Moçambique quer ser “o primeiro” dos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) a lançar satélites a partir dos Açores, revelou hoje o presidente do Conselho de Administração do Instituto Nacional de Comunicações de Moçambique (INCM).

Em declarações a jornalistas em Ponta Delgada, nos Açores, no âmbito da Conferência Internacional sobre a Estratégia dos Açores para o Espaço, Tuaha Mote explicou que Moçambique quer “ter o privilégio”, no âmbito do seu projeto de sistema de satélites, de “ser o primeiro país dos PALOP a usar o polo de lançamentos de satélite da ilha de Santa Maria”.

O responsável daquela autoridade reguladora de comunicações, que tem protocolos com Autoridade Nacional de Comunicações portuguesa (Anacom), explicou que é também “coordenador nacional da comissão criada para desenvolver o conhecimento e a capacidade técnica para lançar o primeiro satélite moçambicano”.

“Temos esperança de que, com as relações de irmandade que Moçambique tem com Portugal e com o Governo Regional dos Açores, ter esse privilégio de ver o nosso pedido aceite”, vincou.

Tuaha Mote esclareceu que o lançamento da Estratégia dos Açores para o Espaço “veio numa boa ocasião” para Moçambique.

Isto, porque o país está a “procurar criar capacidades nacionais, em termos de educação espacial”, esperando beneficiar do potencial açoriano “no âmbito da cooperação entre os dois países e do acordo bilateral assinado com a Anacom”.

“Precisamos de criar conhecimento, de capacitação nacional nos quadros. Nada melhor do que um país irmão, que fala a mesma língua, onde será menor a dificuldade de absorção dos conhecimentos”, justificou.

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O responsável esclareceu que Moçambique está a “complementar as soluções tecnológicas de implementação de infraestruturas digitais para a digitalização da economia, rumo à transição digital”.

A Estratégia dos Açores para o Espaço vai “em breve” entrar em fase de consulta pública, esperando-se a “participação de todos”, e a “aprovação política final” está prevista para dezembro, adiantou o coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço, Luís Santos.

O responsável afirmou que a intenção do Governo Regional é “identificar oportunidades, plasmá-las num documento e definir a estratégia para médio e longo prazo”.

“Queremos potenciar projetos, iniciativas, alguns que já existem mas que têm uma lógica de organização dispersa”, disse o coordenador da Estrutura de Missão dos Açores para o Espaço.

Entre os projetos ligados ao Espaço atualmente existentes no arquipélago, Luís Santos destacou a estação de rastreio de lançadores da Agência Espacial Europeia, a estação de medição de radiação atmosférica do Departamento de Energia dos EUA, em colaboração com Universidade dos Açores ou a estação de sensores Galileo.

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