O game designer por trás de 12 Minutes, um jogo inspirado em Kubrick e Hitchcock, apresentou a sua ambição em Los Angeles. Na conferência mais antecipada da E3 2019, em Los Angeles, a Xbox selecionou o trailer de um jogo independente que poderia ser confundido com um thriller passional. 12 Minutes conta a história de um homem preso numa cadeia de acontecimentos que recomeçam continuamente e tem todos os elementos de um mistério: um teste de gravidez, um passado desconhecido, um polícia que entra de rompante e um desfecho que é sempre fatal.

A reação da audiência que estava no Microsoft Theater e assistiu à estreia mundial do trailer foi mais do que entusiasmada.

 Online, muitos comentaram que este era um dos jogos desconhecidos mais interessantes apresentados na conferência. Por detrás dele, o nome do português Luís António, um criador de videojogos que está determinado em tornar este título um sucesso mundial. “O grande objetivo é fazer algo que seja uma experiência, algo como um bom livro ou um bom filme”, diz o autor ao Dinheiro Vivo.

“É algo que abre a curiosidade, que requer um esforço do lado do observador para tentar juntar as peças e ver se vale a pena saber mais.” Luís António, 37 anos acabados de fazer, é pouco conhecido no panorama nacional mas tem no currículo algumas das maiores referências da indústria. Trabalhou na Rockstar Games, responsável por inúmeros cenários e personagens do jogo Manhunt 2, e foi depois para a Ubisoft, onde passou de artista principal a diretor de arte.

Mais tarde, passou vários anos a trabalhar com Jonathan Blow no jogo The Witness, da Thekla, o que lhe rendeu bastante reconhecimento. “A razão pela qual saí de Portugal há 15 anos e andei por muitas companhias é que não havia indústria”, explica. A ideia por detrás de 12 Minutes surgiu há seis anos e foi um projeto solitário, que desenvolveu no tempo livre enquanto trabalhava em The Witness.

A viver em São Francisco, começou a dedicar-se em exclusivo ao seu próprio jogo há dois anos, em parceria com a Annapurna Interactive. E agora, com financiamento, uma equipa de animadores, sound design, músicos e o apoio da Microsoft, prepara-se para lançar 12 Minutes no início de 2020.

O jogo será um exclusivo da Xbox nas consolas e terá versão PC/Mac, ainda sem preço final determinado. “Trabalhei sozinho e quando vi que o conceito tinha potencial comecei à procura de investimento e parcerias, para poder realizar isto com qualidade sem ter de hipotecar a casa e fazer dois trabalhos”, recorda.

 “É a história de um homem que chega a casa, está a jantar com a mulher e um polícia aparece, acusa-a de matar o seu pai, ataca e volta tudo ao início”, descreve. “Tens 12 minutos em tempo real para tentar resolver isto.”

 O conceito tem atraído interessados porque se destaca do videojogo típico. “É um thriller interativo, não é um jogo”, sugere Luís António. “Um jogo é algo em que tens pontuação, ganhas ou perdes, existe um conjunto de regras e estás a jogar para te divertires.” Mas aqui, argumenta, existe uma mensagem.

Não é apenas uma vertente monetária ou de entretenimento puro. Se fosse um filme, seria inspirado em The Shinning, não em Velocidade Furiosa. Luís António acredita que será possível cativar o interesse de pessoas que não são jogadores habituais – porque esses, como foi visível durante a E3, já compraram a ideia.

 É por isso que o ponto de vista é de cima para baixo, de onde se vê todas as divisões do apartamento onde acontece a ação. “O top down é muito fácil de navegar. Qualquer um pode jogar.” O que pode ser desconcertante para muitos é que o jogo não dá instruções. “Metemos-te nesta situação e és tu, como jogador, que tens de tentar descobrir o que fazer. É muito aberto”, explica. As demos mostram que há um número elevado de possíveis combinações e a forma como cada pessoa desenvolve o jogo está relacionada com a sua experiência, tornando o gameplay personalizado. Luís António calcula que alguém que é bom em jogos de aventura e puzzles demorará seis a oito horas a chegar ao que poderá considerar uma “conclusão satisfatória”.

 Colocar Portugal no mapa O mercado português de videojogos já teve vários altos e baixos nas últimas duas décadas, mas algo que continua a faltar é capacidade de financiamento e visibilidade internacional.

 “Conheço muitos games devs e eles dizem que investimento em Portugal é dificílimo. Ninguém acredita”, conta Luís António. E isto apesar de bons exemplos recentes, como Strikers Edge (Fun Punch Games), PuzzIAR (Bica Studios) ou Syndrome (Camel 101), entre outros jogos portugueses lançados nos últimos anos. “Um dos meus objetivos é expandir a indústria portuguesa dos jogos”, diz, reconhecendo que o segmento “está a começar a crescer”.

O seu sonho é voltar a Portugal e abrir um estúdio, se 12 Minutes tiver sucesso. Ainda assim, partilha uma lição: “Uma coisa que aprendi foi a não promover os estúdios, promover pessoas. Porque os estúdios abrem e fecham.” Mais do que vestir a camisola, diz que quer contribuir para fazer “algo que mostre que os portugueses também têm talento”, construindo uma equipa e capitalizando no know-how que adquiriu em 15 anos de mercado internacional. Para já, está a terminar a animação e o áudio do jogo, a gravar vozes com os atores e a fazer pós-produção.

No próximo ano, pretende fazer o circuito dos eventos de videojogos internacionais e passar por Portugal. Sublinha a importância da projeção conseguida com a Xbox e a ajuda da Annapurna Interactive, ambas essenciais para pôr 12 Minutes no radar. “A Microsoft acredita no projeto e está a apoiá-lo”, sublinha. Mais tarde, acredita, “a visibilidade deste jogo pode ajudar a comunidade indie portuguesa”.

FONTE:  (FOTO: D.R.) Ana Rita Guerra/DINHEIRO VIVO

O programa desafia as empresas a apresentarem projetos de prevenção e recuperação dos impactos das alterações climáticas nas redes elétricas. As inscrições são até ao final deste mês.

Descobrir e apoia ideias inovadoras e que ajudem a combater o impacto das alterações climáticas, é o mote do Startup Challenge, um programa que a Iberdrola anunciou ontem no mercado nacional. Este concurso, cujas inscrições decorrem até ao dia 30 de junho, desafia os empreendedores e a comunidade de start-ups a apresentarem as suas propostas para ajudar combater o impacto das alterações climáticas e dos fenómenos meteorológicos na rede elétrica.

Na origem desta iniciativa está o facto de o aumento da temperatura e os fenómenos meteorológicos adversos constituírem um desafio para as operadoras de redes elétricas devido aos danos e interrupções que podem causar. Nesta medida, a Iberdrola quer avaliar ideias que possam ajudar quer na prevenção de problemas quer na recuperação da própria rede caso esta seja afetada por este tipo de fenómeno.

Planificação, operação, manutenção e engenharia para monitorizar e gerir melhor os ativos elétricos antes de serem danificados, são algumas das áreas abrangidas pelo concurso. A par destas, as ideias a concurso também podem incluir soluções que contribuam para minimizar o impacto da interrupção do fornecimento em residências e empresas.

As soluções propostas deverão implementar tecnologias de vanguarda, tais como big data, analytics e o uso de drones.

O projeto vencedor do Startup Challenge terá a oportunidade de concretizar um teste-piloto, combinando as suas competências com os recursos e conhecimentos de mercado da Iberdrola.

Caso esta fase de piloto seja bem-sucedida, a start-up vencedora poderá tornar-se fornecedora da Iberdrola. Além disso, a através do seu programa de start-ups PERSEO, a Iberdrola avaliará a possibilidade de investir no capital da vencedora.

Agustín Delgado, diretor de Inovação e Sustentabilidade da Iberdrola, lembra que que “uma ótima ideia no papel pode tornar-se rapidamente num elemento-chave da atividade quotidiana de uma empresa, se contar com o apoio e a orientação adequados”.

Por isso, acrescentou, em comunicado, que ajudarão “a concretizar com êxito as ideias numa fase de teste até que estas cheguem à formalização de um acordo de fornecedor. Em última análise, um conceito que melhore os nossos processos pode acabar a ser procurado por empresas de redes elétricas em todo o mundo”.

É o mais recente espaço para startups, em Lisboa, e está a criar buzz no ecossistema empreendedor português. Inaugurada no final do ano passado, a Casa do Impacto é o hub de inovação social e empreendedorismo da Santa Casa da Misericórdia, instalada no Convento de São Pedro de Alcântara, em pleno Bairro Alto, de frente para o miradouro.

Tem uma missão: ajudar empresas de impacto social. “Eu refiro muito o impacto e não o empreendedorismo social, porque acho que o empreendedorismo social é uma definição que está um bocadinho mais ultrapassada, porque remete muito as pessoas para non profit, para associações e cooperativas.

E o drive das startups que temos aqui é fazer dinheiro, como todas as outras. A diferença é que querem criar impacto social ou ambiental no meio onde se inserem,” explica ao Dinheiro Vivo, Inês Sequeira, diretora da Casa do Impacto.

Ajudar estas empresas que pretendem mudar o mundo é o mote da instituição que está, por isso, a lançar um programa de aceleração em nome próprio: o Rise for Impact.

O objetivo é ajudar startups numa fase inicial a transformar as suas ideias em soluções viáveis. Serão dez as startups escolhidas e o critério principal é que os projetos respondam aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da Agenda 2030 da Organização das Nações Unidas.

O programa, cujas candidaturas estão abertas até ao dia 14 de junho, vai decorrer em três fases: Bootcamp, Capacitação e Incubação. O Bootcamp terá lugar num fim de semana para um número alargado de startups candidatas.

 Daqui sairão as 10 selecionadas para a Capacitação, fase que terá uma duração de dois meses. Por fim, os três projetos mais bem classificados passarão para a Incubação, que durará quatro meses.

As startups que participarem na fase de Capacitação e Incubação terão ainda acesso a bolsas mensais, bem como a mentoria da Casa do Impacto. “O nosso objetivo é criar um pipeline cada vez maior de startups de impacto social”, sublinha Inês Sequeira. “Há uma tendência cada vez maior para este tipo de negócios e, apesar de nos Estados Unidos já terem percebido que esta tendência pode ser vantajosa, em Portugal ainda não há essa perceção”.

Marta Velho/DINHEIRO VIVO

O autor e empreendedor esteve em Lisboa a alertar para os perigos da revolução digital.

Sem papas na língua, de ar decidido, Andrew Keen tomou o palco do Lisbon Investment Summit, esta quinta-feira em Lisboa, para traçar um cenário negro sobre o atual estado do avanço tecnológico no mundo. Crítico aberto da chamada revolução digital, o escritor e empreendedor, de nacionalidade norte-americana e britânica, foi o cabeça de cartaz do primeiro dia do evento.

 “Estava a ouvir o vosso Secretário de Estado a falar e realmente o que Portugal fez na época dos descobrimentos foi incrível. Vocês foram um dos pioneiros da globalização”, afirmou, referindo-se ao discurso do João Torres, Secretário de Estado da Defesa do Consumidor, que falou antes dele.

“Só que, para além dos feitos heroicos, há também um lado negro dessa história: o do colonialismo, da escravidão, da exploração, da guerra das colónias. Gostem ou não, é assim a realidade. Todas as transformações combinam o melhor e o pior do ser humano. E com a revolução tecnológica é igual”.

 Na década de 90, Andrew Keen fundou o Audicafe, um sistema integrado de entretenimento que permite ouvir música em todas as divisões da casa, incluindo no exterior. Sediado em Silicon Valley, recebeu financiamento para o projeto de empresas como a Intel e a SAP. “A minha ideia era igual à de qualquer empreendedor: fazer dinheiro e mudar o mundo para melhor”, conta.

 “Só que nos anos 90, a internet estava a começar e todos nós achávamos que ia ser algo de incrível, que ia destacar o melhor da condição humana, dando força aos pequenos empresários, reforçando a democracia. Estávamos a criar uma rede global e civilizada. Hoje, cerca de 20 anos depois, vejo que falhámos redondamente”. Quando questionou a plateia da sala, lotada, a maioria das pessoas parecia concordar com ele.

 “O que se passa é que a tecnologia está moldar-nos em vez de sermos nós a moldá-la a ela”, sublinhou. O escritor deu o exemplo das grandes tecnológicas, as multinacionais de muitos milhões que são quem dominam o mundo atualmente e recebem uma fatia enorme de todo o dinheiro disponível atualmente.

 “É a cultura do «vencedor leva tudo». A tecnologia acentuou todas as desigualdades. Vejam o caso da Uber. Em São Francisco os mais ricos já nem se dão ao trabalho de ter carro, usam Uber para todo o lado. Mas o dinheiro vai para a companhia. Os motoristas recebem abaixo do ordenado mínimo e muitos são obrigados a viver nos seus carros. Esta ideia da economia partilhada assenta em tudo menos na partilha,” explicou.

A democracia tem sido, para Andrew Keen, uma das principais lesadas do avanço tecnológico.

“As campanhas eleitorais são adulteradas, há fake news por todo o lado e bots russos a controlar o que fazemos, como se o mundo pertencesse a Putin e aos seus minions”. De novo, o escritor reforçou a culpa de empresas como Apple, Amazon, Google ou Facebook. “Se as pessoas pagam por comida e roupa, porque não pagar também por tecnologia? Pensavam que usavam o Google e o Facebook à borla? Estão a pagar com a vossa identidade. Estas plataformas espiam tudo o que fazemos. Sabem mais de nós do que nós próprios.” How to fix the future Na sua mais recente obra “How to fix the future” (sem tradução para português), lançada no ano passado, Andrew Keen apresentou as soluções para este problema. Partilhou-as com a plateia do Lisbon Investment Summit.

“Para começar é precisa legislação. Os gigantes de Silicon Valley venceram pela falta de leis neste setor”, explicou o autor, sublinhando que a Europa tem sido pioneira nesta matéria.

 “O trabalho de Margrethe Vestager tem sido incrível e a lei da proteção de dados, não sendo perfeita, é um bom começo. E os EUA estão a seguir os passos dos europeus. Atualmente, quase todos os dias vemos no New York Times histórias de pequenos governos a multar as grandes tecnológicas”.

Depois, falando para os investidores e empreendedores da plateia, pediu-lhes responsabilidade. “Temos que aprender com o caso Zuckerberg, que é um mentiroso em série. Não há mal nenhum em querer ganhar dinheiro, mas não precisamos de alienar o mundo. Ter milhares de milhões é bom, mas ter só alguns milhões também é bastante porreiro.

” A solução também passa pela inovação e pelo envolvimento dos cidadãos, acredita Keen. Mas muito importante, referiu, é também a educação. “O sistema educativo atual é feito de cima para baixo, a favorecer a globalização mas não o pensamento individual. Não precisamos de pôr todos os miúdos a aprender programação. Temos é de lhes estimular a criatividade”, concluiu.

FONTE: DINHEIRO VIVO/Marta Velho

As diferenças entre Lisboa e Toronto e entre Web Summit e Collision, as alternativas à FIL e a mudança para Lisboa, em setembro. Paddy Cosgrave em entrevista ao ECO.

O Web Summit celebra em novembro a quarta edição em Lisboa mas estes foram dias de estreia em Toronto. A equipa de Paddy Cosgrave mudou-se para a capital do estado do Ontário depois de abandonar Nova Orleães para montar a Collision, conferência que contou com 25 mil participantes e uma comitiva portuguesa de peso, entre instituições, câmaras e startups.

O CEO e cofundador da Web Summit, empresa organizadora do evento com o mesmo nome, em Lisboa, do Collision — direcionado para a América do Norte — e do Rise, virado para o mercado asiático, conversou com o ECO sobre o modelo de negócio, as perspetivas de crescimento em Lisboa e a polémica entre a autarquia e a AIP, entidade gestora da FIL. E a ambição de trazer Cristiano Ronaldo no evento deste ano.

Web Summit e Collision: o mesmo modelo de negócio e um evento semelhante mas com marcas, mercados e escalas diferentes?
São eventos de dois tipos diferentes: o Web Summit é hoje um Mercedes, um BMW, Série 7 ou 8. É dos grandes. E o Collision é, por agora, como um pequeno Citroën.

Mas a ideia é que cresçam?
A ideia é que cresçam. Na verdade o Web Summit é um caso anómalo. Vindo a Toronto e tendo estado em Lisboa, percebe-se que aqui Portugal é uma pequena parte da história, com o lounge, e que o Canadá é a história. É vindo ao Collision que damos conta da quantidade de coisas que se passam no Web Summit e em Portugal. Lá, a história é sobre Portugal, e é bastante impressionante como o local importa. A junção de localização e evento tem força, é uma combinação poderosa.


Paddy Cosgrave, CEO e cofundador do Web Summit com Justin Trudeau, primeiro-ministro canadiano, no dia 1 do evento, em Toronto.
Stephen McCarthy/Collision via Sportsfile
Tendo essas características como base, Web Summit e Collision, por mais que cresçam nunca serão eventos iguais porque vão buscar ao ADN de cada local…
Sim, exatamente. Portugal é uma espécie de infusão com o Web Summit. É único, como um pastel de nata, e é algo que não se pode obter de outra maneira nem noutro local. O Collision é diferente, e há várias razões para ser diferente. Este foi o primeiro ano, tivemos problemas com a internet, o venue assumiu toda a responsabilidade e vão indemnizar todos os expositores. Isto é um bebé, uma criança de dois anos.

Em Lisboa, a Altice tem características únicas, tem boa wi-fi, boas instalações. O Web Summit é mais maduro, um adolescente responsável e especial. Ainda assim, com alguns anos ainda de amadurecimento pela frente.

Ficou surpreendido com as polémicas entre a FIL e o presidente da Câmara de Lisboa? Ou era algo de que já estava à espera?
Se leres jornais em qualquer país, isto é apenas… política. Confio plenamente no presidente da Câmara de Lisboa, qualquer lado do espetro político em Portugal reconhece que o Fernando Medina é um homem muito capaz e eu tenho plena confiança nele. Na política, em qualquer parte do mundo, há sempre questões. Faz parte da natureza de ser político.

Sobre a polémica entre a câmara de Lisboa e a AIP? Isto é apenas… política.

Não está preocupado?

Não. Na próxima semana, no próximo mês, haverá outras questões. A zona ribeirinha da cidade, as pontes, as árvores, as escolas. Nunca tivemos problemas no passado, e, tendo tantas opções, não há razão para estarmos preocupados.

Quais serão as principais alterações no Web Summit deste ano?
Estive no Estoril, observei a experiência de catering, e gostava muito de fazer uma coisa semelhante no Web Summit, se não for já este ano, no ano que vem. Para que qualquer executivo senior em Portugal possa ter uma experiência de startup. A comida é uma das nossas grandes ambições para este ano.

 

Outra é aumentar a participação de mulheres empreendedoras, vindas de todo o mundo. No Collision tivemos maior participação feminina do que em Lisboa, 45% versus 42%, ainda que os números sejam semelhantes. Queria levar ao palco do Web Summit empreendedoras de, por exemplo, todos os países africanos. Temos uma série de anúncios, mas vamos guardar as novidades para mais perto do evento.

E o Wine Summit, sempre arranca este ano?
Fomos contactados por vários produtores, tivemos convites para irmos às suas vinhas e adegas. Fui conhecer a fábrica da Delta e a adega, não tenho a certeza que haja muitas empresas como aquela pelo mundo. Numa terra pequena o impacto ao nível do emprego, é incrível. Fazem várias coisas, a família está envolvida.

Estamos a planear um evento dois dias antes do Web Summit para trazer 500 empreendedores dos mais interessantes em early stage. O que percebemos nos últimos anos foi que muitas das maiores empresas do mundo foram percebendo o quanto podem aprender das mais pequenas e mais rápidas. Se és uma empresa com 50 anos, o maior desafio é a velocidade. No caso da Siemens, por exemplo, enviam 100 dos seus managers de todo o mundo para o Web Summit. Porquê? Literalmente porque querem que eles experimentem essa energia com que estas pequenas empresas estão a trabalhar. Claro que muitas vêm apresentar e demonstrar produtos mas grande parte delas quer mostrar aos seus líderes emergentes e levá-los a aprender, a experimentar, a conhecer pessoas. Para nós, isso significa dar mais visibilidade às empresas em early stage porque é aí que toda a energia está.

E talvez ter o Cristiano Ronaldo no Web Summit… essa é a minha ambição. É um jogador que está nos seus anos mais maduros, é um homem de causas, acho que poderia ser um convidado de peso. Já passaram três anos desde que estamos em Lisboa, é o momento.

"Muitas das maiores empresas do mundo foram percebendo o quanto podem aprender das mais pequenas e mais rápidas. Se és uma empresa com 50 anos, o maior desafio é a velocidade.”

Vai mudar-se para Lisboa em setembro…
Não posso fazê-lo em julho ou agosto, desculpa…

Porquê?
Eu adoro Portugal mas é demasiado quente nessa altura do ano. Se vivesse na costa, perfeito. Mas quero estar em Lisboa, então… Arrendei um espaço perto do escritório.

A mudança seria uma boa oportunidade para mudar a sede do Web Summit para Lisboa?
É uma boa pergunta. Estamos a alargar a equipa e acredito que a cidade é ótima para fazer crescer a equipa. Temos vários portugueses em Dublin e até um fenómeno português: às 14 horas, basicamente os portugueses não bebem o café irlandês e, em vez disso, pegam nos copos pequenos e vão à máquina da Delta. É como uma religião. Temos um “Portugal Pequenino” dentro do escritório, em Dublin, e vamos continuar a crescer. Pela primeira vez temos essa segurança de poder planear o evento a 10 anos, e poder pensar realmente como queremos estruturá-lo a longo prazo. Temos milhares de ideias, e vários anúncios para fazer.

Mas mudar a sede…

Acho que poderia ter dupla localização, em Lisboa e em Toronto também. As empresas são remotas, há estruturas que não têm escritórios, e são globais. Vivemos num mundo em que o trabalho está a mudar, há pessoas a trabalhar remotamente a toda a hora, de qualquer parte do mundo, em espaços de cowork. Temos uma política de flexibilidade muito aberta e não queremos saber de onde as pessoas trabalham, desde que o trabalho apareça feito. O mundo está mudado, toda a gente está no Slack. Se amanhã vier um trabalhador do Web Summit dizer-me que quer trabalhar de Sagres no próximo mês, por mim é ok. Não me importo, desde que o trabalho fique feito. Posso estar errado mas acho que esse será o caminho.

Escreveu no Twitter que acompanhou a visita a Lisboa do maior construtor de espaços de conferências do mundo. Com que objetivo?
Independentemente de se o venue for expandido ou construído de raiz, provavelmente quereremos envolver os melhores do mundo para fazê-lo. Lisboa tem um potencial de expansão grande ainda. Na verdade, por questões históricas a cidade, a câmara ainda tem muita terra na cidade, deve ser um caso único na Europa o que, para uma cidade, cria muitas oportunidades, não apenas para um centro de congressos mas para outras coisas. Acho que estamos a desenvolver muitos projetos na frente ribeirinha, e isso seria um pesadelo noutras cidades que não tivessem a posse de muitos desses terrenos. Temos muita sorte mas qualquer que seja o outcome, as opções são todas vantajosas. Não estou preocupado.

Durante 20 anos houve planos para construir algo maior e, durante esse período, muitas cidades mais pequenas construíram espaços cinco ou seis vezes maiores dos que os que tem Lisboa e, muitos deles com aeroportos regionais. Lisboa é provavelmente a cidade maior da Europa com o espaço mais pequeno, e isso significa vários eventos grandes que, ao longo dos anos, não consideraram a capital portuguesa como possibilidade.

"A escala do Web Summit até ao alargamento da FIL vai ser a mesma, talvez durante dois ou três anos.”

Uma das grandes questões para muitas cidades europeias que têm muitos turistas é: fazemos crescer o número de turistas ou o tipo de turistas que mais têm impacto na economia? Podendo escolher, preferiria turistas que gastam 30 euros por dia ou os que gastem 800 euros por dia? Se olhares para os participantes em conferências eles gastam, em média, cinco vezes mais por dia do que um turista, porque um turista está com o seu orçamento pessoal, pode estar em família. Em eventos profissionais a perspetiva é diferente porque estão a tentar impressionar clientes e parceiros. Por isso é que cidades como Valência investiram tanto, porque os restaurantes, os motoristas de táxis e outros transportes, hotéis, todos ganham.

O impacto económico do Web Summit em Lisboa está a crescer?
A minha previsão é que sim, está a crescer, mas a escala do Web Summit até ao alargamento da FIL vai ser a mesma, talvez durante dois ou três anos. O que para nós é uma oportunidade de respirar e fazer uma série de melhoramentos. Se o evento fica maior, obviamente que o impacto cresce, mas isso dependerá do venue. Não há maneira de agora o fazer maior.

FONTE; Mariana de Araújo Barbosa/ECO

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