O Banco Central Europeu está a seguir uma estratégia que limite o impacto das mudanças monetárias nos mercados. Ainda assim, quando as taxas de juro abandonarem os mínimos históricos terá impactos (positivos ou negativos) nos investimentos.


As taxas de juro de referência da zona euro deverão abandonar os atuais mínimos históricos no próximo ano, segundo o consenso do que os analistas esperam que seja o curso da política monetária do Banco Central Europeu (BCE). A inversão vai influenciar a rentabilidade dos ativos e João Zorro, responsável da área de Obrigações da GNB Gestão de Ativos, explicou ao Jornal Económico quais os melhores formas de antecipar a onda de mudança.

“Como resultado do atual desempenho do crescimento económico, espera-se que a prazo (2019) as taxas de juro na Europa entrem numa fase de ‘normalização’ e isso implica cuidados extra na gestão de ativos financeiros”, referiu João Zorro.

O responsável da área de Obrigações da GNB Gestão de Ativos explicou que desde que o BCE iniciou o programa de compra de ativos, em março de 2015, e a taxa de juro diretora caiu para mínimos históricos, um ano depois, os mercados de ações, dívida pública e dívida corporate têm vindo a valorizar.

No entanto, lembra que a sustentabilidade destes ativos quando o inverso de passar – retirada de estímulos por via do final do programa de quantitative easing e a subida das taxas de juro – não será garantida.

“A normalização do processo de política monetária europeu irá seguir a da Reserva Federal – primeiro termina-se o programa de compras de ativos e depois inicia-se a subida gradual das taxas diretoras”, afirmou. “A inflação não é para já um tema que obrigue o BCE a acelerar o processo de normalização. Assim, este deverá continuar com uma atitude de paciência e a conduzir este processo de forma muito pensada. Se assim for, os investidores terão tempo para se adaptarem e o impacto será menos sentido”.

Quais os investimentos que deverão beneficiar da inversão?

Ações de bancos e seguradoras

João Zorro considera que os ativos mais expostos ao crescimento económico serão os que poderão continuar a beneficiar de uma valorização positiva, mesmo num ambiente de subidas de taxa de juro. Dá o exemplo do setor acionista financeiro (bancos e seguradoras) que tiram partido de um duplo efeito – melhoria das margens financeiras e da redução de incumprimentos por via dos empréstimos às empresas e famílias que beneficiam de uma melhoria da economia. Refere ainda o setor acionista cíclico, que está positivamente correlacionado com o ritmo de crescimento económico, como é o caso das utilities ou imobiliário.

Obrigações indexadas à Euribor

Na componente de dívida, o analista do GNB Gestão de Ativos aponta para as obrigações que têm o cupão indexado às taxas Euribor. Também refere as obrigações indexadas à inflação (que serão mais beneficiadas quanto mais surpreendente for a subida dos preços) e as obrigações que apresentam uma forte correlação entre o crescimento económico e a perceção de risco de incumprimento, ou seja, alguns setores ou emitentes do universo high yield e divida subordinada do setor financeiro.

Ativos de risco limitado

Zorro acrescenta que o pressuposto base de todas estas ideias é a que a normalização das taxas de juro não será feita de uma forma apressada e mal comunicada, para não causar choques no mercado. Ainda assim, há riscos. “Os dados macroeconómicos terão de continuar bem suportados e claro, a inflação não poderá surpreender pela negativa. Se estes pressupostos falharem, os mercados acionistas e de obrigações passarão por um período bastante negativo”, acrescentou.

O Banco Central Europeu está a seguir uma estratégia que limite o impacto das mudanças monetárias nos mercados. Ainda assim, quando as taxas de juro abandonarem os mínimos históricos terá impactos (positivos ou negativos) nos investimentos.

O Banco Central Europeu está a seguir uma estratégia que limite o impacto das mudanças monetárias nos mercados. Ainda assim, quando as taxas de juro abandonarem os mínimos históricos terá impactos (positivos ou negativos) nos investimentos.

Leonor Mateus Ferreira

Pin It

SOTERMAQUINAS