
Não espere para chegar ao seu destino para se sentir feliz com a sua vida. Se quer ser empreendedor, crie a rotina certa e aproveite a viagem agora.
Há certas coisas na vida que gostamos de fazer à nossa maneira. Há profissionais que começam o dia antes de amanhecer, com exercícios de corrida e meditação, a que se segue a lista de tarefas, ver emails e só depois entram em contacto com os clientes, por exemplo. Há o tipo de pessoa que se sai extremamente bem a trabalhar com prazos apertados.
E há até quem consiga, se for preciso, despachar um dia de trabalho em apenas três horas, e fazer tudo o que planeou fazer. Para estas pessoas, ter controlo sobre as suas rotinas e a forma como o seu trabalho é conduzido contribui muito para a sua felicidade.
Um estudo de 2012 da Wharton School of Business da Universidade da Pensilvânia concluiu que os alunos do seu programa de MBA que começaram negócios próprios consideravam-se mais felizes que os de outras profissões, independentemente de quão lucrativos fossem os seus empreendimentos. Isto deve-se em grande medida às suas rotinas de trabalho. “Há uma sensação de que têm controlo sobre o seu tempo, mesmo que trabalhem muitas horas seguidas”, refere um dos investigadores responsáveis pelo estudo, Ethan Mollick, citado no jornal “The National”.
Assim, o empreendedorismo pode contribuir de modo positivo para o nosso bem-estar geral. Um outro estudo conduzido por sociólogos da Baylor University e da Louisiana State University, realizado em 3060 condados e paróquias nos EUA, chegou à conclusão de que os condados com elevada concentração de empresas de reduzida dimensão têm populações mais saudáveis por comparação com aqueles que dependem de empresas de grande dimensão.
De acordo com a experiência de empreendedores, há vários fatores que, quando incorporados na nossa rotina diária, ajudam a manter níveis de satisfação:
1. Crie a sua rotina de trabalho
Algumas pessoas têm melhor desempenho à noite, enquanto outras são madrugadoras. Encontre uma rotina de trabalho que funciona para si. Não há regras. O que funciona com outro empreendedor pode não funcionar consigo. Crie um sistema e um processo com o qual se sinta satisfeito, e que não prejudique a sua saúde ou bem-estar. Afinal, assumir o controlo da sua vida não foi uma das razões pelas quais decidiu tornar-se empreendedor?
2. Equilibre a vida profissional e a pessoal
Quando se começa, pode sentir-se tão consumido pelo novo empreendimento que pode haver a tentação de não querer parar. Pode sentir que tem de trabalhar o tempo todo para ter sucesso. Até família e amigos começarem a reclamar que não o veem o suficiente. Os empreendedores de primeira viagem acabam por perceber que trabalhar por mais tempo não os torna necessariamente mais produtivos, além de que acabam por estar muito sozinhos.
Há um ditado em árabe que diz: “a sua vida vai chegar ao fim, mas o trabalho vai continuar”. Um erro em que muitos empreendedores caem é não definirem um horário adequado. Mesmo que trabalhe em casa, fixe um horário e cumpra-o. Siga a mesma rotina que teria no escritório. Assim trabalha por um determinado período de tempo e faz pausas para não se distrair com questões domésticas.
3. Faça pausas
Quando se começa, por norma não se tira férias e, quando se tira, o trabalho tende a acompanhar os dias de pausa. O que acaba por consumir uma pessoa: não se dedica totalmente ao trabalho ou a relaxar, e sente-se perdida e infeliz. Há que perceber que fazer pausas não só é importante para o empreendedor como para o seu negócio. Até porque, ao ir de férias, pode voltar com novas ideias, e sente-se animado por voltar ao trabalho.
4. Falhar faz parte do processo
Os empreendedores que vê nas capas das revistas passaram provavelmente por muitos fracassos antes de ter sucesso. O falecido Steve Jobs, cofundador da Apple, falhou várias vezes antes de a Apple se tornar na marca que é hoje. Se gosta do conceito de empreendedorismo porque quer um caminho fácil, é melhor voltar atrás. Falhar e aprendizagem contínua fazem parte do processo, e ter isto em mente só vai facilitar o seu percurso.
A melhor coisa sobre o empreendedorismo é que é o seu caminho, pelo qual é o único responsável. Não espere para chegar ao seu destino para ser feliz. Só tem de incorporar o que é preciso e aproveitar o passeio.

São Francisco, Boston, Austin, Los Angeles. Estas cidades americanas são sinónimo de hubs para start-ups. E também são caras. Muito caras. Mas há alternativas mais em conta para os empreendedores que queiram ter um espaço para começar com o seu negócio nos EUA.
Se quiser montar um escritório numa das cidades mais caras dos EUA prepare-se para pagar algo como 60 dólares por metro quadrado (em Boston) ou então uma taxa de imposto marginal de 13% (na área da Califórnia). Tendo estes valores em consideração, a Inc.com elaborou o “Surge Cities”, um ranking que reúne algumas cidades emergentes para start-ups, e onde os empreendedores também encontram alternativas aos centros mais caros.
Porque não Durham…
Se procura uma cidade inteligente e com bons recursos, na Carolina do Norte, mais especificamente, em Durham, paga-se menos 40% de renda por um escritório face a Austin. E se esta última tem a Universidade do Texas, Durham tem três universidades de primeira linha num raio de 40 quilómetros e quase o dobro de empreendedores per capita. Além disso as pessoas são muito acessíveis, assegura diz Chris Heivly, vice-presidente de inovação na aceleradora Techstars.
De olho em L.A.? Veja Phoenix.
Se gosta de sol, porque não mudar para um lugar com impostos reduzidos e um custo de vida 30% abaixo de Los Angeles? A Arizona State University ganhou o galardão de “Escola mais inovadora da nação” do U.S. News & World Report durante cinco anos consecutivos. E foram criados regulamentos estaduais para facilitar os testes de produtos por parte das start-ups em Silicon Desert. “O ethos é mais profundo em Phoenix, de que se pode perseguir uma ideia sem grandes obstáculos”, assegura Mike Jones, codiretor da PHX Startup Week.
Quer São Francisco? E então Denver?
Se pretende um hub de alta tecnologia, convém equacionar um lugar onde o preço médio de uma casa unifamiliar não seja de 1,4 milhões de dólares. Em Denver pode encontrar uma por menos de 500 mil dólares e um engenheiro de software por 90 mil – cerca de 35 mil menos que na Bay Area.
Ícones de São Francisco como a Slack e o Facebook já têm espaços em Denver. Depois de analisar 50 locais, a empresa de software CircleCI, com sede em São Francisco, abriu um escritório em Denver: “ficámos impressionados com o nível de talento”, explicou Jane Kim, CRO.
A pensar em Boston? Pondere Madison
Procura uma cidade universitária, com instituições de pesquisa de classe mundial e financiamento em estágio inicial? Deixe de pensar em Boston e pondere Madison, no Wisconsin, onde novas empresas de capital de risco apostam em empresas como a start-up de Alex Kubicek, a Understory (desenvolve micro-estações meteorológicas inteligentes que fazem análises táticas de eventos climatéricos extremos).
Alex Kubicek lançou a empresa em Madison em 2012, mas não conseguiu obter financiamento. No ano seguinte mudou-se para Boston. Desde então, voltou para Madison e garantiu 22 milhões de dólares, incluindo duas rondas de 7,5 milhões lideradas pela local VC 4490 Ventures. “Há oportunidades aqui. A paisagem em Madison mudou drasticamente”, afirmou o empreendedor.

O consórcio europeu EIT Food está à procura das 60 startups do setor agroalimentar para lhe dar um impulso internacional. A terceira edição do programa EIT Food Accelerator Network (FAN) já arrancou e as inscrições decorrem até 10 de março. Ao acabar o programa, entre as 60 empresas participantes, três delas serão premiadas com um apoio financeiro direto de até 100 mil euros cada.
O ano passado, das 321 empresas de tecnologia agrícola e alimentar que se candidataram, foram escolhidas 60, duas delas portuguesas – a Aquaponics Iberia, cria e fornece sistemas de tecnologia para o cultivo sustentável de peixe e plantas, e a Trigger Systems, que usa tecnologia e sensores para a transformar a indústria agrícola – tendo ficado sedeadas em Bilbao, Espanha.
A cidade basca é uma das seis cidades – Munique (Alemanha), Haifa (Israel), Lausana (Suíça), Cambridge (Reino Unido) e este ano também se junta Helsínquia (Finlândia) – a receber as startups selecionadas. Saiba como se candidatar aqui EIT FAN procura empresas ao longo da cadeia de valor alimentar que proponham soluções para os problemas atuais do setor agroalimentar: desde a agricultura inteligente até ao consumo e saúde, passando por soluções de embalamento sustentáveis até inovações que abordem o desperdício dos alimentos, aumentando a segurança alimentar ou ajudando a criar um sistema de distribuição mais eficiente para a indústria alimentar, refere o consórcio.
“O programa consiste em quatro meses, a partir de julho deste ano, durante os quais as novas empresas beneficiarão de um plano de estudos guiados por especialistas internacionais, e passarão a fazer parte de uma rede exclusiva com empresas já consolidadas do setor, líderes no sistema alimentar.
Isto inclui o acesso a uma potente base de clientes agroalimentares que lhes dará a oportunidade de colocar as suas inovações no mercado de forma mais rápida”, descreve o consórcio em nota de imprensa.
No programa EIT FAN Bilbao participam como sócios a Azti, a Universidade de Turim (UNITO), Danone, PeakBridge e Neiker, com a colaboração do Governo Basco.
Em breve, o EIT Food lançará também o programa Seedbed, destinado a ideias ou empresas mais jovens, para lhes dar a oportunidade de as converter em negócios viáveis e inovadores dentro do setor agroalimentar, informa em comunicado.
EIT Food é a iniciativa de inovação alimentar, uma das oito comunidades de inovação estabelecidas pelo Instituto Europeu de Inovação e Tecnologia (EIT), um organismo independente da UE criado em 2008 para impulsionar a inovação e o empreendimento. A sede para o Sul da Europa está em Espanha (Madrid e Bilbau) e possui sócios específicos, como Acesur, AIA, Angulas Aguinaga, Azti, CSIC, Grupo AN, PeakBridge, Strauss, Technion, a UAM e UNITO.

Encontrar um investidor, distribuidores ou importadores são as metas da jovem start-up Salivitae que ambiciona levar as suas ervas aromáticas biológicas a mais países na Europa.
A Salivitae é uma jovem start-up instalada no Algarve, concretamente em Portimão, que atua na produção e comercialização de salicórnia fresca e salicórnia em pó, usada como sal vegetal. Trata-se de uma planta também conhecida como sal verde, de elevado valor nutricional, devido à sua grande capacidade de armazenamento dos seus sais. Além disso produz igualmente ervas aromáticas biológicas. Mas no caso da salicórnia, a start-up afirma-se como o 4.º produtor europeu.
O projeto Salivitae nasceu de um conjunto comum de interesses, explicou Hugo Mariano, que conjuntamente com Ricardo Coelho cofundou este projeto agrícola. “Por um lado, a formação de humanidades e gestão de espaços rurais de um dos sócios e a formação em biologia, mais precisamente espaços costeiros, do outro, em conjunto com a ideia de que o mercado da salicórnia precisa urgentemente de produção europeia”, frisou.
Hugo Mariano e Ricardo Coelho, mentores da Salivitae
Para além de atuar no mercado nacional, em pequenos clientes e lojas gourmet, a Salivitae já exporta grande parte da sua produção para mercados como Bélgica e França. Aliás o público alvo é fundamentalmente o grande retalhista europeu de ervas aromáticas, nomeadamente francês, belga e holandês. Por isso, e apesar de estar localizado no Algarve, as ambições do projeto são europeias e para isso os fundadores procuram apoios para implementar a estratégia de expansão internacional.
“Neste momento, temos uma procura que supera largamente a oferta, mas não podemos expandir no local e na tipologia de projeto que temos. Procuramos um investidor, preferencialmente na área agrícola ou com projetos relacionados, para fazer um projeto tecnológico de estufas que consiga responder à procura do mercado”, explicou Hugo Mariano.
Os próximos passos da start-up passam também por consolidar alguns aspetos da produção de frescos, certificar e comercializar a salicórnia seca e realizar o projeto de aumento de produção.

Poucos ecossistemas são tão favoráveis ao desenvolvimento de uma cultura de empreendedorismo impregnado de valores, como a família. É talvez por isso que mais de 60% das empresas europeias são Empresas Familiares.
Enquanto Mãe (orgulhosa!) de cinco filhos, sei bem como a vida em família exige que se empreenda todos os dias, que se aprenda a gerir recursos escassos, que se adquira a capacidade de mediar e esbater conflitos, que se inove a encontrar soluções para problemas (que parecem) insolúveis, que se combata o desperdício e se reaproveite o excesso, que não se delapide em benefício de uns aquilo que é de todos, que se saiba respeitar o outro, que se enfrentem as intempéries com confiança no futuro, que se (re)conheça a importância da solidariedade incondicional, que se alimente um sentido partilhado de propósito, que se não se comprometa, em caso algum, o futuro por causa do presente e… que nunca se atire a toalha ao chão! Que se vivam, em suma, todos os dias, os valores que são também os ingredientes principais do sucesso e perenidade (na linguagem corrente, da sustentabilidade) de uma empresa.
Num certo sentido, a Empresa Familiar é uma transposição da família para o mundo empresarial. A família tende a ver a Empresa como se vê a si própria: um “património” de longo prazo que deve ser preservado para as gerações futuras e que vive em função delas e para elas. Pensamento de longo prazo, governança impregnada de valores, forte sentido de responsabilidade social para com os trabalhadores, resiliência, tendência para o estabelecimento de relações duradouras ou até pessoais com clientes, fornecedores e demais stakeholders, são características comuns das Empresas Familiares. E razão do seu sucesso.
Significa isto que são muitas as Empresas Familiares que já nascem, para usar a gíria atual, sustentáveis. Ou que são geridas, desde a origem, de acordo com os agora chamados “critérios ESG” (Environmental, Social and Governance), muitas vezes sem o saberem (ou sem saberem sequer o que são os, felizmente cada vez mais incontornáveis, critérios ESG)… Ou que sempre deram um forte contributo para a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), mesmo antes destes terem sido definidos como tal pelas Nações Unidas.
A década seguinte àquela em que Portugal viu desaparecer os líderes carismáticos de algumas das mais emblemáticas Empresas Familiares portuguesas – Américo Amorim, Belmiro de Azevedo, Pedro Queiroz Pereira, Alexandre Soares dos Santos – é aquela em que a maior parte das empresas portuguesas tenderá finalmente, espera-se, a compreender o quanto o seu papel na sociedade mudou, e a década na qual as empresas que estiverem determinadas a assegurar a sua longevidade, terão de aprender a garantir o seu sucesso sem comprometer o futuro das gerações seguintes.
Ora, é justamente isso que fazem, regra geral, as famílias e que constitui, num certo sentido “a regra de ouro” das Empresas Familiares.
O facto de, na Europa, mais de 60% das empresas serem Empresas Familiares constitui, assim, um sinal de esperança e um motivo adicional para acreditarmos que a tão necessária “mudança de paradigma”, essencial para o cumprimento dos ODS, irá mesmo acontecer.
É pois com grande otimismo que, enquanto presidente do GRACE, encaro o início de um novo ano na vida das empresas e o dealbar de uma década transformadora na caminhada do mundo empresarial rumo à sustentabilidade.


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