
A Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo (CCAH) defendeu hoje um reforço de ligações aéreas inter-ilhas e para os Açores, alegando que nas ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa se registou uma quebra de turistas em julho.
"A SATA Air Açores deve rever o seu modelo de negócios de forma a aumentar o número de lugares disponíveis nos voos inter-ilhas. Foi notório durante todo este ano a incapacidade operacional da SATA em encaminhar passageiros de São Miguel para as restantes ilhas", adiantou a associação empresarial, em comunicado de imprensa.
Segundo a CCAH, que representa empresários das ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa, as estatísticas indicam que no mês de julho houve um decréscimo de dormidas na hotelaria tradicional, em comparação com o mês homólogo, nas três ilhas.
"As ilhas Terceira, São Jorge e Graciosa apresentam um decréscimo de 1,0%, 3,3% e 2,7%, respetivamente, numa altura em que as expetativas de crescimento eram elevadas", frisou, acrescentando que o Indicador Avançado de Turismo do Serviço Regional de Estatística dos Açores para o mês de agosto também prevê um "decréscimo relativamente ao período homólogo".
Além de reforçar as ligações inter-ilhas, a associação empresarial defende que a companhia aérea açoriana deve "tomar medidas urgentes para reverter o cenário lamentável de contínuos cancelamentos de voos e alterações de última hora", nas ligações para fora do arquipélago, sobretudo para os Estados Unidos da América.
Por outro lado, a Câmara de Comércio de Angra do Heroísmo reivindica a "criação de mais ligações aéreas diretas para a ilha Terceira, oriundas de mercados turísticos que geram distribuição de riqueza no destino, como a Alemanha e o Canadá".
Os empresários levantam ainda questões sobre a promoção do destino Açores no exterior, alegando que o Governo Regional passou essa responsabilidade à Associação Turismo dos Açores (ATA), mas saiu da associação, à semelhança da companhia aérea açoriana SATA.
"Tendo a ATA uma situação financeira preocupante, com dividas a fornecedores e a bancos, tendo ainda valores relevantes a receber do Governo Regional, ao abrigo dos vários contratos programa assinados nos últimos anos, como pode o Governo Regional sair da ATA, deixando esse legado às empresas? Ficarão estas como associadas da ATA ou seguirão o exemplo do Governo Regional e da SATA, seus associados fundadores?", pode ler-se no comunicado de imprensa.
Segundo a CCAH, os Açores não estão a apostar em "verdadeiras campanhas de marketing digital", nem na elaboração de "filmes promocionais do destino direcionados para o perfil dos diferentes mercados", numa altura em que as campanhas digitais "fazem parte da estratégia de qualquer destino".
A associação empresarial questionou ainda o motivo pela qual a ATA está a ser investigada, tendo em conta que o Ministério Público disse que a direção da associação não poderia prestar declarações à Comissão Parlamentar de Inquérito ao Setor Público Empresarial e Associações Sem Fins Lucrativos Públicas "por estar a decorrer um processo que se encontra em fase de segredo de justiça".



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