Governo dos Açores considera “inesperada e incompreensível” baixa de preço do leite numa indústria e apela para restantes não acompanharem a decisão
O Secretário Regional da Agricultura e Florestas considerou “inesperada e incompreensível” a decisão de uma indústria nos Açores de baixar em um cêntimo o preço do leite pago ao produtor, desafiando as restantes a não acompanharem esta descida por não existirem razões de mercado que o justifiquem.
“Trata-se de uma decisão inesperada, incompreensível e até com pouca razoabilidade do ponto de vista do Governo Regional, dado que nesta altura não há instabilidade nos mercados e os últimos leilões internacionais foram em média positivos”, afirmou João Ponte, acrescentando que o diferencial entre o preço praticado na Região e na Europa é tão distante, quando já estiveram tão próximos, que não há agora, do ponto de vista do Executivo, razões objetivas para esta tomada de decisão.
Perante este cenário, João Ponte desafiou as restantes indústrias nos Açores a não acompanharem a descida do preço do leite pago aos produtores e a concentrarem as suas capacidades e ações na inovação e na valorização das produções.
O Secretário Regional falava no domingo, no encerramento das XI Jornadas Agrícolas da Praia da Vitória, onde desafiou o setor a concorrer aos apoios, no âmbito do PRORURAL+, destinados a projetos piloto e desenvolvimento de novos produtos, práticas, processos e tecnologias no setor agrícola, no valor global de meio milhão de euros, que visam “criar condições objetivas para o surgimento de projetos inovadores, que possam contribuir para uma maior rentabilidade e competitividade da agroindústria”.
“É preciso apostar cada vez na conquista de novos mercados e aumentar as exportações. Só assim será possível aumentar o rendimento de toda a fileira do leite. Este é um desafio a que a indústria terá que dar resposta”, afirmou João Ponte.
Na sua intervenção, salientou que a indústria tem de saber transformar as vantagens da qualidade ambiental, do elevado estatuto sanitário da Região, da excelência da genética, do bem-estar animal e da segurança alimentar, em oportunidades, valorizando ainda mais as suas produções.
A realização de um estudo comparativo do leite dos Açores com congéneres europeus, desencadeado pelo Centro do Leite e Lacticínios dos Açores (CALL), bem como a apresentação, este ano, de uma nova candidatura a fundos europeus para a promoção dos produtos lácteos regionais são exemplos da estratégia regional, que visam dar maior notoriedade à qualidade das produções açorianas, tendo em vista a sua valorização no mercado.
João Ponte disse ainda que o Governo Regional vê com “muita satisfação” os primeiros passos que a indústria nos Açores está a dar com vista à produção de leite biológico, “pelo caráter inovador que esta aposta representa, pelo potencial económico e estratégico que contém”.
“Apesar das elevadas taxas de compromisso do PRORURAL+, acabamos de abrir um novo aviso com uma dotação de 200 mil euros na medida 'Agricultura Biológica', de modo a permitir a conversão e a manutenção de práticas e métodos de agricultura biológica”, referiu o Secretário Regional, acrescentando que, “num mundo em permanente mudança, o setor agrícola nos Açores não pode e não deve estar alheado do que se passa à sua volta”.
Apesar dos desafios constantes, o percurso trilhado nos últimos anos na Região foi “de desenvolvimento, de reforço estrutural e de criação de valor”, salientou João Ponte, frisando que a produção de leite em 10 anos registou um crescimento de 20% e a evolução do volume de negócios das cinco principais indústrias de lacticínios foi superior a 40% em 10 anos, dados que “demonstra bem a importância que a agricultura tem ganho no tecido produtivo da Região”.
Esta realidade, sublinhou o Secretário Regional, resulta da estratégia delineada pelo Executivo açoriano de se manter sempre em estreita parceria com as associações agrícolas, cooperativas e com a indústria, “um caminho trilhado em absoluto diálogo e com transparente troca de ideias e pontos de vista”.



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