Produzir cannabis com fins medicinais é o core business da jovem FunCrops que agora procura potenciais clientes e parcerias para levar o negócio a mercados internacionais.

A FunCrops é uma empresa recém-constituída que vai dedicar-se à plantação de cannabis para fins medicinais. Instalada no Fundão, a empresa é resultado da iniciativa empreendedora de um português, David Ferreira, e dois holandeses, Josh Tuzgol e Patrick Go, que decidiram investir no Fundão onde dispõem de 3000 m2 de área para cultivo de Cannabis Sativa indoor (em vez de outdoor, uma vez que querem garantir qualidade e resultados eficazes), que lhes permitirá uma produção de cerca de 700 kg a cada quatro meses.

Atualmente a desenvolver esforços junto do Infarmed para a obtenção da respetiva licença para começarem de imediato a plantação, a FunCrops espera conseguir potenciais clientes e parcerias para levar o negócio a mercados internacionais.

Como surgiu a ideia
“No ano passado, eu e o Josh estávamos a discutir boas oportunidades de negócio para desenvolvermos. Pensámos em algo digital, mas hoje a maior parte das start-ups são tecnológias. Por isso vimos uma oportunidade de criar algo mais tradicional e menos tecnológico”, explicou David Ferreira. Consistente da nova lei da cannabis medicinal em Portugal, que estava entretanto a ser discutida, foi esta a opção que tomaram. “Na verdade, até tinha tido a ideia de começar no início de 2017, mas não tinha à minha volta as pessoas certas. Por isso, quando falámos do assunto decidimos avançar. Este será um negócio legítimo, legal e vamos fazê-lo num país que aceita muito bem este tipo de investimentos – Portugal”, acrescenta David Ferreira.

Josh Tuzgol lembra que já conhecia David de outros negócios e projetos em que trabalharam no passado. “O David mencionou-me o facto do mercado legítimo de cannabis em Portugal estar para ser aprovado, tanto para a produção como para exportação. Eu já andava a pensar nesta área de negócio, mas quando o David me trouxe a ideia de fazermos algo juntos, sugeri contactarmos o Patrick para saber se ele estava interessado em criar uma empresa. A partir daí, tudo começou a acontecer muito rápido.” Patrick Go frisou ainda que “quando se fala de cannabis é um assunto especialmente sensível, contudo acreditamos no que vamos fazer em Portugal e mostrar ao país e ao mundo os benefícios da cannabis medicinal.”

O projeto começou com um investimento próprio na ordem dos 60 mil euros, mas a equipa fundadora está a tentar junto da banca um financiamento de 140 mil euros, para fazer as obras e a instalação de equipamento especializado. “Procuramos passivamente investidores, para um futuro em caso de crescimento exponencial, visto que em 2020 queremos produzir mais de 20 toneladas/ano para mercados internacionais – visto que a nossa empresa será licenciada para exportação também”, explica David Ferreira.

Os três sócios têm afinidade com a indústria, conhecimento e know-how para fazer crescer uma empresa de cannabis medicinal profissionalmente. “Cada um de nós tem diversas áreas de especialização no nosso campo profissional. Mas a parte em comum é que somos os três empreendedores e fazemos as coisas rápida e eficazmente. Por exemplo, conseguimos criar a empresa com uma estrutura um pouco complexa em menos de um dia – duas pessoas coletivas holandesas e uma pessoa singular holandesa – tudo graças a uma boa comunicação, sincronização e preparação”.

A sede está instalada no Centro de Negócios e Serviços do Fundão, concelho onde também ficará a plantação, onde esperam poder tirar partido da qualidade do ar e da pura água da Serra da Estrela, essenciais para o bom crescimento da planta. “Prevemos que durante o verão de 2019 já possamos começar a plantar as primeiras plantas”, vaticina David Ferreira.

O modelo de negócio
“Temos um pavilhão para crescimento indoor e iremos plantar e produzir cannabis medicinal orgânica com diferentes níveis de CBD/THC (substância relaxande da cannabis / substância psicotrópica), desde um nível elevado de CBD a níveis médios em comparação com o THC – tudo dentro dos limites que o Infarmed nos vai estabelecer”, explicou o sócio português da start-up. David Ferreira revelou ainda que irão secar e vender a cannabis para farmácias, indústria farmacêutica nacional e internacional, mas também para indústrias transformadoras (óleos, comprimidos, etc). “Por querermos oferecer alta qualidade, trabalhamos num ambiente fechado para garantir a qualidade e o resultado final, ao contrário de plantações ao ar livre que se tornam susceptíveis a todo o tipo de problemas”, assegurou.

Por agora, o responsável da FunCrops confidenciou, que já está em conversações “com algumas entidades nacionais e internacionais, dentro da Europa e nas Américas, para exportar o produto”. Contudo, acreditam que a recetividade ao produto em Portugal vai ser positiva. “Estamos a investir num país, numa área menos favorável para negócios é a grande possibilidade de ajudar empresas ou universidades a encontrar curas ou tratamentos para as diversas doenças que podem ser tratadas por esta planta, geralmente, demonizada em nome da guerra às drogas. O sentimento mundial é que muitos países e comunidade médica começam a admitir os bons efeitos da cannabis medicinal. Além disso, nós os três acreditamos na legalização da planta para todos os fins e nos benefícios económicos que isso poderia trazer para o país”.

Necessidades imediatas
Enquanto aguarda o necessário licenciamento para pode começar a plantar, a start-up está a juntar os fundos e em negociações com a banca para investir no edifício. “Planeamos um investimento de três milhões nos primeiros 24 meses de atividade”, revela David Ferreira. Também procuram sinergias com potenciais clientes ou até mesmo start-ups que possam comprar o stock. Entretanto, vão começar a remodelação do armazém para estar pronto para a produção e precisam também de obter as certificações BPF, ISSO, entre outras. Ao mesmo tempo, preparam-se para participar na Spannabis, uma conferência sobre cânhamo e cannabis, em Barcelona, já no próximo mês e onde esperam encontrar parcerias, fornecedores, clientes e talvez investidores. Além disso, vão continuar a preencher os requisitos do Infarmed, fazer as remodelações do espaço e concluir as certificações e certificados para começar a operar.

Resumo
Responsáveis: David Ferreira, Josh Tuzgol, Patrick Go
Área: Saúde
Mercado: Europa e Américas
Necessidade: Contactos com clientes, sinergias com start-ups ou empresas na área.
Contactos: Este endereço de email está protegido contra piratas. Necessita ativar o JavaScript para o visualizar. – https://funcrops.com

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