Teresa Damásio, administradora do Grupo Ensinus

Quando falamos de empreendedorismo também falamos de relações laborais. Ao invés do que possamos pensar, empreender também significa criar emprego.

Naturalmente que o empreendedor cria o seu próprio emprego e que o faz de forma independente. Ou seja, ao iniciar o seu negócio não o está a fazer com base numa relação laboral subordinada. Quer isto dizer que a sua empresa foi criada por si e não por outrem e por isso não há qualquer relação jurídica baseada no dever de obediência.

Mas, aquilo que norteia o empreendedor é o sucesso, o crescimento e, consequentemente, a expansão do negócio e para isso o empreendedor irá necessitar obrigatoriamente de criar equipas para que a sua ideia de negócio se transforme numa empresa que cresça de forma sustentada e que independentemente da inovação e da criatividade alicerçada a todo e qualquer negócio, o capital humano seja um dos eixos estratégicos.

Para isso, há que empreender pelo trabalho digno pois atualmente ser empreendedor implica ser, igualmente, socialmente responsável e querer, para além do lucro e dos proveitos, ser um líder que cria relações laborais justas e sustentáveis.

O empreendedor tem a possibilidade de empreender pelo trabalho digno cada vez que contrata uma pessoa para consigo consolidar aquilo que esteve na génese do seu negócio – a sua ideia.

Na publicação “Perspetivas Sociais e de Emprego no Mundo: Tendências 2018”[1] o diretor-geral da Organização Internacional do Trabalho, Guy Ryder afirmou que “… Embora o desemprego global tenha-se estabilizado, os déficits de trabalho decente continuam generalizados e a economia global ainda não está criando empregos suficientes. Esforços adicionais devem ser implementados para melhorar a qualidade dos empregos para os trabalhadores e assegurar que os ganhos de crescimento sejam compartilhados de forma equitativa…”.

Muito provavelmente para que o empreendedor seja considerado uma referência na sociedade, em termos gerais, e na comunidade, em termos particulares, esta é uma das áreas que mais crescerá nos próximos tempos pois para termos níveis de crescimento económico justos e sustentáveis precisamos que haja dignidade no trabalho e o empreendedor tem um papel muito importante a desempenhar pois estando hoje como protagonista do sucesso nos negócios e do crescimento nos lucros pode, igualmente, fazer a diferença pela forma como criar emprego dentro da sua própria empresa.

A humanidade precisa de empreendedores que sejam promotores do trabalho digno!

O empreendedor gera riqueza e potencia o talento, mas também promove o potencial humano ao dignificar o trabalho através de condições de trabalho dignas e justas!

Assim, empreender pelo trabalho digno ou pela dignidade do trabalho é um axioma intemporal!

 

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