Exemplos de histórias no feminino no mundo dos negócios


POR LINK TO LEADERS EM 8 MARÇO, 2018

O que têm em comum Rita Nabeiro, Teresa Damásio, Sofia Koehler, Lúcia Piloto, Fernanda Freitas, Sofia Oliveira, Leonor de Sá Machado ou Felicidade Ferreira, entre muitas outras mulheres? Todas elas são um exemplo de determinação, resiliência e força no mundo dos negócios.

Hoje, a propósito do Dia da Mulher, desafiámos 15 mulheres, algumas jovens empreendedoras, outras com a experiência de anos de trabalho, e de diferentes setores de atividade, a partilharem o que as motiva, as barreiras que enfrentaram, ou enfrentam, num universo empresarial maioritariamente masculino.
Leia e inspira-se nas histórias de vida destas 15 profissionais que deixam alguns conselhos às “novas empreendedoras”.

Rita Nabeiro, CEO da Adega Mayor, Teresa Damásio, administradora do grupo Ensinus, Leonor de Sá Machado, presidente da TheBridgeGlobal, Sofia Oliveira, cofundadora da marca Josefinas, Fernanda Freitas, CEO da Eixo Norte Sul, Ana Rita Clara, apresentadora de Tv e empreendedora, Lúcia Piloto, fundadora do Grupo Lúcia Piloto, Sofia Koehler, vice-presidente da Colquímica Adhesives, Rosário Pinto Correia, intrapreneur e regente de marketing na Católica Lisbon Business School, Sónia Jerónimo, CEO da Growin, Laurentina Gomes, fundadora e administradora do Grupo Liscic/Listopsis, Belén Vicente, CEO da Medical Port, Felicidade Ferreira, country manager da Primavera BSS, Juliana Oliveira, CEO da OLIMEC, Mariana Torres, national franchisor Portugal da Helen Doron.

 

Rita Nabeiro
CEO da Adega Mayor

Como se tornou uma empreendedora?
Depois do meu percurso universitário trabalhei de forma independente como designer gráfica. Paralelamente criei, juntamente com uma colega um pequeno negócio onde criávamos e pintávamos t-shirts, que depois comercializávamos em pequenas feiras. A colaboração com o negócio familiar surgiu alguns anos mais tarde depois de trabalhar em agências. Em todo o caso, devo dizer que não me identifico com a palavra empreendedor. Acho que está sobrevalorizada. Prefiro usar a palavra atitude. É ela que define a nossa forma de estar na vida e eu procuro ter uma atitude positiva e pro-ativa nas várias áreas da minha vida.

Quais as principais barreiras que teve se ultrapassar?
As barreiras existem sempre, mas creio que as maiores começam em nós. Quando duvidamos das nossas capacidades e quando deixamos de lutar pelos nossos sonhos.
É certo que existem outro tipo de barreiras. No meu caso foi, acima de tudo, entrar num mundo que me era relativamente desconhecido até então. Sendo o vinho um sector maioritariamente familiar e tradicional e vindo eu de uma área diferente foi preciso aprender coisas novas, saindo da minha zona de conforto.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Ter mais mulheres e mais homens que lhes dêem oportunidades de ter mais visibilidade, nomeadamente, através de lugares de destaque dentro das organizações/instituições.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Para mim não há receitas para o sucesso. O sucesso para uma pessoa pode ser uma coisa e para outra, algo totalmente diferente. Para uma mulher ter sucesso pode significar ser apenas uma boa profissional, para outra uma boa mãe. O sucesso devia medir-se pelo grau de satisfação e felicidade que uma pessoa tem com a sua vida e não pela visibilidade que aparentemente esta possa ter. A pessoa deve acima de tudo procurar a realização naquilo que gosta e quando perseguimos as nossas paixões, o resto surge com naturalidade.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Que acreditem nelas próprias, que lutem pelo que acreditam, que abracem causas e não coisas, que encontrem modelos e mentores ou mentoras que as possam guiar. Que tenham muita força, mas acima de tudo muita serenidade para encontrar as soluções, quando muitas vezes parecemos estar perdidos dentro dos problemas. Sempre que se fecha uma porta abre-se uma janela.

Teresa Damásio
administradora do grupo Ensinus

Como se tornou uma empreendedora?
Desde cedo que sentia a necessidade de fazer coisas e de ter iniciativas. Lembro-me que desde sempre achei que podia com a minha ação mudar o mundo. Entendo que não me tornei uma empreendedora. Fui educada num ambiente de grande rigor e disciplina mas de profunda autonomia e de responsabilidade e isso teve impacto em mim e no meu irmão e nos valores que nos foram passados pelos nossos pais. Desde pequenos que fomos envolvidos na vida da comunidade e foi-nos sendo explicado que todos somos responsáveis pela sociedade onde estamos inseridos.
Ao longo da minha vida adulta tenho vindo a consolidar todas essas vivências e aprendizagens e hoje as minhas competências levam-me a empreender todos os dias em algo novo. E sei que tenho conseguido mudar a vida de muitas pessoas e sinto-me muito orgulhosa com isso!

Quais as principais barreiras que teve de ultrapassar?
A crença de que os homens eram mais empreendedores do que as mulheres e que às mulheres estavam vedadas certas áreas da sociedade. No entanto, na atualidade creio que isso já se não coloca e as barreiras poderão ser só internas, psicológicas e, por isso, é fundamental que se projete as mullheres, que se lhes dê voz e palco para que as outras mulheres saibam que é possível. Considero que ainda há uma longa estrada a percorrer e que não podemos, de forma alguma, baixar os braços.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Vivemos em ditadura durante muitas décadas e, portanto, ainda há alguns preconceitos latentes na sociedade portuguesa, pelo que tenho o maior orgulho no percurso das mulheres portuguesas e, naturalmente, das empreendedoras portuguesas. O que as distingue é a resiliência – levada ao extremo – e a energia transbordante que colocam em tudo o que fazem. Creio que as mulheres portuguesas têm feito um percurso absolutamente notável e que a sociedade tem beneficiado muito com isso. Seria desejável que fossemos mais visíveis mas o caminho faz-se caminhando!

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Acredito que as últimas alterações legislativas irão promover uma mudança organizacional que em muito irá beneficiar as mulheres e promover o desenvolvimento sustentável da sociedade!
As empresas têm que ser mais inclusivas e ter necessariamente políticas amigas da conciliação.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Ousadia. Espírito de sacrifício. Paixão pela vida e pelos outros. Ambição.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Acreditem sempre em si e nas suas ideias e não deixem que ninguém se interponha entre elas e o mundo. O céu é o limite.

Fernanda Freitas
CEO da Eixo Norte Sul

Como se tornou uma empreendedora?
Começo a sentir que já nasci empreendedora! Quando olho para tudo o que fiz a partir dos 14, 15 anos: comecei a trabalhar numa rádio pirata, ajudei a fundar uma revista, integrei o Clube Europeu da Escola e participei numa das 1.ª sessões do Parlamento Europeu dos Jovens em França…! Saí de casa dos pais aos 18 anos para viver e trabalhar em Lisboa. Mudei de casa e de emprego várias vezes até que, há cinco anos, fundei a Eixo Norte Sul- uma empresa de conteúdos que já emprega 10 pessoas.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Acima de tudo, as vozes dos que acham que “não vale a pena o esforço“ ou pior ainda “se estás tão bem, porquê mudar?” Esta atitude de quem nos rodeia pode aniquilar qualquer pessoa num momento de maior vulnerabilidade…
Depois há um lado muito palpável e terrível que é a tesouraria! Quando não fizeste qualquer formação na área e percebes que vais ter de pagar tantos impostos quanto uma empresa gigante! Isso é tão injusto… no 1.º ano tive de escolher entre pagar salários ou pagar o IVA a tempo, por exemplo. E descobrir à força que os atrasos em pagamentos ao Estado originam coimas brutais – mesmo que nunca tenhas tido um problema com a segurança social ou com a autoridade tributária.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Não sei se há uma distinção tão marcadamente geográfica… mas se nos compararmos com as americanas, diria que temos mais medo de falhar. Em relação às do Norte da Europa temos menos fórmulas de flexibilização de horários, por exemplo.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Decidir que querem ter esse papel e ter formas de o desempenhar sem terem de ficar divididas ou com sentimentos de culpa por estarem menos tempo dedicadas à casa, à família. Isto passa não apenas por políticas de equidade (e não unicamente de igualdade) mas também por uma mudança de mentalidades das próprias mulheres que já são líderes empresariais e que são tidas como exemplo: não podem ser casos raros nem permitirem serem vistas como tais!

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Persistência, foco e muito boa disposição!! A equipa certa e motivada compõe o resto da receita.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Procurem um modelo de mentoria! Não vale a pena uma travessia por um deserto que alguém já percorreu e que vos pode ajudar a encontrar o melhor caminho! E não deixem de fazer networking! É fundamental ter uma boa carteira de contactos em diversas áreas. Por fim, invistam sempre na vossa formação. Nunca se sabe se, por exemplo, dominar mais uma língua poderá fazer a diferença numa proposta a um cliente!

Sofia Oliveira
cofundadora da marca Josefinas

Como se tornou uma empreendedora?
Na verdade foi um pouco ao acaso. Cruzei-me com a Maria Cunha (cofundadora e CEO da Josefinas) e a Filipa Júlio (cofundadora da Josefinas) e acabei por integrar o projeto numa fase muito inicial.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
O calçado português ainda é um setor dominado por homens e, enquanto mulheres, a caminhada inicial foi difícil. Encontrar o fornecedor perfeito – que felizmente ainda é nosso parceiro – foi uma das maiores dificuldades que sentimos.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Por um lado, talvez acreditar; por outro lado, derrubar a associação direta entre negócio-homem.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Não há uma receita, mas há vários ingredientes que ajudam. A meu ver, não há sucesso sem algum sacrifício, garra, perseverança e paixão.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
O primeiro é que não desistam se acreditam verdadeiramente na ideia – pelo caminho surgem muitas pedras, mas nós sabemos mais, e somos capazes de muito mais do que aquilo que achamos ser. E o segundo, rodeiem-se das pessoas certas: aquelas vos tornam na vossa melhor versão.

Leonor de Sá Machado
presidente da TheBridgeGlobal

Como se tornou uma empreendedora?
Fiz uma carreira profissional bastante rápida na área de Marketing, Comunicação e Vendas. Comecei com 21 anos na Johnson & Johnson como delegada dos serviços educacionais, aos 29 anos era directora geral comercial da Renova e aos 37 directora geral da Bimbo. Depois veio uma grande mudança para a banca em Angola onde estive 10 anos e desenvolvi grandes projectos sociais. Quando decidi sair já tinha na minha mente trabalhar projectos de responsabilidade social. Criei a TheBridge no Brasil e em Angola, em 2013. A aventura começou…

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Ser empreendedora muda bastante de mercado para mercado. Achei o Brasil muito difícil para se desenvolver um novo negócio, apesar de ser um mercado com muito potencial e de uma grande dimensão. Angola é mais recetiva a projetos de responsabilidade social e a TheBridge foi muito bem recebida. Não sinto que tive barreiras de nenhuma espécie, mas senti-me sempre muito “estrangeira” no Brasil e muito integrada em Angola.
Ao longo da minha carreira profissional nunca senti qualquer descriminação ou diferença de tratamento por ser mulher. Essa foi a minha forma de estar…sempre assumi uma postura de igualdade muito assertiva.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Acho a mulher portuguesa bastante resiliente e lutadora. As mulheres são multitarefas e essa característica está muito presente na sociedade portuguesa.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
A igualdade de género é uma igualdade real, penso que assumir esta premissa é fundamental para liderar o nosso próprio negócio. A independência financeira tem um papel importante no sucesso de uma empreendedora. Conhecer bastante bem o negócio que se vai desenvolver e rodear-se de pessoas capacitadas ajuda na liderança e pode fazer a diferença.Ter um grande controle da área financeira sem deixar a paixão e o sonho desaparecerem do horizonte.
Aparecer, aparecer e aparecer.Trabalhar a sua imagem e a do seu negócio de uma forma realmente efetiva e credível.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Ter uma visão do negócio diferenciada. Acreditar na sua ideia com paixão. Ser percursora no que vai empreender e, principalmente, ter capacidade de sobrevivência. A resiliência para mim é um fator de sucesso. Cair, levantar-se e nunca desistir…”ou conseguimos ou não desistimos”…como diz uma amiga minha. Não há outra opção.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Quem está habituada a um salário fixo no fim do mês e larga tudo para começar o seu próprio negócio deve estar preparada para ter que lidar com algum sofrimento e angustia…nada é fácil. É passar de uma situação confortável para a insegurança permanente. Há que alimentar essa coragem todos os dias, cuidar da sua saúde física e mental e auto-motivar-se com os pequenos sucessos. No final vale MUITO a pena!!!!!

Ana Rita Clara
apresentadora de Tv e empreendedora

Como se tornou numa empreendedora?
Foi um processo natural, faz parte do meu ADN pessoal, mas que fez sempre muito sentido. Tudo começou com uma vontade enorme e muito genuína de fazer mais, melhor e diferente. Começou pelo perfil de comunicar com intensidade e profissionalismo, até criar a minha própria empresa, com projetos inovadores, o lançamento do meu espaço digital, o Ana272, até ao Movimento “Change It”, que procura empoderar pessoas e organizações.
Aproveitei igualmente a amplificação que a minha carreira me permite para dar voz a temas realmente importantes e com os quais me preocupo muito.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
As barreiras são uma constante na vida de qualquer pessoa, faz parte. Uma das principais barreiras que tenho é mesmo conseguir ter tempo para realizar todos os meus planos e desejos. Não é fácil, mas com muito trabalho e dedicação vou conseguindo alcançar as minhas metas. Sei quais são os objetivos que quero cumprir e tento ser o mais focada possível.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
As empreendedoras portuguesas, no geral, têm uma garra muito própria. Existem muitas adversidades no caminho de uma mulher empreendedora portuguesa, mas nós somos muito corajosas e gostamos de bons desafios, de ir mais longe.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Falta talvez algum reconhecimento e ganharem escala nos seus projetos. Também a nossa dimensão enquanto país pode ter alguma influência e isso reflete-se. Mas para mim não existem impossíveis. E sei que nós temos muito valor e vamos continuar a lutar, como sempre o fizemos.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Ser muito focada e saber qual o caminho que queremos percorrer. Definir bem as metas que queremos alcançar, sermos práticas nas nossas decisões e dar tempo ao tempo. Conseguir encontrar a energia certa para crescer, e construir.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Para nunca desistirem, nem nos dias mais complicados, que com trabalho e dedicação, tudo é possível! É normal dormir pouco, é normal ter dias menos bons, é natural o cansaço. Mas faz parte do caminho. Temos de ter estratégias para lidarmos com isso.
E no final, a recompensa é maior. Construir um percurso e fazer as coisas acontecerem é dos melhores prazeres que podemos ter na vida.

Lúcia Piloto
fundadora do Grupo Lúcia Piloto

Como se tornou uma empreendedora?
Comecei a trabalhar muito cedo, aos 18 anos, e descobri logo nessa altura que ser cabeleireira seria a minha profissão para sempre. A minha paixão é o mundo da beleza, gosto de embelezar as pessoas. Abri um pequeno salão numa segunda cave e recordo-me que antes da hora de abertura havia clientes que faziam fila à porta. A partir daí foi com muito trabalho, dedicação e persistência que conseguimos manter e alargar/expandir o negócio. Contei sempre com o apoio fundamental do meu marido, tendo sido ele o impulsionador da abertura do primeiro espaço. Esteve sempre ao meu lado a incentivar-me e ajudar-me a seguir os meus sonhos. Tento evoluir diariamente enquanto profissional, algo que me dá bastante prazer e é este prazer que tenho pelo trabalho que me traz a ambição de continuar. por muitos mais anos.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Diria que o maior desafio que tive a nível profissional foi mesmo a decisão de abrir o meu primeiro espaço. Naturalmente surgiram vários obstáculos ao longo destes 40 anos de profissão e gestão de uma marca própria. Passámos por várias épocas e mudanças do mercado. O grau de exigência hoje é muito maior, há muito mais oferta e temos de tentar elevar sempre a fasquia. Um dos grandes desafios passa por nos distanciarmos da concorrência. Todos os dias temos de inovar e tentar reinventar-nos. Um outro grande desafio remete para a gestão dos recursos humanos. Felizmente cerca de 50% das pessoas das nossas equipas têm entre os 15 a 20 anos de experiência na casa, mas esta é uma área em que existe imensa rotatividade inevitavelmente. Este foi também um dos motivos pelos quais decidimos criar a nossa própria Academia de formação.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
As mulheres portuguesas são determinadas, com garra, visionárias e não baixam os braços. Estamos sempre prontas para encarar novos desafios e é esta ambição que nos faz chegar mais longe.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Acho que cada vez mais se começa a dar valor ao que se faz em Portugal, e penso que isso é transversal às várias áreas de mercado. Estamos ao nível dos melhores mas falta-nos a confiança para reconhecermos isso. No que respeita ao nosso setor, os portugueses ainda têm a mentalidade de que tudo que é estrangeiro tem mais qualidade do que o nacional, que quem dita as tendências são apenas os grandes nomes internacionais. Mas penso que isso está a mudar e a formação, que é cada vez mais valorizada a nível nacional, é precisamente um dos fatores que veio alavancar essa mesma mudança.

Qual a receita para o sucesso de uma empreendedora?
Inovação, dedicação e persistência. Penso que hoje em dia existem muitos mecanismos de apoio à criação de novos negócios. Há muita informação disponível, pelo que se torna fácil para qualquer pessoa abrir um negócio. Mas também é verdade que a concorrência é muito maior e mais forte. O grande desafio é criar um negócio diferenciador que não seja apenas mais um. Para isso é preciso ter coragem, persistência e criatividade. Esta persistência surge se tivermos um gosto enorme pela nossa profissão, que é outro fator fundamental para alcançar o sucesso.
Para mim o apoio familiar é também indispensável. Felizmente tenho uma família muito unida e tenho a sorte de poder trabalhar com ela, sendo que as minhas filhas e marido estão envolvidos no negócio. Somos uma equipa forte e unida, isso faz toda a diferença. Na minha área de negócio penso que também é importante, não só o nosso profissionalismo, como também a forma como nos envolvemos emocionalmente e criamos relações de proximidade e amizade com o cliente.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
O mais importante é saberem, antes de mais, qual é a sua ambição e onde pretendem chegar, ou seja, quais os objetivos. Para isso é extremamente importante investir na formação, informando-se e especializando-se, seja em que área for. Por fim, é perceber e aceitar que tem de se trabalhar muito. É preciso ter uma enorme persistência e foco para se atingir o que se deseja.

Sofia Koehler
vice-presidente da Colquímica Adhesives

Como se tornou uma empreendedora?
Trabalho desde os 19 anos, sendo que conciliei os estudos universitários com o trabalho, por vontade própria.
Integrei a Colquimica Adhesives com a intenção de ficar por um período curto em 2002. A empresa era relativamente pequena na altura. Fazer parte do projeto de expansão da empresa foi um privilégio. Foi um caminho difícil, mas é um orgulho termos chegado onde chegamos. Em 2015 decidi investir, em conjunto com o meu irmão João Pedro Koehler, na compra da empresa aos meus irmãos. A partir dessa data tornámo-nos proprietários da totalidade do grupo.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
As características que me descrevem são sobretudo pró-atividade, positivismo, resiliência, capacidade de ouvir as pessoas e de encontrar soluções de compromisso quando os desafios são mais complexos.
Tenho uma relação aberta com a minha equipa e procuro dinamizar um estado de espírito colaborativo, em que se procura soluções e não se enfatizam problemas.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Têm características muito interessantes. Eu faço parte da Rede Mulher Líder, promovida pelo IAPMEI, em que estimulamos encontros nas nossas empresas, trocamos experiências e discutimos temáticas comuns dos nossos negócios. Encontro muitas semelhanças entre nós, pois a entrega das empreendedoras portuguesas ao negócio, a positividade, a capacidade de comunicação, a proatividade e a capacidade de adaptação a diferentes cenários é algo que admiro nas minhas colegas.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Não encontramos muitas mulheres na liderança das empresas portuguesas, isso é um facto. Na minha opinião, isso não se deve à falta de competências das mulheres mas sim a motivos culturais. Muitas mulheres no passado decidiram que seriam os homens a investir na carreira, para que estas pudessem dedicar mais tempo à família. Essa realidade ainda se reflete na falta de líderes femininas de hoje. No entanto, estou convicta que essa realidade está a alterar-se.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Sou da opinião de que o sucesso vem de uma receita que se compõe por 99% de esforço e 1% de sorte. Além disso, a criatividade, a agilidade e a resiliência são fatores marcantes para o sucesso.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Acredito vivamente que as bases para o sucesso de qualquer negócio são: foco na satisfação dos clientes. Qualquer empreendedora tem de controlar a locomotiva dos negócios que são os clientes; atração e retenção de talentos de forma a criar uma equipa forte e comprometida; investimento contínuo no negócio, em investigação, na melhoria de processos, em formação e em marketing.

Rosário Pinto Correia
intrapreneur e regente de marketing na CLSBE

Como se tornou uma empreendedora?
Deve ter a ver com o meu feitio.Sempre gostei de desafios e de procurar formas diferentes de fazer as coisas que tinham de ser feitas. Talvez porque a minha enorme curiosidade sempre me levou a procurar o porquê das coisas, e porque quando não faz sentido… não resisto a fazer mudar

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Resistência de quem se sente confortável com o “old way”, associada ao meu medo de falhar. E as dificuldades inerentes a todos os processos de mudança…

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Não tenho ideia que nada as distinga de outras…. São sempre pessoas inconformadas, insatisfeitas curiosas …e corajosas!

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Que as portas se lhes abram quando se apresentam, e não fiquem de fora só porque batem à porta de um qualquer Clube do Bolinha. Mas também que tenham de facto vontade, que vão à luta, que façam os sacrifícios necessários, e que não desistam perante as contrariedades

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Saber o que quer atingir.Ter vontade de lutar. Fazer um plano. Ser corajosa. Não desistir. Resiliência!!!!!

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
É duro tentar fazer novo ou diferente. Mas vale a pena, e o gozo que se tem quando se consegue, não tem igual!

Sónia Jerónimo
CEO da Growin

Como se tornou uma empreendedora?
Hoje em dia o termo está muito na moda devido ao fato de estar relacionado com a criação do seu próprio negócio. Como nos últimos três anos temos assistido a um crescimento exponencial deste tipo de iniciativas de negócio próprio, o termo é constantemente abordado e debatido. Para mim pessoalmente, empreendedorismo é muito mais que criar o seu próprio negócio ou empresa. Ser empreendedor é acreditar na sua capacidade de liderança, é estar motivado, ter capacidade de planear para o longo prazo e maximizar o desempenho no curto prazo, seu, da sua equipa e do negócio.
Neste contexto, posso dizer que me tornei empreendedora a partir do momento em que tive a oportunidade disso mesmo: acreditar em mim, na equipa que iria construir, estar motivada e a visão de longo prazo para esse negócio. Isto iniciou-se no final de do ano de 2005. E desde aí, até aos dias de hoje.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Enquanto mulher no mundo das TI´s, confesso que nenhuma relevante. Aliás, sempre fui muito apoiada nestes projetos, quer pelos acionistas quer pelas equipas que construi. Enquanto empreendedora, há sempre as barreiras ou antes desafios que as equipas e o mercado nos lançam. Criar empresas do zero, traz sempre o desafio de crescer rapidamente para obter sustentabilidade financeira a longo prazo. Mas esses são os desafios da gestão e da liderança. Às vezes, aquilo que achamos serem barreiras, estão apenas na nossa cabeça.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
A nossa inteligência emocional. Temos uma forte capacidade de nos colocarmos nos “pés do outro”, o que nos torna fortes na resolução de problemas, geração de consensos e liderança.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Penso que temos muitas mulheres no universo empresarial português. Acho que não se trata de falta de oportunidades. Penso que ainda existe uma questão cultural que não foi ultrapassada por grande parte das mulheres – de que ter família e filhos é incompatível com criar uma carreira de liderança ou empreendedorismo. Este é um tema que apenas nós podemos ultrapassar e resolver nas nossas cabeças.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Receitas mágicas não existem. Posso partilhar a minha experiência. Há duas muito importantes. Foco e resiliência. Focar apenas naquilo que podemos controlar. A resiliência permite-nos seguir em frente em face das maiores adversidades. Foco e resiliência aplica-se no negócio e na vida pessoal. Lado-a-lado conseguimos trilhar o caminho para o sucesso.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Aconselho a minha receita: foco e resiliência. Desenvolver estas capacidades e juntar-lhes trabalho, dedicação, humildade e exemplaridade, teremos mulheres capazes de mover montanhas. Notem que não é tarefa fácil mas não é impossível, embora surjam sempre momentos difíceis. Puxem pela resiliência. Serão precisos anos mas tornar-se-ão empresárias e líderes de sucesso.

Laurentina Gomes
fundadora e administradora do Grupo Liscic/Listopsis

Como se tornou uma empreendedora?
A oportunidade de me tornar empresária surgiu em 1992 quando a multinacional alemã da indústria farmacêutica Hoechst, num movimento de concentração estratégica no core business, decide vender o DEPSI, departamento de sistemas de informação que representava a marca TOSHIBA onde trabalhava na gestão de áreas de importação e de stocks. A equipa de gestão do DEPSI liderada por Joaquim Guerreiro decidiu arriscar e criar a primeira empresa do grupo, garantindo a continuidade do negócio. Estando munidos de uma enorme vontade de criar uma dinâmica empresarial, assim como de um espírito de empreendedorismo permanente, isso permitiu-nos agarrar novas oportunidade e transformá-las em casos de sucesso. Destaco em 1995 o lançamento da Liscic, a única empresa independente a representar em exclusivo a nível nacional a Toshiba. Pelo caminho, e num momento de plena crise, tomámos a decisão de adquirir uma empresa no Porto e lançar a Listopsis em Braga. Passado 25 anos é uma honra estar na génese da criação de duas empresas de sucesso, a Liscic que representa uma multinacional em Portugal há mais duas décadas, a Toshiba, e a Listopsis que em plena época de crise expandiu geograficamente o seu negócio para o Porto e Braga num cenário em que muitos concorrentes desapareceram.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
O principal desafio que enfrentámos foi dirigir um negócio de Sistemas de Informação que estava integrado numa multinacional alemã e fazê-lo a partir da nossa própria empresa, uma PME, construindo uma dinâmica empresarial que conseguisse preservar e aumentar os níveis de confiança dos clientes da Hoechst, continuar a captar novos clientes e fornecedores num mercado muito competitivo. Para isso contámos com o nosso espírito de inovação, conhecimento do mercado, know how do negócio e coragem de arriscar apostando sempre numa lógica de criação de valor, credibilidade e sustentabilidade financeira.
Atualmente diria que o maior desafio é enfrentar como uma oportunidade toda a transformação digital e as novas tecnologias IoT e IA para inovar em serviços de valor, assegurando em simultâneo a motivação permanente das equipas de trabalho num mercado turbulento e competitivo, de rutura tecnológica e que influencia os resultados individuais e das empresas.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Os números e os casos de sucesso dos últimos anos mostram que Portugal é um país de mulheres e homens empreendedores, com espírito inovador e capazes de transformar ideias e oportunidades em empresas e negócios de sucesso. A crise e o contexto internacional abriram novas oportunidades que vieram pôr à prova as nossas capacidades de inovação, trabalho, coragem e resiliência.
Existem vários casos de empreendedoras portuguesas de sucesso, quer porque herdaram um negócio de família e têm de o assumir e expandir, quer porque ficaram numa situação de desemprego e viram-se na necessidade de arriscar o seu próprio emprego ou simplesmente tornarem-se donas do seu destino.
De uma maneira geral, julgo que as empreendedoras portuguesas são mulheres determinadas, assumem o risco de se tornarem empresárias e conduzem os seus negócios de uma forma inovadora.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Às mulheres continua a ser exigido o assumir das responsabilidades familiares e domésticas em maior número do que aos homens. Elas têm o peso da organização da vida pessoal e familiar e, por isso, é necessário incutir desde muito cedo que é possível ser feliz construindo uma família equilibrada e ter uma carreira ou um negócio de sucesso.
Nas empresas, nos negócios e na política temos de caminhar para uma igualdade de oportunidades entre homens e mulheres de forma a que as diferenças sejam cada vez menores. Por outro lado, incentivar as mulheres a entrarem em profissões maioritariamente dominadas pelos homens, como por exemplo as tecnologias.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Não basta identificar uma oportunidade ou ter uma ideia é necessário reunir as competências necessárias para implementá-las e as transformar em casos de sucesso. Para tal é necessária inspiração mas também muito trabalho, determinação, confiança, não ter medo de falhar e, perante a adversidade, não perder o entusiasmo.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Deixo um muito simples: o sucesso constrói-se com muito trabalho, confiança, determinação e entusiasmo e levar em grande consideração o contexto global em que vivemos. Estamos numa era de grande transformação, em que mundo é uma aldeia global conectada a todos os níveis do conhecimento, algo que vem sendo potenciado pelo crescimento do mundo digital e das redes sociais.
Toda esta dinâmica estimula a introdução de novas tecnologias que alteram rapidamente os modelos de negócio sendo necessária uma enorme flexibilidade e abertura para a mudança de forma a continuar a ter sucesso.

Belén Vicente
CEO da Medical Port

Como se tornou uma empreendedora?
Tenho geneticamente um perfil empreendedor. Para mim é natural pensar em negócios novos, criá-los e desenvolvê-los. Foi por gosto, não por necessidade nem por imposição. Gosto mesmo desta vida.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Como mulher nenhuma específica. Como empreendedora, as comuns: encontrar investidores sérios, encontrar parceiros comprometidos, desenvolver a resiliência e aprender a trabalhar com recursos muito limitados.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Não vejo nenhuma característica específica das empreendedoras portuguesas.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Ultrapassar o medo, acreditar mais nelas e nas suas capacidades, arriscar mais. Entender que falhar faz parte do caminho e é bom. Escolher bem quem ouvir.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Muito, muito, muito trabalho, uma cabeça sólida e um corpo saudável e sorte.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Se não estão 100% seguras do vosso produto/ideia parem já e dediquem-se a outra coisa. Se estão, lutem incondicionalmente por ele, com as pessoas certas, enquanto valer a pena.

Felicidade Ferreira
country manager da Primavera BSS

Como se tornou uma empreendedora?
Sempre procurei empreender, particularmente no modelo de gestão das minhas equipas, por isso, poderemos falar de intra-empreendedorismo. Aquilo que faço há muitos anos, desde que tenho como missão liderar pessoas e projetos, é estimular a equipa a ser criativa, incentivar as pessoas a desenvolverem as suas ideias, sem se limitarem a ser meras executantes. Esta é a única forma que conheço de sermos mais competitivos. Considero fundamental que os colaboradores sintam que fazem parte dos projetos e que têm um papel no desenvolvimento dos mesmos. Eu sempre procurei trabalhar com pessoas que gostam de ter autonomia e que a usam de forma a contribuir para a organização como um todo. O facto de eu própria ter conquistado sempre uma grande autonomia junto das chefias que tive ao longo do meu percurso fez-me valorizar muito essa caraterística. É nesta perspetiva que o meu trabalho pode ser diferenciador, na medida em que procuro empreender diariamente, envolvendo a minha equipa num espírito empreendedor.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Eu diria que a principal barreira surge quando as pessoas não estão preparadas para serem autónomas nem para assumir riscos. O ato de participarmos ativamente nas decisões e de nos comprometermos com elas envolve riscos. Eu entendo que nem sempre tomamos as decisões certas mas mais importante do que tomar as decisões certas é decidir e acreditar que estamos a decidir em consonância com a estratégia da empresa. Se não correr bem, temos que assumir e aprender com o erro de forma a não o repetir no futuro.
O desafio mais importante é o de garantir que as pessoas preferem trabalhar desta forma, assumindo riscos, em vez de ficarem nas situações “mais confortáveis” em que não erram porque não arriscam, logo não assumem responsabilidades. Nestas situações, o papel do líder é de extrema importância, pois deve incentivar à manutenção do espírito de compromisso com as decisões, mesmo quando estas se revelam as menos acertadas.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Penso que para se ser empreendedor, e no caso das mulheres ainda mais, é fundamental a resiliência e o foco. Nunca desistir é o mote, mesmo quando os resultados não são os planeados, nessas situações é importante continuar e corrigir trajetórias, se necessário. Mas não se pode desistir. Além da resiliência, o foco é fundamental porque vai ajudar a mantermo-nos na trajetória e, por outro lado, mantém as equipas alinhadas com os objetivos traçados. Não sei se essa é uma caraterística comum às empreendedoras portuguesas, mas é certamente partilhada pela maior parte das empreendedoras que conheço.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Acreditarem em si próprias e eliminarem de vez o estigma de que os cargos de topo são só para homens. As mulheres são tão capazes como os homens, têm plenas capacidades de ascender a esses lugares e mesmo o que antigamente se colocava como um entrave, a maternidade, hoje já não é um tema exclusivo das mulheres, graças à possibilidade de partilha da licença parental.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
A primeira, e mais importante, receita é rodear-se da melhor equipa possível. Se queremos ser intra-empreendedoras é fundamental ter uma equipa que saiba interpretar esta forma de gestão e ter os melhores a trabalhar connosco. Só assim teremos a confiança necessária para dar autonomia e responsabilidade, o que, por seu lado, gera um maior envolvimento da equipa quer nos projetos quer para com a própria organização. A verdadeira receita para o sucesso é, sem dúvida, ter ao lado pessoas ambiciosas, com uma vontade de evolução contínua e permanente.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Ter um compromisso total com a organização e senti-la como nossa.Ter ambição e uma boa dose de competitividade face aos concorrentes. Ser humilde e aprender todos os dias com as pessoas com quem trabalhamos.Ter sempre a melhor equipa a trabalhar connosco.

Juliana Oliveira
CEO da OLIMEC

Como se tornou uma empreendedora?
Nasci assim! Acredito que o empreendedorismo, apesar de poder ser transmitido e refinado em aula, é algo que nasce connosco e que pode, ou não, ser concretizado dependendo muito da nossa educação e, claro, do nosso contexto. Eu cresci na empresa do meu avô, por isso, desde cedo e sem consciência, tinha comportamentos de uma empreendedora: nos escuteiros, nas associações de estudantes, no grupo de amigos, etc. Aos 25 anos, depois de ter trabalhado numa multinacional, despedi-me e decidi que iria “ressuscitar” a empresa do meu avô, com o objetivo de mudar o meu mundo e o dos que me rodeiam.

Quais as principais barreiras que teve, ou tem, de ultrapassar?
Apesar de haver, supostamente, muitas ajudas à criação de empresas, a nossa maior dificuldade foi obter financiamento para começar o negócio. Foi uma verdadeira luta, para conseguir metade do valor pedido ao banco, com nove meses de atraso. Nessa fase é muito difícil conquistar a confiança de qualquer pessoa. Não temos histórico de vendas, de desempenho financeiro, de clientes…Temos que bater a muitas portas até provar que merecemos o respeito dos bancos, dos parceiros, dos clientes. Olham para nós como jovens sonhadores, até provarmos que somos jovens fazedores, com vontade de vencer.
Atualmente, e com quase dois anos de atividade, o maior problema que enfrentamos é a falta de mão-de-obra técnica (ou seja, serralheiros, mecânicos, eletricistas…). Estamos em constante recrutamento, tanto para a nossa sede na Maia como para a nossa delegação sul em Palmela, e é muito difícil encontrar alguém com capacidade para o trabalho em causa. Neste momento, temos em carteira o projeto “Academia OLIMEC” que consiste em formarmos nós os nossos técnicos.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
Acho que não há diferença entre as mulheres e os homens empreendedores em Portugal. São pessoas que vão à luta, persistentes, acreditam e conquistam. Da minha experiência, noto diferenças entre líderes de empresas em Portugal e fora. Pode parecer cliché, mas nós usamos o termo “desenrasque” muitas vezes, e nem sempre se consegue traduzir essa palavra (que nos dá imenso jeito). Nesse aspeto, acho que temos vantagem porque tornamos, sem género, mas com nacionalidade, grande parte das vezes, o impossível, possível.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Há quem não goste de discutir a diferença de oportunidades entre os géneros por assumir (ou querer acreditar) que essa diferença não existe. Mas na minha opinião é muito importante que se discuta o lugar das mulheres nas empresas, porque ainda existem muitas diferenças sim.
Nas empresas as mulheres são muito ativas, porém, pouco visíveis. Habitualmente têm papeis de backoffice, e quem dá a cara é o homem (mas está a mudar, aos poucos). Geneticamente somos diferentes (e ainda bem!), e há um momento da vida em que, inevitavelmente, a mulher tem que se ausentar. Mas todas as outras responsabilidades de casa podem ser divididas e geridas no trabalho.
Acho que o problema ainda está muito nas mulheres (Sim! Em nós!), na nossa sociedade – que felizmente está a mudar a visão tacanha de que as mulheres têm que saber cozinhar, limpar e tratar da roupa – na forma como os casais gerem a sua vida, na exigência das empresas de disponibilidade total dos seus funcionários, e nas políticas que são criadas.
Não acho que a solução seja obrigar as empresas a terem X% de mulheres em cargos de chefia (porque pode haver homens mais competentes para as funções). As políticas têm que ser menos estatísticas e mais qualitativas: educar os mais novos no sentido da igualdade de género, porque é a nossa mentalidade que tem que mudar; fomentar e facilitar a compatibilidade entre a vida familiar e profissional.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
Se houvesse uma receita éramos todos empreendedores bem sucedidos. Porém, a nossa probabilidade aumenta se trabalharmos muito, lutarmos ainda mais e nunca, mas mesmo nunca, desistirmos. É igualmente importante saber falhar e aprender com os erros, para não se repetirem. Com o crescimento a “receita” vai-se aperfeiçoando, mas nós também lhe vamos juntando ingredientes novos.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
Não esperar que alguém faça algo por nós: arranje dinheiro por nós, venda por nós, trabalhe por nós. Nada que vale a pena é dado, pelo contrário, dá muito trabalho. Não esperem pelas ajudas dos outros para se lançarem, porque se esperarem nunca se vão lançar. Se acreditam e têm mercado, trabalhem muito, auto-motivem-se, e vão vencer. Se alguém ajudar, considerem um bónus.

Mariana Torres
national franchisor Portugal da Helen Doron

Como se tornou uma empreendedora?
Para mim foi sempre muito óbvio que iria trabalhar por conta própria. Sou filha de um empresário de sucesso e cresci com as responsabilidades e encantos de gerir uma empresa própria. Estudei Comunicação, fiz um Master em Londres em Media and Art, e quando regressei foi apenas encontrar a área de negócio que me despertasse interesse abrindo a minha própria empresa!

Quais as principais barreiras que teve se ultrapassar?
Iniciei a minha atividade empresarial bastante nova, aos 26 anos. Na altura, não tendo conhecimentos profundos de gestão e contabilidade foi extremamente difícil executar o planeamento fiscal da minha empresa, recrutar e, sobretudo, provar as minhas capacidades e visão, ainda sem resultados que as comprovassem. Ser empresário não é fácil, principalmente esta fase, constantemente em reuniões com potenciais franchisados, parceiros e até amigos. Nem todas as pessoas têm perfil para gerir empresas e a responsabilidade é, por vezes, difícil de suportar. Obviamente que tem as vantagens de liberdade de horário e flexibilidade, mas acarreta também obrigações, compromissos e muitos sacrifícios pessoais. Para além disso, decidi apostar num projeto cujo conceito não é óbvio para todos, o que me obrigou a um esforço comercial enorme.

O que distingue as empreendedoras portuguesas?
A Helen Doron é um grupo internacional, fundado e formado maioritariamente por mulheres. Sem querer recorrer a clichés feministas, penso que o que distingue as mulheres, no geral, é a sua capacidade organizativa. Não sei se as empreendedoras portuguesas são diferentes, pois trabalho com empresárias de outros países que demonstram a mesma garra, determinação e profissionalismo. Penso que em Portugal lidamos com um mercado muito pequeno e competitivo, o que obriga a uma maior capacidade de inovação e constante evolução. Além disso, os horários empresariais em Portugal são desafiantes, principalmente para quem tem família e filhos, pois trabalhamos até muito tarde, sem necessariamente sermos muito produtivos.

O que é que ainda falta para que as mulheres portuguesas tenham um papel mais ativo, mais visível e permanente no universo empresarial?
Honestamente, penso que muito se tem evoluído neste campo. No entanto, há um sempre um facto incontornável na vida das mulheres com o qual nunca poderemos competir com os homens, que se prende com a questão da maternidade. Todas as empresárias que optem por ser mães, obrigatoriamente são obrigadas a abdicar de algum tempo de carreira para se dedicarem aos filhos. No meu caso em particular, esta realidade foi muito desafiante, pois o meu filho tinha apenas três semanas quando regressei ao ativo a tempo inteiro. Perdi e abdiquei de muitos momentos em prol do sucesso e continuidade da minha empresa. São decisões necessárias, mas difíceis.

Qual a receita para sucesso de uma empreendedora?
A maior receita para o sucesso prende-se com o foco e determinação. Ter objetivos concretos, traçar um caminho, planear e replanear estratégias, recrutar e envolver boas equipas e estar constantemente atualizada nos nossos objetivos e em todos os campos empresariais. Existem momentos muito complicados no ciclo de todas as empresas e é sempre um desafio não deixar que a parte emocional interfira com a boa gestão.

Que conselhos pode deixar às novas empreendedoras?
O melhor conselho que posso deixar é o de ponderarem e estudarem bem o mercado antes de tomarem qualquer decisão. A ideia utópica do empreendedorismo não corresponde à realidade. Gerir uma empresa exige um enorme compromisso, muita responsabilidade e bastantes sacrifícios pessoais que só fazem sentido se gostarmos mesmo muito daquilo que fazemos!

 

Chama-se Protechting 3.0 e oferece às microempresas a possibilidade de receberem 10 mil euros de prémio monetário, participação de capital até 350 mil euros, hipótese de integração do negócio na Fidelidade, na Fosun e na Luz Saúde e workshops, aceleração na Beta-i, mentoria e networking.

Depois de duas edições onde estiveram envolvidas 252 startups de 42 países, a terceira fase do programa de captação e aceleração Protechting (3.0) foi formalmente apresentada esta quarta-feira, 28 de fevereiro. “Este programa nasceu de uma colaboração entre a Fidelidade e a Fosun e com a projeção e o apoio da Fosun passou a constituir um eixo fundamental do grupo na área do empreendedorismo”, afirmou o presidente da Fidelidade.

Jorge Magalhães Correia anunciou que, na sequência dos programas anteriores, a Fidelidade avançou com a entrada de capital minoritária nalgumas delas. O mesmo fez a Luz Saúde na Uphill, assim que a pequena empresa captou a atenção do grupo nacional de cuidados médicos com o seu projeto de treino e análise de compliance de profissionais de saúde.

A principal novidade deste ano é que o banco alemão Hauck & Aufhauser passa a apoiar a iniciativa. Além disso, conta com melhorias nas componentes do programa, uma vez que nas primeiras edições “as startups eram muito ‘start’”, de acordo com o presidente da Fidelidade.

“Crescemos ao nível da maturidade das empresas. (…) A edição anterior era muito focada em termos de poupança e era difícil para as startups inovarem neste tema”, explicou Jorge Magalhães Correia sobre o alargamento às temáticas da Healthtech, Insurtech e Fintech.

O programa sofreu um refresh e está “mais internacional, mais digital e mais orientado para pilotos”, haverá mais tempo para as empresas trabalharem em conjunto com as startups, o foco maior no investimento e na análise de potencial e o calendário foi estendido.

A edição de 2017 pode ser resumida nas palavras “internacionalização” e “expansão”. As três melhores startups participarão num roadshow na China terão conhecer equipas de investimento da China e outros players do mercado chinês.“É a ambição de qualquer empresa trabalhar num mercado daquela dimensão”, realça o número um da seguradora portuguesa, acrescentando que, no próximo ano, poderão anunciar novas geografias, como a América Latina.

O Protechting 3.0 vai receber inscrições até ao próximo dia 30 de abril.

Cristina Bernardo

A BTL regressa na quarta-feira para a edição 30. Mais moderna e digital começa a pensar os próximos anos do setor mais dinâmico da economia .

Quando Filipe Cordeiro fez 30 anos decidiu trocar a multinacional norte-americana onde fazia consultoria bancária pelo Turismo. Começou por organizar, ainda em jeito de brincadeira, uns workshops de gastronomia para apresentar Portugal aos estrangeiros e, em pouco tempo, tinha as bases, e o sócio, que fariam nascer a Cooking Lisbon – uma startup que põe os turistas a aprender a cozinhar cataplana, arroz de marisco, bacalhau ou os tão pedidos pastéis de nata.

 Começaram por desenhar “um plano de negócios para dois, três anos” e nunca mais pararam. Das cozinhas próprias saltaram para um pequeno espaço na Rua de Santa Marta e, mais recentemente, arrendaram 125 metros quadrados na Almirante Reis – “perto do mercado de Arroios ou de Alvalade”, onde também levam os turistas.

Só no ano passado, o de todos os recordes para o setor, ensinaram culinária a quase 5000 visitantes estrangeiros. Agora, vão mostrar-se à Bolsa de Turismo de Lisboa, que este ano reforça a aposta na tecnologia e inovação e dá visibilidade aos novos negócios que o bom momento do sector tem ajudado a criar.

Só em 2016, nasceram 1500 startups de turismo. As contas de 2017 ainda se fazem, mas sabe-se que das 160 empresas criadas por dia, a maioria eram negócios de Turismo. Só o Centro de Inovação do Turismo que nasceu para “contagiar a indústria tradicional com a inovação”, ajudou a incubar 250 startups ao longo do último ano. Com o apelo à renovação cada vez mais presente no dia-a-dia da indústria, a maior feira de turismo do país, que arranca esta quarta-feira, em Lisboa, quer acompanhar as novidades.

 “A inovação nunca foi tão importante para o sector e será o fio condutor desta edição da BTL”, conta ao Dinheiro Vivo Fátima Vila Maior, diretora de feiras da FIL, realçando “as muitas startups que estão a desenvolver produtos para este setor”. É por isso que este ano a BTL vai reunir 20 startups que se juntam a hotéis, operadores e agentes de viagens, municípios e regiões de turismo ao longo de cinco dias para se promoverem junto de investidores privados e do público. Este ano, há uma startup estrangeira. “Quisemos que este fosse um ano de tendências”, relata Fátima Vila Maior, por trás da organização do certame, lembrando que as novas ideias estão a contagiar o setor e vão bem além do nascimento de startups. BTL começa na quarta-feira. Conheça as novidades deste ano no turismo “Temos inovação, por exemplo, na hotelaria, e projetos que sendo tradicionais se tornam inovadores apenas pela abordagem que têm perante o cliente”, realça a responsável, que impôs à edição 30 a missão de “antecipar os próximos anos do Turismo”.

Nem sempre foi assim, recorda Raúl Martins, presidente da Associação da Hotelaria de Portugal (AHP). Com um Turismo pouco diversificado e muito dependente do ‘sol e praia’, a BTL era, até há pouco tempo, o espelho do país. “Era muito institucional, eram muito as regiões, a propaganda do destino, e a grande diferença é que hoje temos muito mais presença de grupos privados que estão a investir, mesmo os mais pequenos, e que procuram este tipo de montras para captar os seus clientes”.

 A aposta privada tem sido reforçada ao longo dos anos e a feira tornou-se um ponto de paragem obrigatório. “É onde se pode sair do normal e do que já se conhece”, diz Raúl Martins. É por isso, diz Fátima Vila Maior, que este ano haverá bloggers e influenciadores a contar experiências e a apontar tendências. Dar palco aos nomes que cada vez mais portugueses consultam antes de marcar as suas férias.

Mas no tradicional também há apostas novas, lembra, por exemplo, Pedro Machado, presidente do Turismo do Centro. “O mercado interno continua a ser o de primeira procura para o centro do país e tem as suas grandes manifestações nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto. É a esse público que queremos chegar”. Como? Este ano será pela boca, trunfo que tem forte saída junto de mercados como o Canadá e Estados Unidos, e que o centro procura valorizar. Inovar também é sustentabilidade, diz José Brito, presidente da Câmara da Pampilhosa da Serra, que tem vindo a promover “um centro comercial da natureza onde tudo o que se oferece não se pode comprar na cidade”.

É esta a proposta que têm apresentado aos turistas que os visitam e o que levam à BTL onde são o município convidado. Pavilhão 1 em montagens para a 30ª edição da Bolsa de Turismo de Lisboa. Pequenos passos em direção a “um Turismo que será cada vez mais segmentado e diferenciado”, lembra Fátima Vila Maior, destacando que já lá vai o tempo em que havia uma receita igual para toda a gente. “Temos é de personalizar e há uma coisa que une isto tudo: já temos um país riquíssimo culturalmente, em gastronomia e natureza, mas ainda não dominamos a formação e é isso que temos de alterar”, assume.

Com a indústria a viver uma escassez inédita de mão-de-obra, e com apelos para esta maior profissionalização, o certame da próxima semana vai abrir vagas de emprego em 60 empresas diferentes. Ao todo, a Bolsa de Empregabilidade, que se realiza pela terceira vez consecutiva, vai contar com 10 mil vagas de emprego – para mais e menos qualificados. “Não podemos alterar a gastronomia que felizmente é ótima, a natureza que é do mais diversificado possível com cenários diferentes de norte a sul do país, mas é onde podemos dar especial atenção, porque o turismo do futuro será de segmentação.

Isto não quer dizer que o nosso serviço não seja bom”, detalha a diretora da área de feiras da FIL. Com foco na especialização da oferta, e com vontade de crescer mais em qualidade do que em quantidade, este ano espera-se a maior BTL de sempre – à boleia do melhor ano de sempre do turismo. Serão 1300 expositores, 400 hosted buyers (investidores), 40 destinos estrangeiros, e 75 mil visitantes. Números impensáveis na primeira edição, em 1989, onde se contaram 176 expositores e seis países estrangeiros com presença direta.

 Ana Margarida Pinheiro

 

De certeza que já teve uma boa ideia para abrir um negócio “disruptivo” e diferente de todos os outros. Mas será que essa ideia é exequível?

Se é certo que para estabelecer um bom negócio é preciso ter espírito de empreendedor e uma boa ideia, também é frequente dizer-se que um bom negócio não se faz só de uma boa ideia.

Se tem o espírito empreendedor incutido já deve ter pensado várias vezes em formas de melhorar um negócio já existente ou de criar um novo. O fator crítico que muitas vezes falta aos empreendedores na criação de um novo projeto não passa pela falta de ideias, mas sim pelo sentido de oportunidade.

Todos somos capazes de ter ideias boas, mas o que distingue um grande empreendedor é a capacidade de tornar estas conceções reais, criando um negócio que satisfaz as necessidades de um grupo de pessoas e que , ao mesmo tempo, tenha potencial para fazer dinheiro.

Veja se a sua boa ideia se adequa a estes quatro pontos:

– Relevância: Uma boa ideia tem de ser relevante para resolver um problema ou satisfazer uma necessidade de um grupo de pessoas. Por vezes até preenche uma necessidade que os clientes ainda não sabem que têm (neste caso o desafio é, por norma, comunicar ao cliente a existência do seu produto/serviço).

– Inovação/Singularidade: O que é que o seu negócio tem de diferente de todos os outros? Algo na sua oferta tem de ser diferente do que já existe. Até pode estar inserido no mesmo mercado que os seus competidores, mas tem de haver algo que o distinga da sua concorrência, que torne o seu projeto mais atrativo do que todos os outros. Pode ser no preço, na qualidade, na rapidez de entrega ou na facilidade que o cliente tem de chegar a si, mas tem de haver um ponto de diferenciação que torne o seu negócio mais apelativo.

– Foco: Será que os consumidores vão perceber e aceitar a sua oferta? Tem de ser capaz de fazer com que o mercado se foque no seu produto e de o fazer entender o porquê de querer aquilo que está a vender. Isto traduz-se na oferta de benefícios suficientemente atrativos para que tenha um mercado a comprar os seus produtos.

– Lucrativo: A ideia só é viável se o negócio for lucrativo. Portanto, é de extrema importância que entenda à partida como é que a sua ideia vai gerar dinheiro.

Digamos então que teve uma boa ideia de negócio. Antes de se lançar “de cabeça” para uma nova etapa é importante que perceba as diferenças entre uma boa ideia e um bom negócio.

A sua ideia pode pressupor que existe uma quota do mercado que está recetiva a receber o seu produto/serviço. Independentemente disto, este seu novo negócio pode falhar porque:

– Ao contrário das suas expetativas, não existe mercado suficiente para a sua oferta;
– Há mercado suficiente, mas os concorrentes que já estão inseridos no mesmo espaço podem rapidamente copiar a ideia e eliminá-lo do jogo;
– A procura pelo seu negócio é forte inicialmente, mas por alguma razão desce para o patamar em que já não consegue ter lucro;
– A procura é sazonal e não possibilita uma sustentabilidade anual;
– Não é capaz de produzir a sua oferta a um custo que seja baixo o suficiente para competir com os seus adversários;
– Falta-lhe temperamento, conhecimento, competências ou interesse para gerir um projeto;
– Não consegue financiar o seu negócio para o lançar ou mantê-lo enquanto ainda não gera lucro;
– O negócio está vulnerável a muitos riscos para que consiga garantir a sua sobrevivência a longo-prazo.

Não veja estes pontos como uma desmotivação para lançar um projeto novo. Encare-os antes como informação que lhe pode ser útil para lançar o seu negócio da melhor maneira possível.

Apresentar novos conceitos e modelos inovadores para o turismo é a proposta do BTL Lab & Trends, um espaço que vai receber start-ups.

À semelhança do ano passado, a BTL– Bolsa de Turismo de Lisboa, com início marcado para o próximo dia 28 de fevereiro, lançou o desafio à participação de start –ups integradas no BTL LAB. Trata-se de uma área de inovação (vai estar no pavilhão 2 do evento), dividida em três sectores de exposição. Um deles é o Lab & Trends, uma zona exclusivamente dedicada a start-ups, criadas há menos de três anos que desenvolvam projetos na área do turismo (B2B ou B2C), inovadores, criativos e com maturidade.

Por outro lado, no espaço BTL Tech vão marcar presença empresas que apresentem inovações tecnológicas com aplicações vocacionadas para o sector do turismo, seja ao nível dos serviços seja de plataformas ou softwares. O BTL Stage, por sua vez, vai ser o espaço reservado a talks e apresentações sobre o sector.

Aquela que é considerada a feira de turismo de referência rende-se também à nova onda de empreendedorismo nacional reservando espaço para a inovação tecnológica e para a apresentação de novos modelos de negócio.

A BTL, que cumpre este ano, a sua 30.ª edição, realiza-se de 28 de fevereiro a 4 de março, na Feira Internacional de Lisboa, sendo que os três primeiros dias do evento são dedicados a profissionais.

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