Maurizio Calcopietro é um investidor brasileiro que integra o Curitiba Angels- Investimentos, no Brasil. Aproveitou o Web Summit para visitar Lisboa e conhecer o ecossistema nacional de start-ups. Ao Link to Leaders confidenciou estar à procura de projetos portugueses inovadores.

Nascido em Itália, há mais de 20 anos que Maurizio Calcopietro vive e trabalha no Brasil. É empresário na área da tecnologia e um Angel Investor, mas, agora, está de olhos postos na Europa, concretamente em Portugal.

 

Porquê o seu interesse pelo mercado das start-ups em  Portugal?

Estou interessado em ver o que há fora do Brasil, até porque quero fazer sinergias entre o Brasil e Portugal. Portugal é a porta de entrada da Europa, está a crescer e a incentivar os investimentos aqui. Quero tentar criar ligações com algumas empresas portuguesas, com start-ups, que queiram entrar no Brasil e vice-versa. Tem tudo a ver. A língua é a mesma, a cultura é semelhante e tudo é mais fácil.

Portanto, é um investidor à procura de projetos?

Estou a aberto a vários cenários. O ideal era encontrar uma ideia interessante em Lisboa.

A sua procura incide em alguma área de atividade em particular?

Em tecnologia, com certeza. Também sou consultor, e já estive na área corporativa – durante muitos anos fui consultor na multinacional italiana Ferrero.  Por isso, conheço o mundo corporativo e agora também conheço o das start-ups. São dois mundos muito diferentes mas um precisa do outro, são complementares.

Gostaria de fazer algo no sentido de aproximar estes dois mundos. Fazer com que as empresas tradicionais se possam inovar neste contacto com start-ups, criando spin-offs, fazendo esta sinergia. Acho que há bastante oportunidade para isso.

Quais são as mais-valias que as start-ups podem dar às multinacionais e vice-versa?

As start-ups têm muito mais agilidade, são mais rápidas. E essa questão da agilidade é muito importante para as empresas mais tradicionais. Em contrapartida, as start-ups precisam de processo, de controlo, algo que a empresa tradicional tem. Esta sinergia pode ajudar os dois mundos. Um precisa do outro, sem dúvida.

Como está o mercado brasileiro de start-ups?

Está a crescer muito. A proximidade com Silicon Valley é maior lá do que na Europa e o ecossistema brasileiro tem bastante potencial. As start-ups nascem quando existem problemas e problemas há muitos no Brasil.

Que sugestões dá aos empreendedores portugueses que estejam a olhar para o Brasil?

É importante terem um parceiro, um sócio brasileiro. É fundamental ter lá alguém porque a parte local é complicada, sobretudo, a componente fiscal. É um mercado com muitas oportunidades, mas sugiro que não vão apenas para São Paulo, porque há muita concorrência. Sugiro que olhem para outras cidades, como por exemplo Curitiba ou Florianópolis, cidades médias. As oportunidades são muitas e para Portugal tem tudo a ver, pela língua e pela cultura.

Enquanto investidor, quais são as suas preocupações ao optar por um projeto novo? O que exige desses projetos?

É sempre arriscado no início porque é uma fase a que nós chamamos de “vale da morte”. Quando a start- up já tem pelo menos um protótipo, já tem pelo menos um cliente, ou seja, o ciclo funciona, é a fase em que a start-up, normalmente, precisa mais de dinheiro. Mas não só de dinheiro. Precisa daquilo que a que chamamos de “smart money”, isto é, conhecimento, ajuda na gestão, no network.

Aquilo que avalio mais são as pessoas, a equipa. É claro que o produto e a ideia são importantes. Mas as pessoas, a competência também. A confiança, o comprometimento.. E a complementaridade, tem de haver sempre uma pessoa mais visionária de marketing, um CTO, responsável pela parte da tecnológica (e é importante que seja sócio para não ficar refém de um terceiro, de um fornecedor). E também alguém que faça a administração de tudo isso, alguém que faça acontecer. Normalmente é isto que procuramos, mas também usamos muito a intuição. A experiência também nos ajuda a avaliar a equipa, se vale a pena investir e fazer esta aposta. Mas é arriscado, mais arriscado do que a Bolsa porque aí são empresas consolidadas. As start-ups não. Há estatísticas que dizem que só uma, em cada 15 ou 20, é que dá certo.

Qual o investimento que tem reservado para uma eventual aposta em Portugal?

Com valores na ordem dos 150 a 200 mil euros. Normalmente, não entro sozinho mas com a rede de Curitiba.

Até agora, qual foi a sua melhor aposta em termos de investimentos em start-ups?

Foi uma empresa de omnichannel de Curitiba, de tecnologia na distribuição. É uma das mais promissoras. Até agora não me arrependi de nenhuma empresa em que investi.

 

Uma dúzia de líderes explicam o que viram ou foram fazer à cimeira e dão nota positiva, no exame final

Absolutely amazing.

A expressão mais usada por Paddy Cosgrave durante a última semana resume a energia e o fervor que inundaram o Parque das Nações, em Lisboa.

Pelas portas da FIL e do Altice Arena passaram 59 115 participantes, mas houve outros 20 mil que ajudaram a pôr o evento de pé.

As portas fecharam-se pela última vez na quinta-feira e voltam a abrir-se na mesma data dentro de um ano.

Até lá, as janelas de oportunidade vão manter-se abertas para as 1200 startups que escolheram Portugal como montra para se dar a conhecer.

A rampa de lançamento não podia ser melhor: o evento envolveu 2600 jornalistas internacionais e 1400 investidores que se passeiam pelos corredores como ‘olheiros’ e são fortemente abordados, num ambiente de movimento permanente. Raramente fecham negócios na feira, deixando-os para mais tarde.

 Houve ainda 1200 conferencistas de topo. Pela passadeira vermelha passaram gestores de grandes multinacionais como a Google, Facebook, Amazon ou Microsoft. E o palco principal da cimeira, no Altice Arena, encheu-se por diversas vezes com um público sedento de tecnologia e informação.

As salas mais cheias foram também as mais eufóricas. Primeiro, com Sophia. O robô, que na semana passada recebeu cidadania da Arábia Saudita e que partilhou o Centre Stage com o humanóide Einstein na terça-feira, conquistou o público e os fotógrafos.

Falou do futuro da Inteligência Artificial que, afinal, está aqui tão perto, e deixou 20 mil boquiabertos. “Sei que muitas pessoas têm medo que os robôs destruam o mundo ou fiquem com os seus empregos. Não vamos destruir o mundo, mas vamos ficar com os vossos empregos”, disse Sophia. Isto antes de Stephen Hawking deixar um alerta: “A inteligência artificial pode ser o melhor ou a pior coisa que já aconteceu à humanidade” Não foi a única cena a saltar da tela dos cinemas para o Parque das Nações.

A Uber anunciou, na quarta-feira, uma parceria com a NASA para gerir o tráfego aéreo de baixa altitude. A era dos carros voadores está ao virar da esquina. E, ao terceiro dia, a chave de ouro. O antigo Pavilhão Atlântico começou a encher-se mais rapidamente do que o habitual para acompanhar o desfile de luxo guardado para o fim. Lotação esgotada para ouvir Caitlyn Jenner e a primeira ovação do dia.

Falou-se de género, de aceitação de um ‘fato’ que não servia. A seguir, Sara Sampaio e nova enchente para ver de perto a modelo da Victoria’s Secret a falar de ativismo. Mas o melhor ficou mesmo para o fim. Com Al Gore as cadeiras foram poucas e a meia hora voou. O ex-vice-presidente dos EUA encheu o palco com a paixão de quem está em campanha eleitoral e não poupou críticas à política, à poluição e, claro, a Trump. A multidão abraçou-o com uma ovação em pé que repetiu quando Marcelo Rebelo de Sousa entrou em palco onde deixou o pedido para mais Web Summit. Não para o ano, que já está garantida, mas para 2019 e 2020. “Portugal merece-o. Lisboa merece-o”.

 Miguel Pina Martins, CEO da Science4You

“Quanto maior, mais oportunidades há” Para nós, o importante é estar com pessoas, marcar reuniões, tentar explorar oportunidades de negócios. Não consegui acompanhar os palcos e havia muitos que gostava de ter acompanhado, mas temos uma vantagem que é depois ficar tudo online. Para o ano acho que o ideal é que fosse maior.

Quanto maior, mais oportunidades há, quanto mais oportunidades há mais vale a pena vir para cá e estar cá e fazer o tal networking. Esse é o ponto, quanto maior melhor. Acho também que funciona muito bem o fórum para speakers.

Eu fui convidado para falar por isso tive acesso aqui a uma série de coisas que estão fora desta Web Summit mas colocam ali um público bastante premium onde estão CEOs, chairmans, isso tudo, e tem sido muito interessante o networking que se consegue nesse espaço.

Se isso puder continuar e aumentar também o tamanho da própria Web Summit, seria muito interessante.

Celso Guedes de Carvalho, Presidente da Portugal Ventures

“Detetámos oportunidades de investimento para fazer já no 1º trimestre 2018”.O balanço é muito positivo. Fomos claros a definir os nossos objectivos: captar oportunidades de investimento, pois somos o venture capital mais ativo em Portugal a fazer investimentos e é muito importante contactar uma série de empresas nas quais queremos investir no próximo ano e, nesse sentido, fizemos uma selecção.

Fizemos 27 reuniões com essas empresas escolhidas e esse objectivo ficou cumprido, e detetamos as melhores oportunidades que queremos concretizar já no primeiro trimestre do próximo ano.

O segundo objectivo foi alavancar a participação das nossas empresas, foram 17 do nosso portefolio ao WS e algumas lançaram novos produtos e soluções, e ajudamo-las a fazer contatos com outros players mas também com outros investidores estrangeiros, para outras rondas de investimento ou para promover o nosso desinvestimento, devolvendo retorno a investidores, que também é importante.

Manuel Caldeira Cabral, Ministro da Economia

 “Excedeu todas as expectativas” No ano passado foi espectacular, mas este ano a edição da WS excedeu todas as expectativas.

 Esteve mais gente, empresas renovadas e mais interessantes, e vieram 270 portuguesas.

Várias startups surpreenderam-me, como a OutSystems que já ultrapassou 100 milhões de euros de vendas e tem mais de 300 pessoas a trabalhar, e a Feedzai, que já é uma referência a nível mundial na segurança dos pagamentos bancários. Foi uma vitória para Portugal ter corrido tudo bem, as pessoas saíram daqui com uma imagem melhor de Portugal e haver notícias de investimentos e de criação de empregos.

Vasco de Mello, Presidente da Brisa

“O país fica no mapa da tecnologia e da inovação” A Brisa considera que a WS é uma iniciativa importante para o país, porque o coloca no mapa na senda da tecnologia e do país inovador e que tem um bom acolhimento para os empreendedores e desse ponto de vista era importante a Brisa estar presente, para mostrar aquilo que tem estado a fazer nos últimos tempos.

A Brisa é vista, hoje, como uma empresa de infraestrutura rodoviária, gerindo um conjunto de autoestradas e aquilo que temos vindo a fazer é transformar a empresa numa visão onde éramos um puro operador de infraestruturas rodoviárias para um operador de mobilidade. Isto quer dizer ter o cliente no centro das preocupações, como foco principal da nossa atividade, o que levou a passar do carro para o cliente.

Isto representou na Brisa uma transformação da missão, que agora é prestar mobilidade eficiente às pessoas.

Hoje quando pensamos em mobilidade não podemos deixar de pensar na sustentabilidade, que é essencial. Temos, como país e como parte do mundo, objetivos importantes em termos da descarbonização que tem de ser feito da forma mais eficiente, tendo em conta os impactos ambientais e sociais que o transporte tem.

Foi isso que viemos apresentar. Surpreendeu-me o interesse manifestado por um número tão grande de pessoas, a presença de empresas diversas e a componente internacional, que é muito importante para o país.

Vasconcelos, Gestor e ex-secretário de Estado da Indústria

“As empresas portuguesas preparam-se melhor”.

 Provavelmente para muitos, mais importante do que o WS é o Founders, evento à porta fechada para 150 fundadores de empresas, normalmente aquelas que vemos nos filmes de Silicon Valley, de centenas de milhões, que decorre em Lisboa e que foi o evento original criado por Paddy Cosgrave, só depois veio a WS.

No meu caso, o interesse sempre foi atrair investimento e empresas para Portugal. Hoje Portugal está mais preparado para a WS e mais adulto, notei isso este ano.

E as empresas portuguesas prepararam-se melhor para a WS, quer as startups quer as grandes.

Houve mais presença de empresas portuguesas e de decisores portugueses. Perceberam que isto não é uma coisa para miúdos, para geeks ou para nerds, perceberam que isto é o futuro.

Aconteceram na WS discussões sobre indústria automóvel com CEO mundiais, agricultura, moda, impacto social. Mas eu sempre medi o impacto da WS numa geração, através dos 10 mil bilhetes quase grátis que deu a estudantes.

Mathias Thomsen, diretor-geral de Mobilidade Urbana da Airbus

“Procuramos parceiras de aviação”

Quando um novo mercado está a ser criado, é a força do ecossistema que nos pode fazer avançar.

É ótimo estar na Web Summit, em Portugal, a falar para startups, que poderão ser nossas parceiras de desenvolvimento de tecnologia, que serão necessárias daqui a alguns anos.

A nossa função, numa empresa como a Airbus, é abrir o mercado tão depressa quanto possível.

 Precisamos de fazer isso em menos de cinco anos para que o investimento tenha um bom retorno.

 Estamos na Web Summit à procura de startups que possam ser nossas parceiras, através da nossa aceleradora de aviação.

 João N. Bento, Managing director da Novabase

“Internacionalizar a Wizzio foi uma das razões para ir à WS”

A Novabase veio apresentar a Wizzio, plataforma que vai permitir aos bancos competir com as fintech.

Elas estão a aparecer e a ter um espaço grande nos serviços financeiros e os bancos têm que reagir.

Esta plataforma serve para que os bancos possam reagir. Penso que oestesestão numa fase em que perceberam que faz mais sentido estarem aliados às fintech e explorarem as sinergias que têm com elas do que rejeitarem esse movimento.

Ao mesmo tempo os bancos têm um caminho a fazer e têm de equiparar o nível de resposta dos seus serviços ao nível dos serviços das finech. O que muda? Bom, muito recentemente o Banco de Portugal autorizou as pessoas a abrirem conta sem esar presencialmente, e issio pode ser feito através de uma app e em que por vídeo vê a cara da pessoa e o documento de identificação da pessoa e isto é aquilo que nós chamamos de costumer journey, e todos os bancos estão numa corrida para serem os primeiros a lançar e a nossa plataforma é um acelerador.

Temos feito um ivnestimento significativo e mais de 30 pessoas a trabalhar nesta equipa. Internacionalizar foi uma das razões para ir à WS, para fazer o lançamento do Wizzio. O nosso home market é a Europa, onde não temos barreiras para fazer negócios e se conquistarmos a Europa, seguramente, conquistaremos o mundo.

Miguel Fontes, CEO da Startup Lisboa

 “Contactar pessoas que seriam difíceis de aceder” .

“Foram dias energizantes e esgotantes também. Foi incrível estar com gente de tanta parte do mundo e estabelecer contactos com pessoas que, de outro modo, seriam difíceis de aceder. Foram contactos institucionais, com investidores e startups e o balanço é muito positivo.

Eram dois os nossos objectivos: um ligado à Startup Lisboa e ao seu portefolio de startups, ajudando-as a promover o que estão a fazer e na atracção de investimento, e outro objectivo ajudar a crescer o ecossistema no seu todo em Portugal, e em Lisboa em particular, estabelecendo relações com os players que possam ajudar ao ecossistema.

 Para nós, foi bom saber também que a WS não ficará só por mais um ano.

Cristina Campos, Diretora-geral da Novartis Portugal

“Esta é uma forma de trabalhar no futuro”

A Inteligência Artificial foi uma das tendências que marcaram a cimeira que Cristina Campos considera que poderão influenciar o futuro da indústria farmacêutica. Essa é, de resto, já uma realidade na Novartis.

“Já temos alguns pilotos, chat bots, na área da literacua da saúde, para ajudar o doente em ter um apoio extra de como gerir a sua doença”, conta.

 Defende uma maior proximidade do sector farmacêutico ao ecossistema de startups, tendo lançado o programa Techcare, do qual há 11 finalistas de um total de 64 candidaturas.

Seis países europeus estão interessados em olhar para as soluções propostas para as levar para eventual piloto ou escalá-las a nível europeu ou global.

“Acreditamos que esta é a verdadeiramente a forma de trabalhar no futuro”, defende.

Luís Manuel, Administrador da EDP Inovação

“Procuramos boas ideias e agilidade”

A EDP trouxe os seus cinco programas de apoio a startups.

Um é o EDP Open Innovation, ecossistema onde encontramos uma grande quantidade de startups mais avançadas, cujo programa terminou em outubro e levámos à WS as três startups melhor classificadas da edição deste ano.

Depois temos três programas focalizados em determinadas geografias, os EDP Starter, um em Espanha, outro em Portugal e outro no Brasil, que procuram fazer com que as empresas que vamos encontrando procurem ter relações de trabalho com a EDP. E temos o programa, o Free Electrons, que é internacional e que nos envolve a nós e a mais sete outras utilities.

Quando nos relacionamos com startups procuramos boas ideias e capacidade de se movimentarem rápido.

 A EDP tem um objetivo: investir em inovação, até 2020, cerca de 200 milhões de euros.

Carlos Castro, Fundador da Mobiware

“Demoraríamos anos a conseguir estes contactos”

Fomos apresentar a Ivaware, aplicação móvel de android – e já a ser preparada para ios e web, que ajuda trabalhadores independentes na declação de IVA. Mostra em tempo real o valor que vão entregar ao Estado na próxima declaração e divide as despesas pelas três categorias. O objectivo da ida à WS foi o networking com empresas com as quais podemos integrar a aplicação. Balanço: demoraríamos anos a conseguir os contactos que fizemos na WS e tivemos mentor hours com uma americana que nos deu ideias excelentes para chegar ao nosso target. Foi bom!


Se o Web Summit ganhou reputação estratosférica por juntar debaixo do mesmo teto os apaixonados por tecnologia e empreendedorismo, a verdade é que não é só destes tópicos que se faz a conferência. Durante os quatro dias de evento, assuntos como política, relações internacionais, ambiente e segurança vão merecer o mesmo destaque nos painéis de discussão, sendo que muitos dos nomes sonantes anunciados até então farão parte dos mesmos.

É no ponto em que a tecnologia se cruza com estes campos que figuras como Margrethe Vestager, Al Gore, Brad Parscale e Garry Kasparov irão falar para milhares de pessoas, trazendo para a agenda assuntos que, de outra maneira, talvez passassem despercebidos por entre o fogo-de-artifício de uma grande conferência de tecnologia.

Palco ao Brexit e à eleição de Trump

Comparando as circunstâncias em que decorreu a primeira edição da Web Summit em Lisboa com a segunda são claras as diferenças políticas e sociais. Ainda que fenómenos como a saída do Reino Unido da União Europeia já fossem conhecidos no ano passado por esta altura, o mundo estava longe de prever a ascensão dos vários movimentos extremistas espalhados pelo território, bem como as consequências da eleição de Donald Trump para a Casa Branca. Assim, não só vão estar presentes figuras que viveram bem de perto estes acontecimentos, como vão narrar as suas experiências em palco.

"A Web Summit tem sido criticada no passado por ser uma câmara de ressonância de uma Silicon Valley liberal e aguardamos com expectativa o que Nigel Farage tem a dizer.”
Organização da Web Summit

No que diz respeito ao Brexit, Nigel Farage, fará parte de um painel de discussão que vai juntar outros governantes europeus, bem como alguns CEO — em nome da pluralidade de opinião –, como afirmou a equipa da Web Summit em comunicado. “A Web Summit tem sido criticada no passado por ser uma câmara de ressonância de uma Silicon Valley liberal e aguardamos com expectativa o que Nigel Farage tem a dizer”, justificou a organização.

Para trazer a este lado do Atlântico uma visão mais concreta de como decorreram as eleições norte-americanas, os dois lados da barricada vão estar no Oriente. Brad Parscale, conselheiro para as redes sociais e meios digitais da campanha de Donald Trump e o antigo conselheiro para a segurança de Hillary Clinton, Jacob Sullivan vão falar sobre o que os une.

Como é que a tecnologia pode dar a mão à segurança?

Não é possível falar de eleições norte-americanas sem discutir os novos desafios à segurança e ao estado social. À medida que a investigação do FBI em torno da influência russa na eleição de Trump avança em direção a uma certeza, o assunto das notícias falsas (#FakeNews) e de como sobreviver num mundo em que os factos já não têm o valor absoluto que tinham vai ser abordado por uma série de jornalistas, de Cameron Barr do The Washington Post a Gregory Ferenstein do Breitbart.

De território russo virá Garry Kasparov, o icónico jogador de xadrez que, além de se disponibilizar para disputar umas partidas da modalidade com dez oponentes ao mesmo tempo, irá discutir o papel da inteligência artificial na manutenção da segurança.

E se para os cidadãos as ameaças à liberdade são as maiores limitações à democracia, para as empresas os entraves à concorrência atuam de igual forma. É neste panorama que Margrethe Vestager, comissária europeia da Concorrência, vai subir ao palco principal do Web Summit e deixar um recado muito específico às gigantes da tecnologia: “As regras são diferentes na Europa”. Regras que se estendem também à noção de privacidade e à proteção dos direitos dos consumidores.

E ao ambiente?

O impacto de Silicon Valley estende-se à maioria dos esferas do Planeta Terra, até mesmo à sua existência. Com a produção massiva de dispositivos tecnológicos e o consequente aumento do desperdício eletrónico, as empresas têm sofrido várias pressões para conseguirem encontrar alternativas mais amigas do ambiente. A organização do Web Summit não quis passar esse aspeto em falso, tendo convidado grandes nomes tais como Al Gore ou Carlos Moedas para marcar presença.

O antigo candidato à presidência dos EUA e ativista ambiental vai falar de como a tecnologia tem um papel preponderante na resolução da “verdade inconveniente”, enquanto o comissário europeu vai participar num painel sobre proteção dos oceanos. A sustentabilidade ambiental vai ser assim o tema principal do palco Planet:tech, um dos nove palcos da conferência que será mais do que apenas tecnologia.

Juliana Nogueira Santos

As empresas que figuram no Top 25 da BGI – Building Global Innovators mobilizaram 67 investidores e levantaram 147 milhões de dólares de capital, entre 2011 e 2016, criando 700 empregos.

O “Portuguese Scale-Up Report 2017” começou a ser construído em fevereiro deste ano pela aceleradora de startups BGI, que para o efeito analisou 400 startups portuguesas com menos de cinco anos, com base nos dados públicos sobre investimento e receitas até 2016.

A BIG, que contabiliza a aceleração de 126 startups, registando com uma invulgar taxa de sobrevivência de 75%, reuniu, ontem à noite, em Xabregas, Lisboa, num jantar abrilhantado pelo fadista Rogério Vieira, empreendedores, investidores e parceiros, aos quais apresentou os resultados deste trabalho que sistematiza o cenário empreendedor português sob um ponto de vista objetivo.

Falando para uma plêiade de investidores entre os quais alguns estrangeiros, Sofia Fernandes, head of Marketing da BGI, evidenciou o facto de Portugal estar no mapa global das startups hoje e nos próximos anos.

TOP 25 das startups mais promissoras

1 Uniplaces

2 Aptoide

3 VeniamWorks

4 TalkDesk

5 360imprimir

6 Unbabel

7 Eneida

8 TTR – Transactional Track Record

9 Landing jobs

10 ASAP54.com

11 Muzzley

12 Codacy

13 Zaask

14 Bitmaker

15 Petsys Electronics

16 B – parts

17 Petapilot

18 Wizdee

19 Xhockware

20 GuestU

21 iM3DICAL

22 code for all

23 Coimbra Genomics

24 Perceive 3D

25 Mygon

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O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu hoje em Lisboa a necessidade de combinar os vários setores da sociedade para responder ao impacto da quarta revolução industrial, marcada pela generalização da tecnologia na vida diária.

"Temos de olhar para o futuro próximo com uma visão estratégica, que combine a atuação de governos, sociedade civil, setor privado e academia para que a inovação tecnológica seja uma força para o bem", defendeu o antigo primeiro-ministro português na sua intervenção na Web Summit, que hoje arrancou em Lisboa.

"Esta quarta revolução industrial terá um impacto dramático nas sociedades e na nossa maneira de viver nos mercados, por isso é importante antecipar o impacto da evolução tecnológica", disse Guterres, exemplificando com os condutores nos Estados Unidos.

"Os condutores são a maior força de trabalho onde eu vivo, nos Estados Unidos, mas com a automatização e a robotização teremos de aprender a antecipar o futuro para evitarmos uma taxa de desemprego massiva", acrescentou.

"Não é aprender a fazer coisas, mas sim aprender a aprender, porque as coisas que fazemos hoje não são as coisas que faremos amanhã", argumentou o secretário-geral da ONU, vincando que a solução não pode ser travar a tecnologia.

"Temos de evitar a reação estúpida de tentar parar a inovação, isso é estúpido porque é impossível e porque impede que tenhamos os benefícios positivos, mas temos também de evitar a ingenuidade de pensar que as formas tradicionais de regulação para setores como a energia ou o sistema financeiro podem resolver o problema", disse Guterres.

Numa intervenção onde passou em revista alguns dos principais problemas que, na sua opinião, a Humanidade está confrontada, como as alterações climáticas, o crescimento económico, a pobreza ou as migrações resultantes das desigualdades, Guterres defendeu que "a globalização é uma força para fazer o bem, e as novas tecnologias também", mas admitiu haver danos colaterais.

"A resposta aos danos colaterais é uma globalização justa, mas a boa notícia é que a ciência está do nosso lado", defendeu o diplomata, vincando que "a economia verde é a economia do futuro, por isso pode-se fazer dinheiro e fazer o bem".

Na intervenção, Guterres salientou ainda a importância da discussão sobre estes problemas, defendendo que "é bom que os participantes aqui comecem a discutir o impacto da quarta revolução no futuro, porque a ciência e a tecnologia não são neutras, podemos erradicar doenças com engenharia genética, mas também podemos criar monstros; podemos usar o ciberespaço para melhorar a vida das pessoas ou para facilitar o terrorismo", alertou.

A Web Summit decorre até quinta-feira, no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

Segundo a organização, nesta segunda edição do evento em Portugal, participam 59.115 pessoas de 170 países, entre os quais mais de 1.200 oradores, duas mil 'startups', 1.400 investidores e 2.500 jornalistas.

A cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo nasceu em 2010 na Irlanda e mudou-se em 2016 para Lisboa por três anos, com possibilidade de mais dois de permanência na capital portuguesa.

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