O surto de Covid-19 está a alarmar também o mercado empresarial internacional, mas existem dezenas de start-ups pioneiras em projetos de saúde que querem ajudar a combater o vírus.

As start-ups europeias estão atentas aos problemas causados pelo Coronavírus e querem contribuir com o seu conhecimento e criatividade para ajudar a encontrar uma solução. A oferta é variada e cobre desde robôs hospitalares, logística de alta tecnologia, vacinas, ou medicamentos baseados em inteligência artificial.

Eis alguns exemplos, citados pela Sifted, de start-ups que estão reunir esforços para fazer frente ao Covid-19.

Medicamentos descobertos por IA

Uma start-up que pode contribuir para conter a crise do coronavírus é o unicórnio britânico BenevolentAI. A empresa, que recebeu 292 milhões de dólares (258,6 milhões de euros) em financiamento desde que foi fundada em 2013, é conhecida por criar sistemas de inteligência artificial que ajudam a encontrar medicamentos para o tratamento de doenças crónicas. Algumas semanas após o início do surto, a start-up utilizou pela primeira vez os seus sistemas para uma doença infeciosa e conseguiu sugerir um conjunto de medicamentos potencialmente úteis. Entre eles está o Baricitinib, um medicamento atualmente aprovado para a artrite reumatóide, mas que poderá reduzir a capacidade do vírus de infectar células pulmonares.
Dado o número crescente de casos de infeção e a necessidade imediata de terapia, a empresa focou a sua pesquisa em medicamentos aprovados, que já haviam passado em rigorosos testes de segurança e que poderiam ser entregues aos pacientes imediatamente, ao invés de desenvolver medicamentos novos.

Robôs hospitalares para limpeza

Os hospitais chineses estão a usar robôs europeus como o UVD Robots, da start-up dinamarquesa Blue Ocean Robotics. São robôs autónomos de desinfecção que usam luz ultravioleta para desinfetar e matar vírus e bactérias, reduzindo a propagação do coronavírus. A start-up já vendeu 60 mil dispositivos para mais de 40 países. O robô usa algoritmos avançados e sensores especiais para cobrir todas as superfícies com a quantidade certa de luz ultravioleta para eliminar o vírus. A Blue Ocean Robotics recebeu uma ronda de financiamento em dezembro de 2019 no valor de 12 milhões de dólares (10,6 milhões de euros).

Tecidos de proteção de nanopartículas

A start-up israelita Sonovia está apostada em desenvolver um tecido com infusão de nanopartículas que pode proteger as populações locais através da sua utilização em máscaras médicas, roupas de proteção e materiais hospitalares. Com sede em Tel Aviv, a Sonovia começou a desenvolver tecidos resistentes a bactérias na Universidade Bar-Ilan em 2013. Agora, enviou um novo tecido antipatógeno e antibacteriano aos laboratórios da China para testes com parceiros como a Academia Chinesa de Ciências de Xangai.

A solução da Sonovia usa nanopartículas de óxido de metal e de baixo custo, como óxido de zinco e óxido de cobre. A tecnologia é baseada num fenómeno físico chamado cavitação. A start-up afirma ter tecido suficiente armazenado para produzir entre cinco mil a 10 mil máscaras imediatamente.

Envio de produtos vitais

Não é só o desenvolvimento de medicamentos que é difícil, também é necessário transportá-los para onde são necessários. Após o início do surto de Covid-19, a start-up suíça SkyCell reservou mais de 200 contentores de transporte adicionais para enviar 46 toneladas de medicamentos com segurança para a China.

Como se trata de um mercadoria muito suscetível a mudanças ambientais, os contentores SkyCell funcionam como uma combinação de hardware, software e big data para manter uma temperatura constante. Eles também podem recarregar automaticamente num ambiente fresco e têm uma taxa de falhas de 0,1%. A start-up suíça já envia produtos farmacêuticos para 90 países, incluindo Brasil, Índia e China, e possui uma enorme taxa média de crescimento de receita anual de 350%. O SkyCell permite entregas porta a porta o que economiza tempo.

Juntar alunos e cientistas

A empresa britânica Century Tech está a ajudar as crianças na China a continuarem os estudos enquanto as escolas estão fechadas. A start-up, que obteve 8,9 milhões de dólares (7,8 milhões de euros) até o momento, tem uma parceria com mais de 30 escolas para oferecer os seus serviços de aprendizagem online personalizados, baseados em inteligência artificial. O seu alvo específico são escolas em Hong Kong e na China que usam o currículo britânico (existem mais de 200).

Por seu turno, a Castor, originária dos Países Baixos, oferece acesso gratuito à sua plataforma de recolha de dados para apoiar projetos sem fins lucrativos de pesquisa sobre o Covid 19. Deste modo, os investigadores podem recolher dados clínicos padronizados de todo o mundo para que possam ser facilmente agregados e estudados. Em contexto de surto, toda a comunidade científica está alinhada para um mesmo fim e é uma forma de fazer com que todos vejam o valor dos dados padronizados.

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