Ao final do primeiro dia de resgate na gruta Tham Luang, na Tailândia, quatro rapazes já estão a receber cuidados de saúde no hospital local. O que se sabe e o que ainda falta saber sobre esta missão?

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A operação de resgate foi suspensa e será retomada dentro de algumas horas.

Catarina Gonçalves Pereira

As primeiras quatro crianças já foram retiradas da gruta Tham Luang com sucesso, na tarde deste domingo. Mas ainda falta retirar os restantes oito rapazes e o treinador, que se encontram presos há cerca de duas semanas. Os rapazes têm idades compreendidas entre os 11 e os 16 anos, sendo que o treinador é o único adulto entre eles.

Entretanto, a operação de socorro foi interrompida e a próxima, que já está a ser preparada, envolve cerca de 90 mergulhadores. Várias equipas de socorro foram mobilizadas para o local, bem como equipas de voluntários. A imprensa internacional, que estava na área junto à gruta, está agora sediada numa escola local perto do hospital da província de Chiang Rai.

O dia foi longo, mas a operação decorreu com sucesso e melhor do que as autoridades esperavam. O Observador reuniu aquilo que se sabe e o que falta saber sobre o resgate deste grupo de jovens.

O que já se sabe sobre o resgate
Há quatro crianças fora da gruta

Os rapazes saíram acompanhados por dois mergulhadores cada, com máscaras faciais e garrafas de oxigénio. Ao todo estiveram envolvidos na operação 13 mergulhadores e cinco membros da Marinha tailandesa. Primeiro saíram duas crianças, cerca das 17h40 e 17h50 locais (11h40 e 11h50 em Lisboa), e mais tarde saíram outras duas. À entrada da gruta esperavam-nos várias ambulâncias, helicópteros e equipas médicas pelas quais foram avaliados no local, antes de serem encaminhados de ambulância para o hospital, que fica a cerca de 60km de distância.

Isto está a correr melhor do que eu esperava. Toda a gente está feliz. Hoje foi muito suave. Quando ensaiámos achávamos que íamos demorar dez minutos desde a gruta até ao helicóptero mas só demorámos dois”, revelou o governador de Chiang Rai, Narongsak Osottanakorn.

Depois voltou a reforçar o número de crianças resgatadas: “Confirmo novamente que resgatamos com sucesso quatro crianças”. Três delas foram transportadas de ambulância e a quarta terá ido de helicóptero para o hospital, devido ao estado de saúde.


Um quilómetro a mergulhar

Durante a conferência de imprensa, o governador da província tailandesa informou que as crianças tiveram de mergulhar ao longo de um quilómetro do percurso, que no total tem mais de 3km. “Os quatro rapazes que foram retirados tiveram de mergulhar durante um quilómetro até à liberdade”, afirmou.

Inicialmente não se sabia quanto tempo teriam de mergulhar as crianças, mas uma vez que o nível das águas baixou significativamente desde sábado, puderam caminhar mais do que aquilo que estava previsto ao longo do percurso dentro da gruta.

Os critérios de escolha das crianças que saíram primeiro

Ao início da manhã já se sabia que os jovens iam ser divididos em quatro grupos distintos, sendo que o primeiro seria constituído por quatro pessoas e os restantes, cada um por três — ficou decidido que o treinador, o único adulto do grupo, sairia em último lugar.

Segundo o governador Narongsak Osottanakorn, os critérios utilizados para escolher a ordem de saída das crianças foi o seu estado de saúde. Depois da avaliação médica feita aos jovens pelos médicos australianos que estiveram com eles na gruta definiram-se prioridades: os mais fortes em termos físicos e psicológicos saiam em primeiro, enquanto os que se encontravam mais fracos deveriam sair depois.

Antes a BBC tinha passado a informação de que seria precisamente ao contrário: os mais frágeis saíam primeiro e depois os restantes.

O resgate está a levar menos tempo do que o esperado

O resgate das quatro crianças levou cerca de cinco horas. As autoridades apontavam para que o resgate de cada uma das crianças decorresse durante 11 longas horas — uma vez que o tempo estimado para ir da entrada até à câmara 3 era de seis horas e para regressar era de cinco. Porém, a operação está a decorrer em muito menos tempo do que era esperado.

Segundo a equipa de resgate que se encontra na entrada da gruta, os níveis de água lá dentro diminuíram bastante, pelo que há condições para que as crianças caminhem durante mais tempo ao longo do percurso. Por esta razão, cada criança está a conseguir sair mais facilmente.

Porque é que as autoridades avançaram agora

Inicialmente, as autoridades pensaram que o grupo poderia ter de ficar dentro da gruta até ao final da estação de chuvas, ou seja, em outubro, o que significava meses no subsolo. Contudo, ficou claro, no sábado, que o resgate só poderia ser feito nos próximos três a quatro dias (contando com o dia de hoje) uma vez que se previa que o nível das águas dentro da gruta pudesse subir devido às chuvas intensas que se têm feito sentir no local.

Aliás, começou a chover intensamente na província de Chiang Rai depois de terminadas as operações do dia de hoje. O reaparecimento da chuva preocupa as autoridades e os responsáveis pelas operações de resgate, já que o nível das águas dentro da gruta pode voltar a aumentar e, assim, dificultar a travessia.

A preparação das operações de resgate deste domingo começou às 21h locais (15h em Lisboa) de sábado. À uma da manhã os jornalistas que se encontravam junto à gruta foram obrigados a sair do local pelas autoridades. O pavilhão onde as famílias das crianças costumam dormir também foi esvaziado e pelo menos dez ambulâncias estacionaram num descampado perto da entrada da gruta. Depois as autoridades avisaram que estavam a evacuar o local “para operações de resgate”.

O que ainda não se sabe sobre a operação de resgate

A identidade das crianças

Sabe-se que são quatro as crianças que já estão a ser auxiliadas pela equipa médica no hospital de Chiang Rai, mas não se sabe ainda a sua identidade. Aliás, durante a conferência de imprensa desta tarde, o governador disse mesmo que não ia identificá-las.

Há a informação de que o segundo rapaz que saiu se chama Prachak “Note” Sutham e tem 14 anos. Mas as autoridades não revelaram o nome de nenhum deles: “Nós não confirmamos a identidade dos quatro rapazes”, disse Osottanakorn.

 

As operações no local foram interrompidas depois de terem sido resgatadas quatro crianças do interior da gruta. Ainda não é certa a hora a que a operação se vai reiniciar, mas sabe-se que levará 10 a 20 horas a ser retomada.

Os socorristas não levarão “mais de 20 horas”, mas, de acordo com o Osottanakorn, “têm de se avaliar todos os fatores” — provavelmente o governador referia-se às condições meteorológicas, bem como à logística de toda a operação. Depois explicou ainda que esta suspensão serve para repor as garrafas de oxigénio.

“Só podemos continuar com a operação assim que estivermos preparados e isso vai ser feito em breve, porque as garrafas de oxigénio e outros elementos do sistema vão ser repostos”, afirmou o governador.

As condições de saúde das crianças

As duas primeiras crianças que saíram da gruta foram avaliadas pelos médicos no hospital de campanha e depois transportadas de ambulância, tal como aconteceu com a terceira. O caminho que a ambulância percorre até ao hospital — que fica a cerca de 60km de distância — leva cerca de uma hora.

A quarta criança, contudo, acabou por ser levada de helicóptero — uma medida que só seria tomada se as condições de saúde fossem graves — até ao hospital. O governador apenas disse que os rapazes resgatados estariam “psicológica e fisicamente mais fortes”, ao contrário do que foi avançado ao longo do dia pelos principais meios de comunicação social, não havendo mais qualquer informação sobre o seu estado de saúde. Osottanakorn disse apenas o seguinte: “Quatro deles estão em segurança aos cuidados do Hospital Prachanukroh. ”

Apesar de a operação ter corrido bem, os médicos que se encontram no local estão preocupados com a saúde das crianças, segundo a Reuters. “As equipas estão felizes pelo facto de os rapazes estarem a ser resgatados, mas também preocupados com a gravidade das condições. Estamos sob muita pressão ”, disse uma médica, recusando ser identificada.

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