Heroísmo há que apanhar o avião. É na cidade açoriana da ilha Terceira que começa a segunda série da Volta a Portugal em incubadoras e termina a décima etapa da prova. Pedalamos oceano Atlântico fora para chegar à Casa do Capitão Donatário, edifício histórico da cidade que, em 2017, foi transformado na primeira incubadora da ilha. Mas nem só ali nascem startups: a Terceira é uma incubadora em si.

 “Se te fechas, tu acabas do tamanho do sítio onde estás. Há ilhas tão ou mais pequenas no interior do país. Não é o espaço. Há pessoas que vivem em ilhas no continente”, explica Mário Mendes, sentado no lugar do condutor da sua carrinha, enquanto conduz no caminho até ao monte Brasil, uma das vistas mais bonitas da ilha Terceira. A Terceira Tours, empresa que acaba de lançar, é uma das cerca de 50 startups já incubadas da Startup Angra, incubadora terceirense inaugurada em meados de 2017.

 Mário Mendes decidiu criar um negócio de tours na ilha Terceira. Acompanha grupos que queiram conhecer bem o sítio onde viveu a maior parte da sua vida.

Inspirada no trabalho feito por outras incubadoras no continente, a Startup da Terceira ocupou, a partir dessa altura, o edifício pintado de azul que já serviu de Casa do Capitão Donatário, autoridade máxima na capitania local. Os degraus altos de madeira fazem lembrar o caminho íngreme para o Monte Brasil, mas levam também aos espaços ocupados por algumas das incubadas. Outras, virtualmente, estão espalhadas um pouco por toda a ilha.

Tibério Barbeito, 30 anos, é um dos incubados virtuais da Startup Angra. No armazém branco, longe da casa azul, continua a fazer experiências: com o alemão Leon Biermann está a ponto de lançar a Bananika, cerveja açoriana feita à base de banana. “Tinha tantas ideias e lembrei-me da banana por causa dos excedentes. Já tinha feito bolo de banana, banana desidratada, gelado de banana, já não sabia o que havia de fazer. Decidi fazer cerveja de banana, e fiz, mas deixei lá engarrafado”. Um dia, decidiu abrir as garrafas arrumadas no armazém para dá-las a provar a alguns amigos. A reação foi tão boa que Tibério e Leon decidiram fazer da experiência, negócio. Concorreram a um concurso e ganharam. “Temos estado a trabalhar, a afinar receitas e fazer ensaios mas aquilo é um processo único, é tudo novo”, conta, ao ECO.


Tibério Barbeito, 30 anos, está ainda em processo de criação da fórmula da Bananika, uma cerveja feita de banana.

Mas a Bananika vai muito além de ter uma cerveja — com base de banana, é certo — produzida na ilha. “A ideia era criar uma estrutura que absorvia banana excedente e criar um produto para oferecer ao turista e que gerasse rendimentos aos agricultores porque, de outra maneira, aquilo ia para o lixo”, explica Tibério. Em suma, fazer de uma cerveja de banana um produto de economia circular. Só que este não é o único projeto em que Tibério está envolvido. O empreendedor é, entre outras coisas, também sócio de Tiago Silva, 39 anos. Juntos estão a desenvolver o projeto da Casa das Conservas, que tenta retirar o maior partido do peixe da região, transformando-o por um lado, em conservas como patés e, por outro, em peixe fumado.

“A minha família, no Algarve, já fazia coisas fumadas”, conta Tiago. “O mercado do peixe fresco e marisco está a cair, por isso decidimos investir em coisas novas. Começámos a fazer experiências em casa e, há dois anos, decidimos experimentar com o atum”, detalha. No processo, estão agora a mais de meio caminho: a Casa das Conservas trabalha, neste momento, na uniformização de procedimentos internos, ao mesmo tempo que amplia a carteira de clientes.

Do fumeiro para a mesa

Salga mista, salga seca, filetes e vácuo. O vocabulário de Tiago e Tibério não podia ter vindo em melhor altura para Daniela Silveira. As 32 anos, contam-se pelos dedos de uma mão os projetos que já criou desde que, em 2012, voltou à Terceira depois de alguns anos a viver “no continente”. Estudou direito mas “desgostou-se” da área. “Quando regressei não tinha trabalho e senti necessidade de fazer algo. Sempre gostei de projetos novos e comecei um festival de Jazz, que acontece ainda até hoje, já na oitava edição”. Com o tempo, foi encontrando trabalhos mas percebeu que do que gostava mesmo era de trabalhar por conta própria, “à tarefa e por objetivos”, conta.

Açores: Terceira Tech Island cria 400 empregos até 2020

Com André Castro Parreira, 38, decidiu começar a explorar a Casa Maria Luísa, casa de família da avó do namorado que era ocupada poucas vezes por ano, durante as férias da família. Mas a este negócio, já voltamos. É que Daniela parece não conseguir estar parada. E, em meados de janeiro decidiu aproveitar o peixe fumado de Tiago e Tibério para ajudar a desenvolver a sua marca de sushi com entrega ao domicílio, sem concorrência na ilha. “Vi aqui uma oportunidade de negócio, porque só existe um restaurante e que está quase sempre cheio”. Juntou alguma experiência e formação que fez na escola de sushi do Porto, a única no país, e começou a trabalhar com um grande cliente em perspetiva: a cafetaria do hospital de Angra, onde passam cerca de 2.000 pessoas por dia. “A parceria arrancou logo, achei que ia ser um fator diferenciador usar o peixe fumado e introduzir chicharro — que não é um peixe habitualmente usado no sushi”, conta. Claro que, diz, vai usar salmão nas receitas mas a empresa quer dar primazia ao peixe de Tiago.

O negócio do sushi vai ser coordenado com a casa de família. Com cinco quartos, um enorme jardim e uma piscina, a Casa Maria Luísa traz à memória o cheiro da casa dos avós com o conforto da nossa casa. André, engenheiro agrícola, percebeu que a economia do setor na ilha estava com dificuldades e decidiu desafiar a família — que já tinha tentado desenvolver um negócio de turismo rural na casa — a voltar a abrir as portas ao público e aos turistas. Em fevereiro de 2018 e de fachada pintada de fresco, a Casa Maria Luísa reabriu ao público com a ideia de ter turismo de habitação, alojamento local e também um negócio mais direcionado para eventos como casamentos, batizados e aniversários. Tudo, explica André, como uma espécie de projeto-piloto para o que aí vem: o casal espera, ainda este ano, inaugurar um outro projeto, uma Eco Village, no Porto Martins, noutra parte da ilha.

“Neste projeto, como a casa já estava montada, a ajuda da Startup serviu para dar o pontapé de saída. No Porto Martins, como é um projeto mais de fundo, é preciso trabalhar mais de início. É com este tipo de comunidades que as ideias vão surgindo e as coisas vão acontecendo, em vez de a pessoa fechada no seu casulo, com esta abertura de redes as coisas acontecem mais rápido”, diz André.

Negócio local… na ilha?
Com cerca de 54 mil habitantes, o concelho de Angra conta com mais de metade, perto de 35 mil. O aeroporto está a 20 minutos de carro do centro mas, nem por isso, mais perto do mundo. Só que isso, claro, depende da perspetiva. “Estar aqui nos Açores é conveniente, estou ao pé da família e dos amigos, é tudo perto”, diz Daniela. “O inconveniente é a distância dos produtos, essa é a única desvantagem: as mercadorias chegarem cá e, sobretudo, em que condições chegam. De resto só há benefícios”, diz, acrescentando: “Acho que o mundo empresarial açoriano está a seguir uma linha que acho muito correta, utilizar cada vez mais os nossos produtos, seguir o conceito do biológico”.

“É difícil empreender aqui na ilha, há muitos obstáculos“, conta Tibério. Por exemplo, para montar a fábrica pequena que tem e que serve de “incubadora” à Bananika, ao peixe fumado e ainda a um espumante de morango que Tibério também tem em testes, “a legislação e as exigências são quase as de uma fábrica grande em que os custos fixos diluem”, lamenta. Mas não só.

Entre as principais dificuldades estão, por exemplo, o transporte de e para a ilha — que dificulta a transação de matérias-primas e condiciona as entregas, assim como encarece a deslocação dos empreendedores locais a eventos fora da… ilha.

A vacórnio, uma vaca-unicórnio que serve de mascote à incubadora local.

“Em 2013 não existia praticamente nada de empreendedorismo nos Açores. Existiam alguns programas de apoio do governo regional, criado para incidir no empreendedorismo nas escolas, que surgiu nos Açores bastante cedo mas, a nível local, não existia propriamente uma noção ou uma estratégia para o desenvolvimento de incubadoras, estruturas de suporte ao crescimento de novas empresas. Estávamos numa fase muito complicada a nível económico, com desemprego acima dos 20%, e a cidade, todo o concelho, toda a ilha, a passar por uma fase muito má depois do downsizing da Base das Lajes”, recorda Guido Teles, vereador da câmara municipal de Angra do Heroísmo. “Com tudo junto, a ilha estava moribunda”, avalia. “Estávamos numa fase em que era necessário fazer alguma coisa pela economia, e havia uma decisão a tomar: continuar a investir e a direcionar todas as energias para os setores económicos tradicionais — agricultura e pescas, porque o turismo ainda não estava com grande força, era um pequeno segmento — ou começar a investir em novos setores”.

Nessa altura, em estratégia conjugada com o Governo, houve um investimento muito maior no setor turístico, “essencial para garantir um crescimento económico muito grande em toda a região e na Terceira em particular, com chegada das low cost em 2015″, o que acabou por desenvolver todos os negócios ligados: rent-a-car, restauração e outros ligados ao setor turístico. Mas, conta Guido, notou-se a necessidade de começar a trabalhar na área do empreendedorismo. “Os Açores como o resto do país sempre tiveram uma mentalidade muito conservadora em relação ao início de novos negócios. E, portanto, todas as pessoas que arriscavam e, por acaso, falhavam, ficavam carimbadas com isso até ao final da vida e dificilmente abriam um outro negócio. Sentíamos que havia a necessidade de criar estrutura de suporte que, mais do que um edifício, fosse sobretudo uma equipa de trabalho e uma série de recursos disponíveis para quem quisesse começar um novo negócio. Começámos por aí”, conta, em entrevista ao ECO.


É um desafio para quem lá vive. Mas a Terceira quer atrair empreendedores para se fixarem na ilha.
Agora, com quase dois anos de existência, a Startup Angra — que arrancou o trabalho numa sala do Centro Cultural da cidade, é uma entidade conhecida localmente e tem participado — e possibilitado a participação de incubados — em programas de aceleração, a nível nacional, como o Tourism Explorers.

“Arrendámos um espaço na rua da Sé, a principal rua da cidade, para onde passámos a Startup Angra porque já não tínhamos espaço e, enquanto reconstruíamos a Casa do Capitão Donatário, onde ficou instalada a incubadora. No meio disto tudo, surge o projeto do Parque de Ciência e Tecnologia que, em si, prevê também uma incubadora de empresas. E na Praia da Vitória também surge uma incubadora, a Praia Links“. Às vezes parece muito mas a verdade é que, pelo menos na nossa realidade, o que se tem verificado é que apareceu uma dinâmica económica maior do que esperávamos”, diz Guido.

É que, se os objetivos “ambiciosos” a que se propunha a incubadora de Angra incluíam a criação de dez empresas e cinco postos de trabalho qualificados no concelho, a verdade é que, neste momento, a pegada na ilha é muito maior. “Tivemos na incubadora mais de 40 projetos, neste momento temos talvez perto de 20 empresas constituídas, e algumas já estão a trabalhar fora da incubadora. Isto em menos de dois anos. (…) Acontece por uma razão que nos orgulha muito e que tem a ver com, num espaço curto de tempo e com pouca população, conseguires gerar uma dinâmica de formação de novos negócios que não é normal”, conta.

Às vezes parece muito mas a verdade é que, pelo menos na nossa realidade, o que se tem verificado é que apareceu uma dinâmica económica maior do que esperávamos.

Da agricultura à tecnologia

Duarte Pimentel sabe de cor os cantos à casa ainda que, para quem entra no Terinov pela primeira vez, a orientação seja complicada. As salas, impecavelmente pintadas e ainda a cheirar a tinta, estão vazias, à espera dos primeiros moradores da casa. O Parque de Ciência e Tecnologia da ilha está a ultimar os retoques até à abertura. As salas, muito idênticas, dão nova vida ao edifício que já foi a antiga universidade dos Açores mas que, muito antes disso, foi o hospital militar da II Grande Guerra. A estrutura do edifício, a que chamam “árvore”, data dessa época: vários corpos ligados por um tronco comum que dão a noção de continuidade e de tudo fazer parte de um sistema comum.

De visita ao espaço, passa-se por laboratórios, bancadas, sistemas de ar comprimido. “A vantagem dos projetos virem para cá neste momento é que queremos constituir-nos como uma host institution, sobretudo projetos de I+D em contexto empresarial”, explica Duarte, de regresso a casa depois de 14 anos, dos quais seis meses em Macau.

“A ideia é esta, cinco laboratórios de cada lado, e o laboratório de produtos. Estamos a falar de 5.000 metros quadrados de área bruta construída, 3.500 metros quadrados de área útil. Vamos ter valências, nas áreas agro, não só de oferecer laboratorial e administrativa e também parcelas de cultivo. Uma forma muito interessante de as pessoas experimentarem o produto. Vamos ter um laboratório de inovação em produtos lácteos: a ideia é que recebas o leite deste lado do edifício e daquele possam sair gelados, manteigas, queijo, o que quer que seja. Da outra porta, vais ter uma cadeia de valor do produto. Tens a parte de recolha, laboratórios, câmaras de cura, a sala para embalamento onde esperamos que os criativos estejam envolvidos. O que está previsto é que seja explorado pela parte da universidade e que tenha uma tradução nos serviços prestados a partir daqui, são as tais câmaras de cura”, explica.

O nosso desafio é criar condições atrativas para as empresas virem para cá. E que passem por cá como quem passa pela maternidade e pela creche, e que possam mais tarde fazer parte do tecido empresarial real, que venham já como empresas âncora.

Ao piso térreo do Terinov juntam-se, no andar de cima, os gabinetes administrativos. A ideia é que, deste projeto — que implicou um investimento de cerca de 9,5 milhões de euros — se reforce a colaboração com a Universidade, inclusivamente nas áreas que têm mais valências para os Açores como a das ciências agrárias. Mas a ambição não fica por aqui: Duarte quer também abrir os contactos a outras universidades, como o ISPA, para saber mais sobre o comportamento do consumidor, por exemplo. “Pode ser útil para os nossos incubados e para as indústrias criativas”, afirma. Com inauguração prevista para abril, o grande objetivo vem depois, assume o responsável pelo projeto.

O Terinov implicou um investimento de 9,5 milhões de euros. O edifício original era um hospital militar da II Guerra Mundial.

“O nosso desafio é criar condições atrativas para as empresas virem para cá. E que passem por cá como quem passa pela maternidade e pela creche, e que possam mais tarde fazer parte do tecido empresarial real, que venham já como empresas âncora. Obviamente, olear bem este ecossistema e este sistema ins and outs. Temos aqui uma infraestrutura brutal para o desenvolvimento científico e empresarial dos Açores. Temos um gap: o produto dos Açores é bom, tem de ter uma melhoria ao nível do que é a utilidade tecnológica de coisas que vão sendo aqui desenvolvidas e que, muitas vezes ficam na gaveta. Temos de tornar aquilo que é o investimento e investigação em produtos economicamente rentáveis, e também trabalhar a valorização do produto pela imagem e por aquilo que é a valorização do próprio produto. A qualidade está lá: falta todo o resto e os processos de melhoria”, diz.

Nos planos do Terinov está também um programa de incubação, com a Startup Angra como parceira. Porque, sobretudo na ilha, ninguém é uma ilha. “Há incubadas na Startup Angra que se calhar faz mais sentido estarem aqui, há outras empresas que, pelas características que têm e pelo tipo de produto que comercializam, faz mais sentido estarem no centro da cidade. Não vamos tirar lugar a ninguém. Somos mais uma peça do ecossistema no qual a Startup Angra também é um player“, assinala Duarte.

Guido explica melhor. “Quisemos sempre uma incubadora de base local, nunca teve uma limitação de segmento. Nunca foi esse o objetivo porque, à partida, a nossa dificuldade era conseguir enchê-la. E até porque não faz sentido: quanto mais conhecemos sobre o mundo do empreendedorismo e a realidade nesta área, tudo o que é uma incubadora de base local e criada no centro de uma cidade, sobretudo numa cidade com a dimensão da nossa, tem de ser mais um espaço de apoio de alavancagem de novos negócios, sejam eles locais ou escaláveis, mas sobretudo um espaço que esteja aberto a tudo o que possa gerar dinâmica”. Por isso, quando surgiu a oportunidade de apostar no Parque de Ciência e Tecnologia, o projeto veio com outro tipo de objetivos e, acaba também por ter outro tipo de recursos envolvidos. “Este parque tem essas áreas prioritárias — biotecnologia, agroalimentar”, dá como exemplo.

“O desafio do momento”, continua, “é conseguir dar dinâmica a este parque, neste momento ativos e que a nossa perspetiva é que continue esta procura que tem aparecido na Startup Angra, e que acabe por ser transferido um pouco para o Parque. E depois que acabem por surgir projetos que sejam realmente mais-valias para a ilha. Porque aqui, de facto, há essa capacidade”.

Do futuro à vida real
Nascido de duas experiências prévias, As Nossas Quintas é uma empresa de inserção social, pertencente à Cáritas da ilha Terceira, que dá apoio à integração de jovens ou outros trabalhadores com algum grau de vulnerabilidade. Como? É isso que explica César Medeiros, 39 anos, enquanto caminha pela estufa e vai nomeando todas as espécies de “baby leaves”, a especialidade da casa.

“Temos uma prestação de serviços à cooperativa, fazemos o embalamento, acondicionamento, para que possam vender em superfícies comerciais. E temos a produção, a nossa vegetal, hortícola e frutícola, toda em modo biológico”, conta. Para desenvolver o trabalho, o engenheiro conta com uma equipa de jovens cuja média de idades é de 22 anos. E muitos planos para concretizar. “O objetivo principal da empresa de reinserção social é ganhar autonomia financeira com os nossos jovens, porque esses jovens têm pouca experiência e pouca competência no saber fazer. O nosso objetivo é dar-lhes ferramentas para que sejam mais competitivos no mercado de trabalho, e por outro lado, garantindo à empresa a sustentabilidade económica”.

Além da agricultura, As Nossas Quintas decidiu apostar também nas áreas de doçaria e pastelaria e começar a trabalhar a área dos caterings em coffee breaks para seminários, conferências e outros eventos. “Aproveitamos os produtos que tínhamos aqui para fazer desde logo rissóis, compotas, e outros produtos sempre com uma ligação à empresa. Estamos a falar de uma pequena empresa que é um exemplo naquilo que deve ser o mercado de preparação de jovens com baixa escolaridade, com elevado risco de entrada no mercado de trabalho, para prepará-los para os desafios que o mercado exige”. E, como se mede esse impacto? “O perfil do jovem que entra é determinado: os jovens não mudam, os jovens evoluem. E medir os números é não valorizar o percurso individual de cada um. Em termos de números não se responde, são pessoas. Às vezes vamos ao ponto de trabalhar a gestão financeira desses jovens, de ver o que eles fazem com o ordenado que recebem. Preparamos os jovens para saber responder a uma entrevista, isto tudo não se mede em números”, afirma.


César Medeiros é responsável pelo projeto As Nossas Quintas, que junta a agricultura à economia social.
Com dois hectares de terra em produção, nos planos d’As Nossas Quintas está uma horta de aromáticas, com tudo o que isso implica. “O acesso à terra nos Açores é limitado, não dá para crescer para o mar”, brinca César. Mas, o primeiro trabalho está feito: além da cooperativa, cliente regular da IPSS, As Nossas Quintas fornecem ainda três restaurantes locais e vendem produtos online diretamente ao consumidor final. “É o cuidado com a questão económica sem perder a sustentabilidade e as pessoas. Um dos próximo desafios é ter um dos nossos produtos transformados num sítio de venda nacional que privilegie produtos de economia social. E escalar, sem ser demasiado grande porque se formos demasiado grandes vamos esquecer-nos dos jovens. O negócio é só uma consequência, nós somos formadores de pessoas”, diz César.

E há sempre espaço para mais um. Ao lado do escritório de César, Liane Costa, 26 anos, mostra o mais recente produto lançado pela Veggazores, empresa que incubou na Startup Angra e que a levou a conseguir ocupar uma das cozinhas da Cáritas. A ideia de começar um negócio de produtos vegan surgiu por necessidade própria e de mercado. “Tornei-me responsável pelas compras lá de casa, fui juntando matérias-primas, surgiu a ideia de apresentar o projeto no Jovem Investe, da câmara municipal, e decidi arriscar”, conta. Da ideia à prática, Liane conta que “não foi muito difícil”. “Pensava que ia ser difícil, temos de ter o à-vontade porque, se ficarmos em casa, não acontece nada. Estava desempregada e nunca imaginei neste momento ser dona da minha empresa”, revela.

“Quem está na Terceira, quer viver cá”

Fábio Santos diz que se mudou por amor. A mulher foi colocada na ilha e ele não tinha como fugir à insularidade. Encontrou na Startup Angra o projeto menos insular da Terceira, e a oportunidade de construir pontes transatlânticas, literalmente. É ele que, todos os dias, está na incubadora e, sempre que se fala com um empreendedor da ilha, o nome de Fábio vem à baila. É ele um dos maiores catalisadores do ecossistema. Mas não é o único.

Luís Godinho, 35 anos, vinha sozinho mas acabou por trazer consigo, de tempos a tempos, mais 30 para a incubadora. É na sede da Startup Angra que o açoriano reúne os elementos que fazem parte da DAR – Dreams are real, lançada em maio de 2017. A ideia de fundar uma associação surgiu quando Luís propôs à AMI ir como fotógrafo voluntário numa missão ao Senegal. A experiência foi tão intensa que serviu de gatilho à vontade antiga de Luís de abandonar o trabalho como engenheiro do Ambiente do Governo dos Açores e dedicar-se à fotografia a tempo inteiro. E claro, ter impacto com isso. “Fiz uma exposição com as fotografias, e ganhei um prémio com uma fotografia. Mas achei que era pouco e decidi fundar uma associação que pudesse usar as artes e a cultura. Através das artes, podíamos fazer com que os miúdos se interessassem mais pela escola”, conta. Aproveitou a solidariedade dos terceirenses para fazer o resto. E explica. “Somos oito ilhas e um parque de diversões, a ilha Terceira. E muitas vezes, na grande maioria das festas, são feitos peditórios para as festas. A forma como as pessoas encaram é interessante. Nos Açores as pessoas são muito solidárias, só nós sabemos o que sofremos por ser tão insulares“. Entretanto, a DAR recuperou, no ano passado, uma ludoteca em Nampula, no norte de Moçambique e, este ano, prepara-se para fazer o mesmo.

“Tem sido interessante porque todos os projetos surgidos têm sempre uma marca diferenciadora, é esse o trabalho que o Fábio muitas vezes acaba por fazer”, assinala Guido Teles.

Da terra para o mundo

O ecossistema empreendedor na Terceira não tem, no entanto, só crescido em volta de negócios locais baseados na tradicional indústria dos laticínios ou na agricultura. “O grande potencial — e a aposta tem de ser cada vez mais essa — é que os empreendedores estão cada vez mais atentos às novas tecnologias. Tudo o que é imaterial, a partir da Terceira ou de qualquer ilha dos Açores, tem muito mais facilidade de crescer do que um produto perecível ou material. Se tudo o que não envolver transportes, tudo o que não envolva transportes de mercadoria será um negócio com muito maior potencial de escalabilidade”, detalha Guido Teles. Por isso, não são de espantar casos como o de João Gonçalves, da Eyecon Software, uma startup que trabalha na área de smart sensing, ou o de Frederico Duarte, 38 anos, regressado aos Açores depois de muitos anos a viver nos Estados Unidos e fundador da Netspin. Ou ainda o de Marco Bettencourt, 40 anos, nascido na Terceira mas emigrado no Brasil até aos 16 anos e CEO da RedCatPig Studio, dedicada à indústria do gaming.

Mariana de Araújo Barbosa/ECO

A Rede de Incubadoras de Empresas dos Açores (RIEA), criada pelo Governo Regional no âmbito da estratégia de estímulo ao empreendedorismo, inovação e competitividade empresarial, já é constituída por oito incubadoras, na sequência do seu alargamento a centros de negócio privados e a entidades sem fins lucrativos dedicadas ao fomento do empreendedorismo social, e tem uma ocupação praticamente esgotada, de perto de 90 empresas.

A Unoffice, One-Solmar Business Center e CEmpA- Centro Empresarial dos Açores e, mais recentemente a Incubaçor, da Cresaçor - Cooperativa Regional de Economia Solidária, foram os privados a aderir à RIEA, que integra também a Azores Craft Lab, Go-On, Praia Links e Startup Angra.

O conjunto destas incubadoras, metade de iniciativa pública regional ou municipal e outra metade de iniciativa privada e de uma entidade sem fins lucrativos, representa atualmente uma oferta de cerca de 35 gabinetes para acolhimento de incubadas, 12 espaços de reuniões e 52 de co-work (espaços de trabalho partilhados).

A Vice-Presidência do Governo prevê este ano, face ao interesse manifestado pelas entidades privadas e centros de negócios, a adesão de ainda mais incubadoras desta natureza, reforçando e alargando a cobertura desta rede, que assenta na criação de incubadoras de base tecnológica e de base local.

Ao nível de incubadoras de base tecnológica, promovidas pelo Governo dos Açores, já se encontra em pleno funcionamento a Go-On, no Nonagon – Parque de Ciência e Tecnologia de São Miguel, e está em fase de instalação a incubadora do Terinov – Parque de Ciência e Tecnologia da Terceira, num investimento já executado.

Vão igualmente ser criadas incubadoras de base tecnológica na futura Escola do Mar, na ilha do Faial, e no Centro de Desenvolvimento e Inovação Empresarial de Santa Maria, dois investimentos públicos que se encontram a decorrer.

Também já está a funcionar no Centro Regional de Apoio ao Artesanato, em S. Miguel, a Azores Craft Lab, na área temática do artesanato, com a instalação física de incubadas e virtual de empresas de outras ilhas.

Relativamente a incubadoras de base local, na sua maioria de iniciativa das Câmaras Municipais, além da Praia Links e da Startup Angra, na Terceira, existem atualmente mais projetos em fase adiantada de concretização.

O Governo dos Açores vai prosseguir, em 2019, diversas medidas com o objetivo de promover um ecossistema regional de apoio ao empreendedorismo, em articulação com o poder local e em parceria com outras entidades e centros de negócio, inseridas na estratégia de incremento da atividade económica da Região, de valorização da estrutura produtiva e de apoio ao surgimento de novas empresas nos setores considerados estratégicos para o desenvolvimento da Região.

Nesse sentido, além dos incentivos disponíveis no Competir+, do Vale Incubação Açores para as 'startup' na Rede de Incubadoras de Empresas e do Concurso Regional de Empreendedorismo, entre outras ações, a Vice-Presidência do Governo vai realizar, através da SDEA - Sociedade para o Desenvolvimento Empresarial dos Açores, a II Reunião de Incubadoras da RIEA.

Frost & Sullivan e a Business Intelligence Group identificaram a plataforma da Talkdesk para grandes empresas como uma das mais inovadoras.

A Talkdesk, empresa de desenvolvimento de software baseado em cloud para call centers, foi premiada com o BIG Innovation Award 2019 – uma distinção feita pela entidade norte-americana Business Intelligence Group.

A organização reconhecida como referência em inovação foi galardoada pela sua plataforma Enterprise Cloud Contact Center, utilizada por mais de 1400 empresas com o objetivo de melhorar as suas interações com os consumidores.

Para além deste prémio, a solução para grandes empresas da Talkdesk foi, mais uma vez, distinguida pela Frost & Sullivan com o Product Line Strategy Leadership Award 2019.

“Estamos felizes por receber estes reconhecimentos e orgulhosos de todo o trabalho que a equipa de engenharia em Portugal desenvolveu ao longo do ano para tornar as soluções da Talkdesk indispensáveis para os nossos clientes”, sublinhou Tiago Paiva, CEO e fundador da Talkdesk.

Relembre-se, ainda, que, em 2018, para além destes dois prémios, a Talkdesk foi distinguida como visionária nos Quadrantes da Gartner e Tiago Paiva, o seu CEO, foi eleito o 24.º melhor diretor executivo na área dos softwares-as-a-service pelo The SaaS Report.

O objetivo do unicórnio com ADN português passa por capacitar os seus clientes na experiência do consumidor, de forma a que esta se torna a sua grande vantagem competitiva. Estas distinções validam a posição de liderança que a Talkdesk tem no mercado dos call centers.

 

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