A Ordem dos Enfermeiros nos Açores disse hoje estar a acompanhar com "preocupação a situação" nos "serviços de saúde da região", alegando que "chegam diariamente" vários "relatos e denúncias" quanto à "falta de equipamentos de proteção individual".

"A secção regional da Região Autónoma dos Açores da Ordem dos Enfermeiros acompanha com preocupação a situação atual nos serviços de saúde da região, em especial tendo conta os vários relatos e denuncias que chegam diariamente relativo à falta de Equipamentos de Proteção Individual em algumas instituições, em alguns serviços", lê-se num comunicado enviado às redações.

No documento, a Ordem alerta que se "observa um número crescente de profissionais afetados, fazendo perigar a resposta que se quer adequada, atempada e articulada, em especial na fase que nos encontramos".

“Tendo por premissa que as intervenções de enfermagem são realizadas com a preocupação da defesa da liberdade e da dignidade da pessoa humana e do enfermeiro, julgamos urgente garantir o quanto antes um reforço dos equipamentos de proteção para todos os profissionais de saúde, em todas as valências”, sublinha o presidente da Ordem dos Enfermeiros na região, Pedro Soares.

A Ordem diz compreender "a dificuldade em adquirir o material em quantidade devido a constrangimentos do mercado", mas frisa que "não pode deixar de alertar" para "a urgência" de chegada deste material e que "seja distribuído o mais rapidamente possível".

"Note-se que a falta destes equipamentos cria questões de segurança não só para os enfermeiros mas também para os utentes. Os enfermeiros estão com as populações e todos são precisos, não podemos ter enfermeiros infetados em grande número na região", alerta ainda a entidade.

Na quarta-feira a Autoridade de Saúde dos Açores adiantou que entre os doentes da covid-19 nos Açores existiam três profissionais de saúde infetados.

Hoje, no comunicado diário, a Autoridade de Saúde Regional informou que, em São Miguel, foram diagnosticadas três mulheres de 23, 45 e 48 anos, "profissionais de saúde, que estiveram em contacto com um caso positivo".

O Governo dos Açores decidiu hoje fixar cercas sanitárias nos seis concelhos da ilha de São Miguel, para fazer face à pandemia de covid-19 na região, anunciou hoje o líder do executivo.

Ficam interditadas, segundo Vasco Cordeiro, "as deslocações entre concelhos" a partir das 00:00 de sexta-feira e as 00:00 de dia 17 de abril.

"Estas medidas aqui anunciadas pretendem salvaguardar a saúde pública, concretamente na ilha de São Miguel, mas só surtirão efeito se todos nós as cumprirmos escrupulosamente", acrescentou.

Em conferência de imprensa em Ponta Delgada, o chefe do executivo açoriano (PS) sublinhou que, após os resultados laboratoriais mais recentes, a Autoridade de Saúde Regional considera que a ilha de São Miguel "se encontra em situação epidemiológica potencial de transmissão comunitária ativa, com elevado risco de cadeias de transmissão em todos os concelhos da ilha".

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou mais de 940 mil pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 47 mil.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 209 mortes, mais 22 do que na quarta-feira (+11,8%), e 9.034 casos de infeções confirmadas, o que representa um aumento de 783 em relação à véspera (+9,5%).

Nos Açores, a Autoridade de Saúde elevou hoje para 63 o número de casos positivos de covid-19 na região, sendo 28 em São Miguel, 11 na ilha Terceira, 3 na Graciosa, 7 em São Jorge, 9 no Pico e 5 no Faial.

 

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