A jornalista Mariana Barbosa, autora do “Livro dos Fazedores”, considera que o empreendedorismo em Portugal foi espoletado pela crise, mas mudou mentalidades e hoje já é visto como uma alternativa ao emprego por contra de outrem.

“As coisas de facto mudaram muito nos últimos anos e as pessoas começaram a considerar ser empreendedor como uma alternativa plausível de carreira. Já não é só trabalhar por conta de outrém. As pessoas acreditam que podem fazer a diferença e que podem criar o próprio negócio”, adiantou em declarações à agência Lusa, a propósito do lançamento do livro em Angra do Heroísmo, na ilha Terceira.

Quase uma década depois de ter começado a trabalhar sobre este tema, a autora do "Livro dos Fazedores" defende que “os empreendedores já não são uma resposta à crise”, mas que encaram o empreendedorismo “como uma alternativa como outra qualquer para uma carreira”.

Quando, em 2011, Mariana Barbosa começou a entrevistar empreendedores – a que chama de “fazedores” – ainda pouco se falava no assunto.

“O Dinheiro Vivo foi o primeiro jornal em Portugal a ter uma secção unicamente dedicada ao empreendedorismo. Não havia”, contou.

Na altura, as poucas incubadoras que existiam ainda eram chamadas de “ninhos de empresas” e eram poucos os que arriscavam aventurar-se num novo negócio.

“Acho que muito daquilo que se fez nessa altura foi uma resposta à crise, porque as pessoas ou ficavam no país e criavam as próprias empresas ou tinham de emigrar. Aconteceu isso a muitos dos meus amigos na altura”, recorda.

Hoje, há uma rede nacional de incubadoras, da qual faz parte a Start Up Angra, de Angra do Heroísmo, onde Mariana Barbosa apresenta o “Livro dos Fazedores”, hoje pelas 17:00 (mais uma hora em Lisboa).

Paralelamente, a jornalista vai preparar uma reportagem sobre as empresas incubadas em Angra do Heroísmo para abrir a segunda série de um roteiro pelas incubadores de Portugal, que está a fazer no jornal económico digital Eco.

“Acho que cada vez mais estas empresas têm impacto na criação de emprego e na exportação de conhecimento português e também na maneira como os outros nos veem”, salientou.

Em outubro de 2018, Mariana Barbosa lançou um livro em que conta 15 histórias de empreendedores entre as mais de mil que conheceu, ao longo da última década.

“Acho que o meu livro é um registo histórico no sentido em que nós nos começámos a ver-nos de outra maneira”, apontou, alegando que estas empresas “têm levado o nome de Portugal mais longe” e têm feito com que os portugueses mudem de mentalidade.

A jornalista acredita que o livro pode servir de “inspiração” a outros empreendedores que estejam agora a iniciar a sua atividade e espera que os empresários se “revejam” naquelas histórias, que pretende que sejam “um retrato da geração empreendedora em Portugal”.

“O que tentei no livro foi passar uma mensagem positiva sobre o que é ser empreendedor. Além de ser um registo histórico é uma homenagem aos fazedores que mudaram o país de alguma maneira”, frisou.

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