A Câmara Municipal de Angra do Heroísmo tem vindo a apoiar o aparecimento de novas ideias de negócios através da Startup Angra. Com a próxima entrada em funcionamento do Parque de Ciência e Tecnologia da Ilha terceira ( TERINOV ) a incubadora de Angra passará a ser um dos seus Pólos. Esta é uma das novidades para 2019 reveladas por Guido Teles em entrevista ao site Investinangra

 

Esta Câmara tem evidenciado uma continuada preocupação com o apoio ao empreendedorismo. Num ano em que se perspectiva a inauguração e a consequente entrada em funcionamento do Terinov haverá, por certo, em cima da mesa um conjunto de preocupações e de planos para 2019.

Para que esta área possa funcionar como pretendemos não pode nunca deixar de contemplar novidades.

O percurso feito até agora levou-nos àquilo que podemos chamar de “velocidade de cruzeiro”.

No  inicio foi necessário um investimento do município, desde logo as infraestruturas de apoio da Startup Angra e, no caso do Terinov, um investimento por parte do governo na reabilitação do espaço onde funcionava a universidade antes desta se mudar para o Pico da Urze.

Neste momento no que diz respeito â Startup Angra depois de toda a evolução verificada já é permitido olhar para a mesma noutro ângulo de funcionamento, ou seja, logo à partida quando candidatámos o projecto ao Plano Operacional dos Açores nele estavam contidas a realização de uma série de actividades que ocorreram com o caminhar do tempo, como foi a presença entre nós da Startup Lisboa, da Beta-I ( que desenvolveu alguns eventos de “aceleração ) , apenas duas das 11 acções que tiveram lugar e que contaram com as melhores incubadoras e aceleradoras portuguesas, os melhores formadores nas áreas do marketing, gestão de negócios, e que serviram para a fase de arranque que referi. Há cerca de duas semanas encerrámos todo o ciclo contido na candidatura que mencionei e, se existir plafond, e se se mantiver o enquadramento iremos apresentar uma nova candidatura para podermos continuar a desenvolver actividades muito importantes porque as empresas que vão sendo incubadas na Startup Angra vão rodando e, nesse quadro, não podemos deixar se apoiar as que vão chegando.

Essas vagas que refere acontecem porque algumas das empresas que estavam na Startup Angra, ganharam asas e entraram no mercado ou porque houve algumas delas que desistiram na fase de arranque?

Tem que ver com as duas coisas. Chegámos a uma fase que, das ideias de negócio iniciais, já há uma consolidação. As que não tinham condições para continuar ficaram pelo caminho e todas as que continuam na Startup Angra reúnem tudo o que é necessário para que possam continuar a evoluir até poderem caminhar pelo seu próprio “pé”.  São negócios que já atingiram um nível de maturidade que garantem a sua sustentabilidade.  Quando algum desses projectos ganha asas e pode voar enche-nos de satisfação e temos vários casos desses o que demostra que o apoio inicial é essencial e que com o sucesso alcançado se atinge o propósito essencial da Startup e ilustra a bondade da decisão tomada no inicio pela autarquia.

Há mesmo casos de projectos que, a partir da incubadora, conseguiram arranjar mercados fora da ilha Terceira como resultado desta network em que a Startup Angra está inserida. Recordo que o movimento das Startups se faz à escala mundial e em rede, uma rede em que , progressivamente, nos temos vindo a integrar.

Não posso deixar passar, sem que o refira, o sucesso da Red Cat Pig que ganhou recentemente o concurso nacional da PlayStation e com isso o desenvolvimento do jogo pago até ao fim e a inclusão do jogo na loja da PlayStation.

Mas há um conjunto variado de acções desenvolvidas pela Startup como é por exemplo o caso da NerdAlert dedicada a um público mais jovem que gosta de videojogos  e que contou com mais de três centenas de inscrições. Foi um evento que chamou muita atenção neste sector bastando referir que a Xbox da Microsoft  esteve presente com as suas consolas e uma equipa que veio especificamente para promover os seus produtos, que a PlayStation também marcou presença quer com equipamentos quer com uma equipa de profissionais e várias empresas que comercializam videojogos a nível nacional também marcaram a sua presença.

É um universo em que, por exemplo, a Red Cat Pig pode vir a ganhar dimensão nacional e internacional.

Para além de empresas tecnológicas há muitas outras nas áreas do turismo, da prestação de serviços ao domicílio, da arquitetura…

Alguns destes projectos que estão na Startup vão deslocar-se para o Terinov? Quais os critérios subjacentes a essa mudança?

O Terinov tem algumas áreas prioritárias para o seu funcionamento. A Biotecnologia, as indústrias agro alimentares direcionadas para os lacticínios, as indústrias criativas além da componente tecnológica pura.

Neste contexto não vamos obrigar ninguém a mudar mas são as próprias startups que reconhecem que aquilo tudo que está a ser preparado no parque de ciência e tecnologia sobretudo a nível de equipamentos de apoio acaba por ser mais favorável  ao crescimento de alguns negócios que estão incubados e que se encontram vocacionados para os sectores a que o Terinov mais se ajusta.  Isto, em suma, significa que estas empresas enquadradas no perfil do parque que mencionei irão transferir-se. É um processo que se faz através de uma candidatura e, neste momento, estão abertas essas candidaturas.

E a Startup Angra?

A Startup Angra pela sua localização no centro da cidade estará sempre mais vocacionada para as vertentes de comércio e serviços.  O aparecimento de novos negócios, por exemplo, na área do turismo ou da confeção alimentar, uma área em que temos uma parceria com a Cáritas no sentido de se poder usar as suas cozinhas, o que permite que se possam lá criar os produtos das jovens empresas do ramo, terão sempre uma vantagem acrescida na centralidade da Startup Angra.

E novidades para 2019?

Este ano vamos ter um conjunto de acções promovidas por uma incubadora/ aceleradora de negócios sediada no Novo México, Estados Unidos, que resulta de um contacto havido com o Embaixador dos Estados Unidos, sendo que a aplicação desse programa será posta em prática este ano, uma acção mais dirigida para as industria criativas, com grande impacto para as empresas que estão sediadas na Startup Angra mas, sobretudo, para as que estiverem no Parque de Ciência e Tecnologia.

Pretendemos que tudo isto funcione em conjunto e, nesse contexto, a Startup Angra será (é) um Pólo do parque de ciência e tecnologia. O nosso ecossistema apesar de estar a funcionar muito bem e a dar nas vistas mesmo a nível nacional e até internacional tem de gerar dinâmicas em conjunto com as outras estruturas.

Uma vez que, como disse, a Startup está em fase de “cruzeiro” qual será, daqui para a frente, o papel a desempenhar pela autarquia?

Continuará a dar o suporte que tem vindo a ser dado, está neste momento a trabalhar em conjunto com a Câmara de Comércio e com a Caixa Económica da Misericórdia, para tentar criar fundos de apoio ao empreendedorismo, não só um fundo geral, mas um fundo específico, direcionado ao empreendedorismo social que tenha capacidade de criar condições para alavancagem inicial dos negócios em termos de crédito, com a possibilidade de uma componente a “fundo perdido”. É um trabalho que está em curso e visa profissionalizar os apoios que são concedidos à criação de novos negócios no Concelho de Angra.

Resumindo, o trabalho que está a ser feito neste momento já é de consolidação e aperfeiçoamento daquilo que são os mecanismos de suporte a disponibilizar para os novos negócios que aqui venham a surgir.

Claro que há muito por fazer, o concelho precisa de ganhar muita dinâmica económica, mais a mais porque a nossa realidade não é muito diferente da regional ou da nacional e há muito espaço de trabalho para  se conseguir a alavancagem do sector privado sobretudo no sentido de se conseguir gerar valor acrescentado e com isso conseguir-se um cada vez maior no mercado de trabalho quer do ponto de vista da criação de novos empregos mas, essencialmente, um aumento de remunerações o que só se consegue com uma economia pujante.

O que se tem verificado é que, apesar de subsistirem algumas dificuldades, a dinâmica económica no concelho de Angra tem vindo a aumentar visivelmente não só no centro histórico onde, hoje, é muito difícil encontrar um espaço para instalar um negócio, como também, por exemplo, no parque Industrial onde, em 2013, tínhamos uma ocupação de 50 por cento e hoje estamos à beira de ter apenas um lote disponível, há ainda a notícia da possibilidade da instalação de um novo híper mercado perto do centro histórico da cidade.

Em suma, tudo isto significa que estamos em presença de uma dinâmica económica nova e rejuvenescida não obstante não podermos deixar de reconhecer que ainda há problemas.

Quanto ao Turismo…

Esse é um dos sectores de maior importância para a economia, quer do concelho, quer da ilha e é fundamental podermos continuar a garantir que as operações charter que temos possam ser previsíveis e tenham continuidade como é o caso da operação de Boston que para nós é fundamental, sendo a mais importante que temos para reduzir a sazonalidade turística do concelho e da ilha…

E de Espanha…

A de Espanha que está numa fase em que ninguém sabe bem o que vai acontecer sendo certo que se ela terminar terá, sem quaisquer tibiezas, de se encontrar uma alternativa urgente porque já estão a sentir-se os efeitos da quebra desta operação nesta época baixa que em conjunto com a de Boston suportavam o nosso sector turístico que já é muito relevante no concelho gerando muitos postos de trabalho.

Temos de garantir que esse trabalho irá continuar a fazer-se e temos envidado esforços nesse sentido junto do governo regional e acredito que temos boas condições para continuar este caminho de crescimento vendo o concelho a gerar mais negócios e mais dinamismo económico e, por sua vez, que é o mais importante, a gerar emprego e melhores condições sociais e de vida para os seus habitantes.

 

 

 

 

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