A Câmara de Comércio e Indústria dos Açores (CCIA) considerou hoje que a recapitalização das empresas deve ser uma prioridade e defendeu a qualificação dos recursos humanos e de algumas infraestruturas no setor do turismo.
“A recapitalização das empresas é prioritária. Temos um crescimento económico, esse crescimento económico está a ser muito positivo para, de alguma forma, dar resultados ao nosso tecido empresarial, mas, se as empresas açorianas estivessem com mais capital, poderiam alavancar o crescimento económico com mais investimento”, afirmou o presidente da CCIA, Sandro Paim, destacando que, se este constrangimento for ultrapassado, as empresas vão “conseguir fazer crescer a economia mais rápido”.
Sandro Paim e o presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Horta, Carlos Morais, foram recebidos pelo presidente do Governo dos Açores, o socialista Vasco Cordeiro, em Ponta Delgada, ilha de São Miguel, no âmbito das reuniões com os parceiros sociais e os partidos políticos de preparação das propostas de Plano e Orçamento para este ano.
No final da audiência, o dirigente da CCIA apontou, por outro lado, a importância da requalificação dos recursos humanos e de algumas infraestruturas, como miradouros e zonas balneares, considerando serem medidas prioritárias para o turismo.
“É um setor que está a crescer e queremos, cada vez mais, que cresça de forma sustentada e para crescer de forma sustentada nós temos de ter o melhor serviço prestado”, sustentou.
Na reunião, onde Vasco Cordeiro se fez acompanhar do vice-presidente, Sérgio Ávila, que tem as pastas do Emprego e Competitividade Empresarial e, entre as competências, as Finanças e Orçamento, Sandro Paim adiantou ter demonstrado “preocupação” com “o sistema financeiro regional” e o “estrangulamento” que “pode estar a causar à economia açoriana”.
A reabilitação urbana, a fiscalidade, a eventual privatização, concessão ou alienação de empresas públicas e os transportes aéreos e marítimos foram outras das matérias abordadas com o executivo açoriano, informou o presidente da CCIA.
“Congratulamo-nos com a liberalização do transporte aéreo e com o impacto que teve no turismo e no custo das passagens para todos os açorianos, mas continua a haver uma lacuna no transporte de carga área que tem de ser rapidamente resolvida”, referiu, explicando que no transporte marítimo existem “margens de alteração de modelo”.
Sobre a execução do atual quadro de financiamento comunitário, o dirigente declarou ser “essencial esses fundos entrarem o mais rapidamente possível” na economia regional, mas, “acima de tudo, pelo setor privado”.
As reuniões com as centrais sindicais CGTP e UGT, Federação das Pescas dos Açores, Federação Agrícola dos Açores, Câmara de Comércio e Indústria da região e os seis partidos com assento na Assembleia Legislativa – PS, PSD, CDS-PP, BE, PCP e PPM - decorrem ao longo do dia de hoje no Palácio de Santana, sede da presidência do Governo Regional.
Após estas audições, “o Governo dos Açores reunirá em Conselho para a aprovação das antepropostas das Orientações de Médio Prazo 2017-2020 e de Plano Regional para 2017, que serão depois entregues e analisadas no Conselho Regional de Concertação Estratégica”, refere uma nota de imprensa do executivo regional.
O parlamento açoriano aprovou em novembro de 2015 o Orçamento dos Açores para 2016, no valor de 1.577,9 milhões de euros.
O documento teve os votos favoráveis da maioria PS e os votos contra de toda a oposição, PSD, CDS-PP, BE, PCP e PPM.



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