A Representação da Comissão Europeia em Portugal distingue o projeto 3DWays com o primeiro prémio do concurso de empreendedorismo "Canvas – ProjetosQueMarcam".


Fernanda Pedro

A equipa vencedora desenvolveu uma impressora 3D de gama profissional que não requer conhecimentos técnicos para operar e que pode ser controlada remotamente. Os clientes podem comprar ou alugar as máquinas. A impressora pode produzir qualquer produto de dimensões até 3x3x3m em mais de 30 materiais e a uma velocidade até 40x superior à indústria de moldes. A 3DWays controla remotamente todo o processo desde o desenvolvimento à produção em massa. O cliente apenas precisa de retirar os produtos das máquinas.

O prémio no valor de três mil euros, foi atribuído por um júri de especialistas de reconhecido mérito: Amadeu Paiva (Professor da Universidade Autónoma de Lisboa), Filipe Santos (Professor na Católica-Lisbon School of Business & Economics, Cátedra Católica-Lisbon em Empreendedorismo Social, Professor Visitante de Empreendedorismo Social na INSEAD) e António Saraiva (Presidente da CIP).

O júri atribuiu ainda duas menções honrosas, no valor de mil euros cada, aos projetos ENTOGREEN e Matter. O primeiro pretende transformar o desperdício alimentar numa oportunidade de negócio, transformando-o em novas fontes nutricionais, tanto para as plantas como para os animais. O segundo oferece soluções sustentáveis e diferenciadas para o setor da arquitetura e do design de alta gama com base numa tecnologia inovadora, que reutiliza subprodutos agroindustriais, tais como café e chocolate, como matérias-primas para o desenvolvimento de revestimentos sofisticados e objetos com novas texturas e aromas.

Pelo segundo ano consecutivo, o evento Web Summit que é considerado o maior evento de empreendedorismo da Europa, será realizado em Lisboa e desta vez há bilhetes a metade do preço para 150 startups selecionadas.



Cristina Bernardo

Em 2016 a cimeira tecnológica contou com a participação de mais de 200 startups nacionais. 67 dessas empresas com um grande potencial de crescimento tiveram entrada gratuita num dia do evento por terem sido finalistas do concurso Road 2 Web Summit. Este ano, o número é maior. São 150 as startups que vão beneficiar do programa de apoio, tendo bilhetes a metade do preço e campos de treino (‘bootcamps’) de preparação para a cimeira tecnológica e de inovação, que pela segunda vez decorre em Lisboa.

Os descontos serão aplicados aos bilhetes Alpha (para empresas que estão em fase de arranque) da Web Summit. O evento realiza-se de 6 a 9 de novembro, segundo o anúncio feito esta terça-feira pelo secretário de Estado da Indústria, João Vasconcelos.

João Vasconcelos referiu também, que as 150 empresas, além de descontos, vão beneficiar de “acesso gratuito a sessões de preparação, onde podem aprender como aproveitar ao máximo a sua presença num evento que traz a Portugal alguns dos melhores investidores, jornalistas, empresários e CEO [presidentes executivos] do mundo”.

Pela Web Summit, o responsável pelas ‘startups’, Paddy Griffith, manifestou contentamento por uma nova colaboração com a Startup Portugal, iniciativa nacional de apoio aos empreendedores.

“A Web Summit é o mais importante evento para ‘startups’ do mundo, com mesas redondas e programas como o Mentor e as Office Hours, que ajudam a pôr as ‘startups’ em contacto com mais de 1.500 investidores dos maiores fundos do mundo”, referiu Paddy Griffith, acrescentando ter grande expectativa para “ver quem se candidata este ano”.

As candidaturas estão abertas através do endereço: websummit.com/road-web-summit até final de agosto, estando previsto o anúncio dos vencedores até 15 de setembro.

Estima-se que a edição de 2016 da Web Summit tenha injetado 200 milhões de euros na economia nacional, sendo um quarto desse valor absorvido pela indústria hoteleira e 50 milhões pelos diversos fornecedores diretamente ligados ao evento.

Reformulação da unidade de investigação levou à candidatura a projetos específicos de investigação e inovação. E a prestação de serviços a empresa. E isso mudou a história do Politécnico da Guarda.


Não foi há muito tempo que a Escola Superior de Tecnologia e Gestão (ESTG) do Politécnico da Guarda perdeu a acreditação da Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para financiamento de projetos de investigação. Estávamos em 2014 e a Unidade de Investigação chefiada pela professora Teresa Paiva desde o ano letivo 2010/2011 tinha vindo a passar por uma mudança multidisciplinar, que viu muitas iniciativas deixarem de estar apenas concentradas na área da investigação científica. Vai daí, explica Paiva ao ECO, os responsáveis da ESTG decidiram “reformular a unidade de investigação, para começar a trabalhar mais a vertente empresarial”, procurando financiamento através de candidaturas aos programas 2020 com projetos específicos e apostando, a par disso, no vale-inovação e na prestação de serviços a empresas.

Esta podia ser uma história sem final feliz mas não foi esse o caso e hoje é à ESTG que muitas empresas do Interior pedem ajuda quando precisam de desenvolver soluções para problemas específicos relacionados com tecnologia, computação e transferência de conhecimento na área do digital.

O nosso tecido empresarial tem características muito particulares que, por vezes, não são facilitadoras de grandes parcerias, porque são empresas muito pequenas, com pouca capacidade, não só financeira como operacional.

Teresa Paiva

Escola Superior de Tecnologia e Gestão

Também por isso, o que a Unidade de Investigação decidiu fazer em termos de políticas de fomento e de relação com empresas foi “desenvolver uma plataforma de comunicação para mostrar projetos de investigação em curso ou já concluídos mas, fundamentalmente, para comunicar os laboratórios que temos e as competências que estes têm”, explica Paiva — um site que, no fundo, funciona como um catálogo. “As empresas vão lá pesquisar e assim podem ver que temos muitas valências e que fazemos quase tudo”, conta bem-humorada.

Otimizar recursos: o segredo do sucesso das startups

Não é um exagero dizer que assim é, e que a aposta da ESTG não passa apenas por trabalhar de perto com empresas nascidas na Guarda e arredores ou que decidiram instalar-se na região por saberem que existem bons cérebros a sair todos os anos do IPG. Paiva dá como exemplo de “uma melhoria regional significativa” um projeto desenvolvido recentemente para o agrupamento de escolas do município de Almeida, para combater a taxa de abandono escolar.

“Pediram-nos que criássemos um curso relacionado com os recursos endógenos da região para motivar os alunos que, à partida, querem abandonar os estudos, para lhes darmos formação específica e para que, no futuro, possam criar as suas empresas ou trabalhar para empresas já existentes.” Nesse curso, “aprendem a comercializar, a produzir e a gerir esses bens, quer sejam queijos ou produtos mais naturais como os cogumelos, e ficam capacitados para terem uma vida profissional melhor do que se abandonassem o secundário precocemente. O nosso interesse também é motivá-los a entrarem no ensino superior e a continuarem a sua formação.” Muitos acabam por seguir a sugestão.

Transformar o interior

Nos últimos anos, grandes empresas como a Altran, com sede no Fundão, ou a PT, que criou o seu Data Center inovador na Covilhã, participaram na construção e definição de cursos técnicos especializados de dois anos na ESTG do Politécnico da Guarda, uma parceria que nasceu para “colmatar as necessidades das próprias empresas”, que procuram naquela escola do interior, tal como na Universidade da Beira Interior, alunos com valências em áreas tecnológicas que possam vir a ser integrados nos seus quadros.

Graças a unidades curriculares do curso de Engenharia Informática como a de Programação e Segurança, sob o pelouro do professor José Fonseca, há cada vez mais alunos interessados em seguir estudos nestas áreas. “Passam a ter mais consciência desta problemática e acabam a estagiar e a trabalhar em empresas ligadas à segurança informática, como foi o caso de dois alunos que no ano passado estagiaram numa empresa sediada em Coimbra”, revela.

“Tem sido nossa política aqui no Politécnico convidar os docentes que terminam doutoramentos em informática a criar disciplinas opcionais relacionadas com a sua área de especialização. No que toca à segurança informática, notei que houve um impulso no final do meu doutoramento em 2011, tal como aconteceu agora que um outro docente concluiu a sua especialização em segurança em rede de dados.”

O mesmo tipo de sinergias são criadas ao nível das pequenas e médias empresas da região. “Embora a segurança de sistemas esteja na ordem do dia, ainda vejo estas empresas de menor dimensão mais preocupadas em desenvolver software e não tão preocupadas com segurança, mas estou claramente a ver as empresas cada vez mais preocupadas com esta temática, mesmo em regiões do interior como é aqui a Guarda”, confessa Fonseca.

Este ano, a ESTG já foi palco de uma conferência de cibersegurança e “todos os anos temos as jornadas de engenharia informática, com workshops também na área da segurança, para as quais convidamos as empresas a participar, o que faz com que haja mais contactos entre alunos, docentes e as empresas, potenciando uma aprendizagem dos dois lados; nós ficamos a saber mais sobre as necessidades das empresas e elas acerca do que os nossos alunos podem oferecer. Temos a sorte de haver mais propostas de emprego nestas áreas do que noutras, vêm até empresas de Lisboa e do Porto à procura de alunos porque o mercado está ávido por especialistas da área.”

Atualmente, há alunos saídos do curso a trabalhar em empresas como a Sonae, a Nokia Siemens, em câmaras municipais e em diversos bancos, como o Santander, que tem em marcha uma parceria multifacetada com a ESTG. “Nomeadamente oferecem formação em desenvolvimento de planos de negócios a alunos”, explica Teresa Paiva. “O Santander é muito proativo e tem não só uma componente de financiamento global como outra que vai sendo integrada em diferentes atividades e ações específicas desenvolvidas na escola.”

A isso juntam-se as candidaturas ao projeto PoliEmpreende, um concurso nacional desenhado à medida dos Politécnicos do país em que bancos e outras entidades externas financiam prémios para projetos de negócio. Aqui, a ESTG só tem a ganhar também graças à solução encontrada pela Unidade de Investigação dirigida por Paiva, batizada PoliCasulos — uma incubadora composta por “espaços abertos e partilhados onde temos alunos, ex-alunos e docentes a desenvolverem os seus planos de negócio”, explica a especialista em marketing.

Isto numa altura em que, no âmbito do Portugal 2020, o IPG está acreditado para a Indústria 4.0 e também para marketing digital, a vertente de comunicação ligada a essa indústria. “Imagine que temos alunos de engenharia informática que não percebem de gestão”, exemplifica. “O que fazemos é integrá-los nas disciplinas da área que achamos necessárias e eles fazem-nas de forma gratuita para adquirirem conhecimentos e poderem trabalhar melhor nas suas áreas de especialização.”

Também a fomentar o desenvolvimento do Interior surge a plataforma pplware.com, que “reúne todo o tipo de conteúdos sobre tecnologia e que é também um forte motor de divulgação de projetos académicos e de investigação nacionais”, explica o administrador Pedro Pinto. Para o docente e administrador de sistema do Centro de Informática do IPG, “as boas infraestruturas digitais existentes permitem, a partir do Interior, responder aos mais diversos desafios tecnológicos” e atrair outros projetos — caso da GoContact, pertencente ao grupo Wavecom, que em setembro vai instalar-se na ESGT através da criação de um Centro de Desenvolvimento.

Soluções à medida

Assim têm surgido startups de valor acrescentado que respondem às necessidades específicas de PMEs e das próprias populações da região da Guarda e arredores. Veja-se o caso da MagicKey, que desenvolve soluções tecnológicas para pessoas portadoras de deficiência e que á uma das startups que está incubada no IPG. “Há testemunhos no site que sensibilizam muito, é de facto um trabalho notável”, confidencia José Fonseca.

“No fundo o que a empresa faz é desenvolver ou adaptar software às necessidades de mobilidade, por exemplo, adaptam triciclos elétricos para pessoas de mais idade, porque esses triciclos que as pessoas compram viram muito rapidamente, podem tombar, então eles aplicam sensores para detectar escadas ou degraus… Melhoram tablets para as pessoas com dificuldade em falar, para que possam dizer se têm fome ou sede, e para pessoas acamadas criaram uma cama articulada que é controlada através de comandos de voz.”

Outro exemplo de sucesso, de importância redobrada num país que acabou de viver mais uma tragédia com os fogos de verão em Pedrógrão Grande, é o Robô Bombeiro, um concurso nacional de robótica dinamizado pelo diretor do mestrado em Computação Móvel da ESTG. “É organizado anualmente desde 2003 por docentes da unidade técnico-científica de Informática do IPG”, explica Carlos Carreto ao ECO. “O desafio proposto consiste em pôr à prova pequenos robôs móveis e autónomos, com a missão de encontrar e extinguir um incêndio, simulado pela chama de uma vela, dentro de uma arena que serve de modelo de uma casa, formada por corredores e quartos.”

Da janela da universidade do Porto vê-se o mundo inteiro

O objetivo, adianta o investigador, é “promover a robótica, que será sem dúvida uma das tecnologias-chave do século XXI” e que já tem levado a outras parcerias da ESTG com grandes empresas (caso da fábrica Peugeot-Citroën de Mangualde). A par disso, o concurso passa por “proporcionar um evento educativo, também aberto ao público em geral, que seja estimulante e divertido, promovendo o conhecimento científico através da chamada abordagem STEM — Science, Technology, Engineering and Mathetmatics, com resultados comprovados”. A edição deste ano, a 15.ª desde que foi lançado, vai acontecer a 8 de julho no Pavilhão Desportivo de São Miguel, no centro da Guarda. Mais de 50 equipas de várias cidades do país estão inscritas.Não é um exagero dizer que assim é, e que a aposta da ESTG não passa apenas por trabalhar de perto com empresas nascidas na Guarda e arredores ou que decidiram instalar-se na região por saberem que existem bons cérebros a sair todos os anos do IPG. Paiva dá como exemplo de “uma melhoria regional significativa” um projeto desenvolvido recentemente para o agrupamento de escolas do município de Almeida, para combater a taxa de abandono escolar.

“Pediram-nos que criássemos um curso relacionado com os recursos endógenos da região para motivar os alunos que, à partida, querem abandonar os estudos, para lhes darmos formação específica e para que, no futuro, possam criar as suas empresas ou trabalhar para empresas já existentes. Aprendem a comercializar, a produzir e a gerir esses bens, quer sejam queijos ou produtos mais naturais como os cogumelos, e ficam capacitados para terem uma vida profissional melhor do que se abandonassem o secundário precocemente. E nosso interesse também é motivá-los a entrarem no ensino superior e a continuarem a sua formação.” Muitos acabam por seguir a sugestão.

 

Joana Azevedo Viana

Uma rede de confiança faz com que possa partilhar ideias, receber conselhos, fazer novos contactos, e muito mais. Mas também pode ser algo trabalhoso.


Rick Rasmussen e Tiffine Wang têm abordagens e perspetivas diferentes relativamente ao networking. Tiffine (investidora do European Innovation Academy), por ser a mais extrovertida, tem a tendência a querer conhecer pessoas novas. Já o Rick (EIA’s Chief Mentor), é o oposto: prefere grupos pequenos de pessoas que ele já conheça.

Algumas pessoas são “networkers” natos: atravessam salas cheias de desconhecidos e ainda assim são capazes de fazer contactos e construir novas relações. Para outros, pode não ser assim tão fácil. Ir a um evento onde não conheçam ninguém pode ser um verdadeiro desafio.

Aqui deixamos algumas dicas do Rick Rasmussen (mentor chefe) e da Tiffine Wang (investidora):

Estabeleça objetivos

Por que é que está ali? Quem é que quer conhecer? O que tornaria esse evento perfeito? Tem algum objetivo concreto ou está ali para conhecer pessoas novas?

Aqui estão alguns dos personagens mais comuns que costumam aparecer em eventos de tecnologia:

Comercial / Vendedor
Engenheiro / Técnico
Investidores
Empresários


Não importa qual o seu papel. O melhor que tem a fazer é perceber de forma clara quem é e como é que se quer integrar naquele ecossistema. Há muitas pessoas que pretendem resolver um problema específico, seja procurar clientes, angariar dinheiro ou encontrar o próximo investimento. Encontre as pessoas a quem possa adicionar mais valor – e vice-versa.

Se é um pouco tímido, leve companhia para dar uma ajuda

Uma forma de melhorar os seus resultados é levar um amigo consigo, especialmente se for alguém que seja bom na arte de networking.

Esse amigo pode procurar novos contactos e chamá-lo se conversar com alguém do seu interesse. Pode convidar uma, duas ou mais pessoas e formar uma base de segurança, onde todos se apoiam. Para além disso, se o evento for um fracasso, sempre tem amigos com quem passar o tempo.

Troque cartões de visita

Algumas pessoas adoram, outras odeiam-nos — eu acho que são úteis. A “cerimónia” da troca de cartões é muito habitual nos Estados Unidos: olhe para o cartão, se quiser faça um pequeno comentário e depois ponha o cartão no bolso. Quando sair, escreva algumas notas no cartão, para poder dar seguimento ao contacto.

Se quer evoluir, fale numa conferência

Se se sentir pronto para sair da sua zona de conforto, voluntarie-se para mestre de cerimónia ou orador de um painel. Assim, evita ter de se apresentar a estranhos — eles é que vão ter consigo! Ser orador permite que se promova, que discuta os seus planos, e faz com que seja visto como um perito no assunto que trata.

Dê continuidade aos contactos que fez

Para os contactos interessantes, utilize o LinkedIn ou um email para agradecer. Será uma boa forma de retomar a conversa com aquela pessoa. Garanta que os seus emails são curtos e diretos ao assunto, e que cumpre com o que quer que seja que prometeu.

Dito isto, aqui estão alguns “quebra-gelo”:

O que o traz aqui?
Qual a sua ocupação?
Pertence a algum grupo de alumni?
O que faz a sua empresa?
Em que ano terminou o curso?
O que é que gosta de fazer para se divertir?

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