As estratégias de marketing são essenciais para qualquer empresa, mas no caso das start-ups é preciso ter algumas preocupações adicionais porque tudo é experimental. Se é um marketeer, saiba como ser bem sucedido neste tipo de empresa.

Estar no radar dos investidores ou angariar financiamento relevante não é garantia de imunidade ao fracasso. As empresas, grandes ou pequenas, falham. E se ter uma equipa de investidores a dar apoio ao nível da gestão pode ser importante para minimizar o risco, não é garantia de que os empreendedores consigam fintar as adversidades e levar os seus projetos além do vale da morte por onde passam todos os negócios.

De acordo com a McKinsey, por exemplo, a percentagem de insucesso da start-ups de software é de 92% nos primeiros três anos. E porque falham as start-ups? Uma pesquisa da CB Insights sobre o que leva as start-ups a falharem aponta como principal razão o não ter clientes. As start-ups falham quando não resolvem um problema de mercado ou mesmo um problema grande o suficiente para que as pessoas estejam dispostas a pagar pela solução.

Para Colin Lewis, CMO da OpenJaw Technologies e colunista da Marketing Week, “quando as coisas não correm bem, não é por causa do CEO. Nem do CTO ou da gestão de produtos, que desenvolveu um produto que não funciona. Não é culpa do responsável de vendas, por não conseguir vender. Tínhamos grande tecnologia, ótimos dados, grande expertise, grandes conselheiros – então eles não são a razão do fracasso. Não, você tem de ter bodes expiatórios – e a culpa é do marketing”.

“Há uma classe de start-ups na qual os profissionais de marketing se poderiam concentrar: as scale-ups [são empresas que cresceram durante os três últimos exercícios a uma taxa anual superior a 20% em número de trabalhadores ou faturação]. Grande parte da confusão da fase de start-up está concluída e é provável que haja um modelo de negócio sustentável. As scale-ups podem ser menos arriscadas e oferecer mais oportunidades. Sim, você pode ter fundadores de micro gestão, problemas de fluxo de caixa, caos e má comunicação, longas horas, etc, mas não é como se estes não existissem nas grandes empresas. Todos os ambientes vêm com risco”, revela o responsável.

Lewis apresenta sete dicas que os marketeers devem ter em conta para dar o salto numa start-up.

1.Certifique-se que tem uma “mentalidade de crescimento”
O marketeer Matt Lerner, exfundador da start-up Paypal, diz que o maior fator de diferenciação é a “mentalidade de crescimento”. Na escola, na universidade e na maioria dos empregos, as pessoas são recompensadas por fazerem muito trabalho e não cometerem erros. Numa start-up, os erros são inevitáveis. É mais importante escolher o trabalho certo – concentrar-se em coisas que podem ter impacto, mover-se rapidamente e aprender com os seus erros.

2. Não desperdice o que aprendeu
“Eu sei por experiência própria que muito do que aprende numa empresa maior com muito mais história pode ser realmente valioso – mas pode não ser capaz de aplicá-lo diretamente numa start-up ou scale-up. Muito do que você sabe é específico da situação; por exemplo, será que uma determinada campanha só funciona se for o líder de mercado?”, questiona Lewis.

O truque é saber o que manter, o que modificar e o que deitar fora. O CMO da OpenJaw Technologies recomenda que a introdução de processos adequados de planeamento de marketing, orçamento e aprovação seja o mais importante a implementar.

3. Trabalho duro é trabalho duro, não importa onde esteja
Trabalhar numa start-up é um trabalho árduo e com longas horas. Para ter sucesso em qualquer lugar, terá que trabalhar muito, apesar do que as pessoas dizem do equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal.

4. Reinvente-se
“Muitas start-ups e scale-ups exigem competências de marca e de digital. Se tem as primeiras, mas não as segundas, trabalhar numa empresa de rápido crescimento com uma oferta digital ou de comércio eletrónico pode mudar a sua carreira. Este foi o caminho que utilizei. Escolhi especificamente trabalhar numa start-up de comércio eletrónico financiada por capital de risco. Essa experiência de 15 anos ou mais ainda está a valer a pena hoje”, conta Lewis.

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5. Escolha os vencedores
“Embora, nós, os marketeers, não sejamos tão bons a escolher vencedores como os capitalistas de risco, podemos seguir o dinheiro. Fique atento a empresas de ‘setores quentes’, como fintech ou alimentos, que receberam muitos fundos de capital de risco para expandir – e direcionar essas empresas”, sugere.

6. Pode testar e aprender
As start-ups permitem que experimente as suas ideias, aprenda com as suas próprias lições e ganhe responsabilidade, em vez de ter que seguir uma prática estabelecida. Matt Lerner, exfundador da start-up Paypal, ressalta que “numa start-up, não há um manual, e o seu trabalho é descobrir como vai construir e fazer crescer o negócio – escrever no manual. Então isso significa fazer muitas coisas que não vão funcionar. O sucesso vem de testar de forma inteligente, falhar rapidamente e aprender com cada passo em falso”.

7. Encontre algo em que esteja interessado
Se está numa missão e considera que o produto ou os ideais por trás da start-up são interessantes, então pode ser uma combinação perfeita. As start-ups recompensam a paixão e a intensidade, muito mais do que muitas empresas.

 

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