A ilha do Corvo, a mais pequena dos Açores, recebe este sábado uma semifinal dos International Emmy Awards, um acontecimento inédito que inclui um jantar da comitiva com uma população incrédula e, por vezes, alheia ao evento.

“Belisquei-me para ver se isso era verdade ou não”, admitiu à agência Lusa José Manuel Silva, presidente da Câmara Municipal de Vila do Corvo, o único município da ilha que conta pouco mais de 400 habitantes - 430 segundo os últimos dados oficiais -, e que se estende por 17,3 quilómetros quadrados.

A reação é natural, ou não se tratasse da semifinal da 47.ª edição dos International Emmy Awards, promovidos pela Academia Internacional de Televisão, em que serão votados os finalistas da categoria Best Performance by an Actor (Melhor Ator Mundial).

Portugal já recebeu três semifinais, que aconteceram sempre em Lisboa, mas também houve outras etapas semelhantes, passadas em capitais mundiais, como Viena ou Nova Iorque, salientou o autarca.

O evento chega ao Corvo por iniciativa de André Sampaio, um dos sete embaixadores mundiais da academia, que disse à Lusa que quis “levar um evento internacional desta importância a um lugar único".

A organização da iniciativa, no Corvo, colocou "inúmeros desafios" logísticos, tendo em conta a reduzida capacidade de alojamento" na ilha, as ligações aéreas e a necessidade de compatibilizar agendas dos diferentes atores.

José Manuel Silva adianta que a comitiva integra 30 pessoas, e a ilha oferece 48 camas oficiais, por isso está “perfeitamente dentro daquilo” a que conseguem “dar resposta”, mas admite que “a logística não é fácil”.

“Tem-me consumido a mim e ao pessoal que está na organização, mas, quando há boa vontade, as coisas acontecem. Com mais ou menos dificuldade, acontecem”, afirmou.

Apesar das dificuldades, a organização insistiu numa opção que "procura simbolizar" a importância que a televisão tem, quotidianamente, no “encurtar” da distância física e de todos os desafios a ela inerentes".

Para os habitantes, esse encurtamento chega de forma muito concreta, já que está previsto um jantar da comitiva com a população, que acontecerá no sábado à noite, durante as comemorações das festas de São Pedro.

“A ideia inicial era mesmo criar um jantar em que a população pudesse estar presente. Por acaso as datas que acabaram por ser confirmadas coincidiam com as comemorações da Festa de São Pedro, portanto, as próprias festas vão servir esse propósito”, explicou à Lusa José Manuel Silva, autarca do concelho único da ilha.

O júri ainda não foi anunciado, nem será antes de sábado, mas cria burburinho na ilha, onde, sem se aperceber bem do que se vai passar, as pessoas se entusiasmam com o prenúncio da presença de atores.

A grande maioria da população, quando questionada, não sabe que é uma semifinal dos International Emmy Awards que os trará à pequena ilha do grupo ocidental, a mais pequena de todo o arquipélago.

Muitso dos habitantes também não sabem que esse mesmo evento os manterá durante todo o dia de sábado no Salão Nobre da Câmara Municipal do Corvo, onde decorrerão as votações, a partir das 09:00, e durante toda a tarde, mas têm noção de que os trabalhos cessam a tempo de as caras que conhecem da televisão se juntarem à festa.

Jorge Correia trabalha na padaria do Corvo. Diz que não sabe bem o que se vai passar, mas consegue precisar que é uma votação dos Emmys e elenca alguns nomes de caras conhecidas da televisão que acredita que vão passar pela ilha.

“Ouvi os nomes, não sei se é verdade se é mentira. É bom, são caras diferentes, que a gente só vê da televisão, e que agora vamos ver ao vivo”, afirma.

Sabe mais do que Paulo Dias, que, quando questionado sobre o que se passará este sábado na ilha responde assertivamente: “'É' as festas de São Pedro, não sei mais nada”.

Teresa Mendonça está mais bem informada e considera que este “é um evento muito bom para o Corvo, leva o nome do Corvo até longe” e entusiasma-se com a ideia de ver a comitiva a juntar-se às celebrações.

“Acho que os corvinos aceitam qualquer tipo de pessoas que se juntem a eles e que gostem de conviver. O Corvo aceita tudo e todos e quem vem cá uns dias percebe isso”.

A ideia é corroborada pelo presidente da Câmara: “Aqui haverá poucas pessoas que seguem e têm noção do que se vai passar aqui, mas aquilo em que estão mais interessadas é exatamente o convívio e poderem estar com estas pessoas. Não é fácil juntar estas pessoas aqui, não acontecerá nas próximas décadas, se calhar. Mas isto faz parte de ser corvino, não estamos à espera, mas acontece e nós interagimos e estamos, passa um bocadinho por aí”.

Para o edil, uma coisa é certa – “as pessoas que cá vierem não se vão esquecer que esta semifinal foi no Corvo”.

Inês Linhares Dias, da agência Lusa

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