Depois de entregar comida para pagar os estudos nos EUA, Steven Lam criou a GoGoVan, uma empresa de entregas que já vale mil milhões de dólares e é considerada um unicórnio. O jovem continua a viver numa casa arrendada no bairro onde cresceu.

“Apenas comece. Não chegará a lugar algum, se não começar”. A frase é do empreendedor asiático Steven Lam. O jovem tentou executar uma ideia de negócio aparentemente simples, mas no caminho encontrou outro problema que podia ser resolvido e deu um passo atrás.

Lam criou a primeira start-up que vale mil milhões de dólares (cerca de 858 milhões de euros) em Hong Kong. O unicórnio em questão é a GoGoVan, empresa de entregas rápidas – com carrinhas e camiões – que conta com 2 mil funcionários e uma rede de 8 milhões de motoristas, distribuídos por 300 cidades.

A start-up, que afirma ter criado a primeira aplicação de entrega de serviços/produtos no país, foi fundada com capital inicial de 2,5 mil dólares (2,2 mil euros) e cresceu tanto que acabou por receber investimento – incluindo de Jack Ma, fundador do Alibaba – até se fundir, no ano passado, com a empresa chinesa de logística 58 Suyu. Por trás dessa história de sucesso, está Lam.

O empreendedor, que vem de uma família com baixo rendimento, largou o colégio para tentar ganhar dinheiro quando ainda era jovem. Voltou a estudar quando se mudou para os Estados Unidos e foi aceite numa faculdade comunitária na Califórnia, onde se formou em administração.

Em entrevista ao South China Morning Post, Lam conta que, para sobreviver nos Estados Unidos, vendia produtos eletrónicos, cachorros-quentes e trabalhava em restaurantes. Até que um dia, quando entregava comida num restaurante chinês, teve uma ideia de negócio: vender anúncios publicitários dentro das caixas que condicionam a comida.

Como tudo começou…
Lam voltou a Hong Kong, em 2013, juntamente com dois colegas que seriam os seus parceiros de negócio. Começaram a contactar empresas de logística até perceberem que aquelas não tinham um serviço estruturado. Em entrevista à CNBC, contou que cada empresa de entrega possuía um número limitado de motoristas registados, embora houvesse muitas carrinhas disponíveis que permaneciam estacionadas nas ruas. Além disso, as empresas comunicavam com os motoristas por radiofrequência, o que muitas vezes comprometia o tempo de entrega.

Ao procurar uma solução, os jovens perceberam rapidamente que poderiam trabalhar com muito mais eficiência se contratassem motoristas e se os reunisse numa única plataforma. “Nessa época, eu nem sabia o que era a Uber. Começámos a formular o nosso produto por conta própria”, contou Lam.

No entanto, os empreendedores resolveram mudar a ideia de negócio original e criar, então, uma plataforma para ligar motoristas e entregas sob pedido. Começaram por criar pequenos grupos no Whatsapp – na época, os grupos eram limitados a 10 pessoas. Juntaram o dinheiro que tinham, contrataram um engenheiro e um designer e montaram, assim, a primeira versão da plataforma da GoGoVan.

“Quanto mais falávamos com os motoristas, mais percebíamos que eles estavam insatisfeitos com o sistema de radiofrequência”, disse Lam. “E assim fomos estúpidos o suficiente para continuar com a ideia. Estúpidos porque faltava dinheiro para crescer e quase falimos”, acrescentou.

Foram salvos por um financiamento que conseguiram angariar no valor de 12,8 mil dólares (cerca de 11,3 mil euros). O negócio cresceu, despertou a atenção de fundos e recebeu investimentos milionários a partir de 2014, até chegar a unicórnio com a fusão com a 58 Suyu.

Lam, hoje com 32 anos, aprendeu uma lição: “não existe timing perfeito. O que é perfeito? Na maioria das vezes não sabemos. Se não sabemos o que é perfeito, por que precisamos de um timing ideal?”.

Por isso, gosta de citar Jeff Bezos, da Amazon: “Eu só preciso de 70% das informações. Se esperarmos 100% das informações para tomar uma decisão, é tarde demais. Alguma decisão é melhor que nenhuma”.

O fundador da GoGoVan prefere viver numa casa arrendada e tem orgulho nisso. Até aos dias de hoje, Lam vive num apartamento arrendado no bairro onde cresceu. E isto não é por acaso. Na verdade, só depois de se casar no ano passado é que saiu do apartamento de 37 metros quadrados que partilhava com os pais e não tem pressa para comprar casa. “Para mim, é mais um lugar para estar, não é um investimento”, disse Lam ao CNBC.

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