Decretado a 2 de outubro de 2014 por Barack Obama, nos EUA, o dia Nacional da Manufactura tem como objetivo homenagear os "soldados desconhecidos" que picam o ponto para que "nada falte".


Se Gonçalo Fortes pudesse decretar um dia a nível nacional, seria o da Manufatura. O fundador e CEO da Prodsmart quer seguir o exemplo de Barack Obama e criar um dia que sirva de homenagem “aos soldados desconhecidos” que todos os dias picam o ponto “para que nunca nos falte nada”, explica, em comunicado. E já esteve mais longe de conseguir concretizar o desejo.

A iniciativa, anunciada na semana passada, já conta com apoio de membros do Governo — como a secretária de Estado da Indústria Ana Lehmann. “Portugal sempre foi um país de tradição e vocação industrial. Há que celebrar e prestigiar a indústria todos os dias, daí que manifesto o meu apoio e patrocínio à iniciativa do Dia da Manufatura. Uma iniciativa perfeitamente coerente com as políticas que estamos a lançar na Secretaria de Estado da Indústria […]. Porque a indústria é sexy. E sem indústria não há economia”, declara Ana Lehmann, secretária de Estado da Indústria.

"A indústria é sexy. E sem indústria não há economia”

 

Ana Lehmann - Secretária de Estado da Indústria

 

A edição norte-americana do Dia Nacional da Indústria decorreu este ano a 6 de outubro e contou com mais de 2.500 eventos em todo o território norte-americano. Nos planos de Gonçalo Fortes está a implementação desta iniciativa já a partir de 2018. Para ajudar a acelerar o processo, a equipa criou o site Dia Nacional da Manufatura, que já apresenta uma contagem decrescente dos dias que faltam para o evento.

 “Porquê cá? Porque Portugal tem excelentes produtos e fabricantes, produzimos para marcas de renome, mas quem trabalha nessas marcas é desconhecido. O que pretendemos é dar a conhecer essas caras, essas empresas e esses produtos. Queremos reforçar também a ligação das universidades e escolas à indústria, promovendo as visitas nesse dia, para que a indústria seja percebida como uma carreira viável e atrativa”, explica Gonçalo Fortes, ao ECO.

 

Além da secretaria de Estado da Indústria, já se associaram à iniciativa Pedro Matias, CEO do Grupo ISQ, José Rui Felizardo, CEO do CEiiA, João Vasconcelos, ex-secretário de Estado da Indústria, e Francisco Almada-Lobo, CEO da Critical Manufacturing.

 

Mariana de Araújo Barbosa

 

Investimento público, boas condições de vida e um ambiente entusiasmante. Será isto que faz do ecossistema empreendedor português um dos melhores do mundo?


É já sabido e partilhado aquém e além mar que se tem desenvolvido em Portugal uma atmosfera propícia para os novos empresários, aqueles que trocaram os escritórios pelos espaços de cowork e os sapatos de verniz pelas sapatilhas. E se as palavras valem muito, os dados valem mais e corroboram tais dizeres: o ecossistema de startups português está a florescer alicerçado em casos reais e numa inequívoca capacidade para atrair talento.

O choque que este novo ecossistema está a gerar no próprio tecido empresarial dito “standard” não é desprezível bem como a contribuição para uma crescente cultura de transformação digital no contexto económico português.

 Segundo dados da Startup Portugal, nos últimos 12 meses foram criadas 584 novas startups sendo que, não é por serem novas que não geram empregos. Cada startup, no seu primeiro ano de vida, cria em média 2,2 postos de trabalho. O peso dos novos empregos no total nacional é cada vez mais alto, ao mesmo tempo que a taxa de desemprego retrai e se fixa em valores abaixo de 10%. De acordo com a mesma informação, 46% dos novos empregos foram gerados por empresas com menos de cinco anos. Por outro lado, ao nível das startups assiste-se à utilização cada mais otimizada de serviços de outsourcing, data center e de soluções que facilitam o desenvolvimento do quotidiano dos negócios.

E não será apenas pelo sol e pela boa comida que os empreendedores se querem fixar no nosso país: para além dos vários programas privados de aceleração e incubação, já foram investidos mais de 140 milhões de euros de fundos públicos, em parcerias com venture capitalists e business angels.

A tudo isto acresce uma oferta de serviços crescentemente sofisticada assente em tecnologia Machine to Machine (ou M2M, trata-se de uma solução que permite a comunicação entre máquinas sem intervenção humana) e Internet of Things (ou IoT, diz respeito a uma rede que reúne e processa informação que permite gerar grande quantidade de dados). Estas duas tecnologias constituem como factores aceleradores de crescimento e sucesso dos novos negócios e das novas estruturas empresariais.

É o caso do StartUP Voucher, um programa de apoio à incubação de empresas que funciona como crédito a gastar para a contratação de serviços que já foi pedido por cerca de 500 projetos. Entre estes, foram aprovados 245. O mesmo acontece com o StartUP Vale Incubação, um apoio à incubação de novos projetos que, das 115 candidaturas, deu luz verde a 93.

 92.090 km2 de oportunidades

 Os 92.090 km2 que constituem o nosso país albergam 121 redes nacionais de incubadoras e mais de 2.300 startups incubadas. E não se pense que é só na capital que se expande o ecossistema português. Dos 409 empreendedores que receberam o apoio da StartUP Voucher, 170 eram da região Norte, 116 da região Centro e 94 de Lisboa e Vale do Tejo.

Estes tipos de investimentos locais no empreendedorismo são muito bons de ver porque não vemos muitos sítios da Europa a atrair tal número de projetos e entusiasmo.

Para além disto, e segundo dados do Startup Europe Partnership, o ecossistema empreendedor português cresce o dobro da média europeia, visto que, no ano passado, foram captados mais de 350 milhões de dólares em financiamento, um aumento de 38% face ao ano anterior.

Em entrevista ao ECO, Anand Kulkarni, fundador de duas empresas e mentor da European Innovation Academy, afirmou-se curioso com o surgimento deste novo ecossistema, garantindo que há poucos que se assemelhem. “Estes tipos de investimentos locais no empreendedorismo são muito bons de ver porque não vemos muitos sítios da Europa a atrair tal número de projetos e entusiasmo”, clarifica Kulkarni. “Assim, vamos começar a ver grandes projetos a crescer a partir do ecossistema e isso demora mas, ao mesmo tempo, funciona como um catalisador para outros empreendedores.”

É sobre estes solos férteis que se tem desenvolvido o ecossistema empreendedor português, com certezas de que os frutos não ficarão por aqui.

O Governo anunciou hoje que entrou em vigor a nova fase do Programa Semente, que cria um regime fiscal mais favorável para as startup.


No dia em que também foram conhecidas as 150 Best Portuguese Tech que vão participar na edição deste ano da Web Summit que decorre em Lisboa entre 6 e 9 de novembro, o Governo anuncia que os benefícios fiscais atribuídos na fase de arranque das empresas podem ir até 40% da coleta anual de IRS e até 75% do montante investido, nos três anos sucessivos ao investimento.

Em comunicado, o executivo indica que são elegíveis para receber estes apoios empresas inovadoras com elevado potencial de crescimento, criadas há menos de cinco anos, que obtenham certificação como PME emitida pelo IAPMEI e que sejam certificadas pela Rede Nacional de Incubadoras como Startup Semente.

A associação Startup Portugal foi criada em 2016 para apoiar a implementação de um conjunto de medidas apresentadas pelo Governo como a Estratégia Nacional para o Empreendedorismo.

Já se encontram em funcionamento algumas iniciativas, como o Startup Voucher, o Vale de Incubação, o Startup Momentum, a Rede Nacional de Incubadoras, o Programa Semente, os fundos de coinvestimento com business angels e capitais de risco, assim como vários programas de apoio à internacionalização de startups, para o Road 2 Web Summit ou as missões ao estrangeiro a eventos de empreendedorismo e a mercados de elevada procura por parte das startups nacionais, como o Reino Unido e os EUA.

Entre as novas medidas desenhadas para apoiar empreendedores, incubadoras ou investidores portugueses, destaca-se também a abertura de candidaturas à segunda fase do Vale de Incubação.

“Este apoio pode ir até cinco mil euros e destina-se a empresas em fase de arranque, para poderem fazer face a despesas de incubação e à contratação de serviços como apoio contabilístico e fiscal, de marketing ou de formação em gestão”, lê-se no comunicado.

Este valor atribuído pode ser gasto durante um ano numa das 135 incubadoras certificadas da Rede Nacional de Incubadoras (RNI).

Na primeira fase do Vale de Incubação candidataram-se 115 empresas, estando atualmente 93 startups a receber este apoio.

Nesta segunda fase, podem candidatar-se empreendedores nacionais ou estrangeiros, desde que tenham uma empresa criada há menos de cinco anos em Portugal.

As candidaturas decorrem até ao final de Outubro de 2017 e basta contactar uma incubadora da RNI para aceder ao processo.

 

Fernanda Pedro

 

“Queria congratular as 150 startups [escolhidas para participar na Web Summit a metade do preço], que são a melhor representação de Portugal. É uma grande oportunidade mas também uma responsabilidade.”


 O ministro da Economia deixou, assim, uma palavra de força às empresas portuguesas vencedoras do programa Road 2 Web Summit. Durante um evento no Hub Criativo do Beato, em Lisboa, onde se comemorou o primeiro aniversário da Startup Portugal, entidade responsável pela estratégia nacional para o empreendedorismo, Caldeira Cabral falou logo a seguir a Paddy Griffith, o responsável da organização da Web Summit, a quem coube o anúncio de que estavam já escolhidas as startups que vão ter acesso à cimeira tecnológica que se realiza em novembro, em Lisboa, a metade do preço.

Ao contrário do ano passado não houve subida ao palco, nem sequer foram indicadas as empresas selecionadas. Paddy Griffith explicou antes os benefícios que as vencedoras vão ter acesso e que incluem dois dias de bootcamp, durante os quais as equipas vão receber dicas e mentoria para conseguirem aproveitar ao máximo a Web Summit.

A lista das selecionadas tinha, entretanto, sido já entregue aos jornalistas e divulgada no site oficial da Startup Portugal. Se, por um lado, é possível notar vencedores repetentes, como a Pet Universal e a Probe.ly, por outro, uma das maiores diferenças em relação à edição de 2016 – quando foram escolhidas 66 startups que acederam gratuitamente à Web Summit – é que, este ano, nas 150 escolhidas, ficaram de fora as empresas com maior peso como a Science4You, a Facestore, a Prodsmart ou a Hole19, que tinham sido selecionadas na edição passada.

O Dinheiro Vivo sabe que essa opção foi intencional, de forma a que o apoio fosse atribuído às startups mais pequenas – e com menos capacidades financeiras e maior necessidade de exposição – em detrimento das maiores. Ou seja, foram apenas escolhidas empresas Alpha e ficaram de fora as Beta e Start.

“As Alpha são startups que estão mesmo a começar: equipas pequenas, com pouco ou nenhum investimento, algumas ainda nem entraram no mercado e que vêm à Web Summit para que o evento as ajude a lançarem-se.

As startups Beta são mais avançadas, já com produto testado no mercado e com investimento recebido, apesar de ainda serem recentes, e que vêm, sobretudo, procurar investidores. Leia aqui: Web Summit cresce mas mantém-se apenas na FIL e Meo Arena Por último, as Start são as startups de crescimento consolidado, com várias rondas de investimento e mais do que um escritório, que procuram novos clientes e parceiros de topo na Web Summit para se expandir e entrar noutras geografias, como a Uniplaces, a Aptoide, a Codacy e a Unbabel”, explica ao Dinheiro Vivo Paddy Griffith.

As 150 empresas portuguesas escolhidas no âmbito do programa Road 2 Web Summit, que vão ter acesso à conferência a metade do preço, têm agora pouco mais de um mês para se prepararem para o evento. A meio de outubro haverá duas sessões de bootcamp, a 18 e a 19, em Lisboa, e a 25 e 26, no Porto, organizadas pela Startup Portugal, com o apoio da Beta-i.

A “La French Tech” é uma organização francesa para promoção das startups nacionais e apoiadas pelo Governo Francês e estende à capital portuguesa a abertura de mais uma hub internacional.


A capital portuguesa junta-se, desta forma, a outros hubs internacionais como: São Francisco (EUA), Los Angeles (EUA), Montreal (CA), Nova Iorque (EUA), São Paulo (BR), Londres (RU), Barcelona (ES), Milão (IT), Berlim (ALE), Moscovo (RU), Israel, Dubai (EAU), Abidjan (CIV), Cidade do Cabo (RAS), Pequim (CH), Shangai (CH), Shenzen (CH), Hong Kong (CH), Vietnam, Taipei (CH), Seoul (CS), Tóquio (JPN).

A inauguração do Hub Lisboeta integra-se na estratégia de expansão da organização Francesa e terá lugar no próximo dia 10 de outubro na Embaixada de França em Lisboa. A inauguração do Hub Lisboeta contará com a presença do Embaixador Francês em Portugal, Jean-Michel Casa.

 

Fernanda Pedro

 

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