
António Vieira Monteiro, presidente do conselho de administração do Santander, faleceu devido a uma infeção pelo novo coronavírus. A informação foi avançada pelo Expresso, esta quarta-feira, e confirmada pelo Negócios.
De acordo com o Jornal Económico, Vieira Monteiro esteve de quarentena no início de março depois de uma viagem a Itália. E foi internado no Hospital Curry Cabral, onde estava nos cuidados intensivos na última semana. Foi transferido para o S. José, onde morreu esta madrugada, adianta o Observador.
O gestor exerceu o cargo de CEO do Santander Totta entre 2012, quando substituiu Nuno Amado, que foi para o Banco Comercial Português, até ao final de 2018. Acabou depois por passar a pasta a Pedro Castro e Almeida, ocupando, a partir desse momento, o cargo de "chairman" da instituição financeira.
"Ao fim de sete anos, eu vou continuar no banco, vou ser presidente do conselho de administração e, portanto, vou continuar no banco, acho que já tenho idade de deixar a parte executiva, já que vou fazer 73 anos", mas "aquilo que hei de dizer é que há sete anos quando entrei o banco não era quase nada", disse quando abandonou a liderança executiva do banco.
Vieira Monteiro, natural de Lisboa, tinha 73 anos e uma longa carreira na banca portuguesa. Além do Santander, o gestor foi vice-presidente da Caixa Geral de Depósitos entre 1993 e 2000. Passou ainda pelo antigo Banco Português do Atlântico e pelo BNU.
O gestor é a segunda vítima mortal provocada pelo novo vírus. Foi na segunda-feira que a ministra da Saúde, Marta Temido, anunciou a primeira vítima mortal em Portugal. Na conferência de imprensa, realizada em conjunto com Graça Freitas, responsável pela Direção-Geral de Saúde, a ministra revelou que se tratava de um homem de 80 anos internado no Hospital de Santa Maria.
Segundo os últimos números atualizados, Portugal regista 448 infetados pelo Covid-19. Já o total de casos não confirmados situa-se em 3.259 e 323 pessoas aguardam resultados de testes laboratoriais. O novo coronavírus já infetou desde dezembro 180.090 pessoas em todo o mundo e o número de mortes subiu para 7.063, segundo um balanço da Agência France-Presse (AFP), divulgado na terça-feira.
Já Faria de Oliveira afirmou, em declarações à rádio Observador, que Vieira Monteiro teve uma carreira "brilhante". Era "um gestor bancário com muitos anos de trabalho no setor, que teve uma carreira que considero brilhante, passando por várias instituições, deixando uma marca e culminando com o trabalho que fez no banco Santander", disse.
O presidente da Associação Portuguesa de Bancos (APB) disse ainda que o gestor era uma "pessoa extremamente competente do ponto de vista técnico", além de "inovadora", por estar "sempre ao corrente da evolução do sistema bancário". Destacou ainda a "liderança muito ativa nas instituições".
Nuno Amado, "chairman" do BCP, afirmou à rádio Observador que Vieira Monteiro era um "excelente profissional", com "enorme experiência". "Dos melhores que o país tinha", fazendo parte de uma "geração muito, muito competente".
Por outro lado, Jardim Gonçalves, fundador do BCP, disse, à mesma rádio, "lembrar-se dele desde sempre" na banca. Uma pessoa com que manteve "sempre uma relação muito cordial" e um "bom diálogo". "Muito correto", afirmou. Vieira Monteiro "mereceu todos os cargos que foi tendo", funções que conquistou com "mérito profissional". Já José Luís Moreira da Silva, com quem Vieira Monteiro trabalhou na CGD, garante que o "chairman" do Santander "trouxe uma dinâmica de banca de investimento para o banco público" e que "foi um homem da banca".



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