Seis mulheres da ilha Terceira reuniram em menos de 24 horas uma base de dados com oferta de alojamento para cem pessoas que saiam de São Jorge por causa da crise sísmica em curso.

Sofia Ferreira, que vive na Praia da Vitória, na Terceira, Açores, disse hoje à Lusa que criou com outras cinco voluntárias na quinta-feira o grupo "Acolhimento na Terceira - Evacuação S. Jorge" na rede social Facebook, que em "menos de 24 horas" já tem 1.800 membros e oferta de alojamento para cerca de cem pessoas.

As ofertas, que podem ser registadas por quem as faz num formulário disponibilizado na página do grupo no Facebook, foram organizadas numa base de dados e, nestas 24 horas, já foram alojadas duas pessoas e o grupo já recebeu mais quatro pedidos de apoio.

Para além do alojamento, o grupo reuniu ofertas de transporte do aeroporto da Terceira para quem chega de São Jorge e está a preparar o envio de transportadoras de animais domésticos para quem quer sair da ilha afetada pela crise sísmica "e não consegue por não ter onde levar os animais", disse Sofia Ferreira.

O grupo está hoje a fazer contactos para divulgar a oferta de alojamento que há na Terceira, disse Sofia Ferreira, que deu como exemplo os contactos que fez para as duas câmaras municipais de São Jorge (Velas e Calheta).

"Vendo que havia interessados em oferecer as suas casas para acolher pessoas, e tendo eu alguma prática em criar bases de dados, formulários, decidi ajudar e criei o grupo para tentar reunir a informação, para não estar dispersa por pessoas particulares e grupos", afirmou.

"Estamos a fazer a ponte entre as pessoas que chegam ou vão chegar e precisam de um sítio para ficar com as pessoas que ofereceram o alojamento a título de gratuito", acrescentou, congratulando-se com a "grande adesão na ilha Terceira de pessoas a oferecerem de forma gratuita quer quartos, quer moradias".

Segundo Sofia Ferreira, as pessoas que têm contactado o grupo "estão um bocadinho às aranhas, sabem que têm de sair de casa, mas não lhes dão propriamente soluções de para onde é que se devem dirigir para procurar alojamento".

"Aqueles que necessitarem de ajuda podem-nos contactar. Temos aqui uma grande base de ajuda, de solidariedade incrível, e esperamos que seja apenas um susto e [as pessoas] voltem depois à sua terra em segurança e às suas casas. Mas, quisemos dar uma resposta rápida, se a situação piorar, para as pessoas não ficarem sem sítio para onde ir" acrescentou.

Centenas de pessoas estão a sair da ilha de São Jorge, afetada por uma crise sísmica desde sábado, com as autoridades a admitirem a possibilidade de haver uma erupção vulcânica.

As viagens de avião e de barco para de São Jorge foram reforçadas na quinta-feira e hoje, devido ao aumento da procura da população que pretende sair da ilha, estando previstos novos reforços se necessário.

As ilhas do grupo central dos Açores, onde se inclui São Jorge, Terceira, Pico, Faial e Graciosa, estão sob aviso amarelo devido às previsões de chuva, entre hoje e sábado.

Segundo o presidente do CIVISA, Rui Marques, a precipitação, conjugada com a crise sísmica, pode provocar desabamentos em São Jorge.

O executivo açoriano decidiu, por isso, proibir o acesso às fajãs do concelho das Velas e retirar os habitantes que lá vivem.

O Plano Regional de Emergência da Proteção Civil dos Açores e os planos de emergência municipais dos dois concelhos da ilha (Velas e Calheta) já foram ativados.

Segundo os dados provisórios dos Censos 2021, a ilha de São Jorge tem 8.373 habitantes, dos quais 4.936 no concelho das Velas e 3.437 no concelho da Calheta.

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