A ilha de São Miguel, nos Açores, vai receber no próximo domingo a primeira edição do CannAzores, um congresso internacional que visa “sensibilizar” as pessoas para os benefícios do cânhamo, disse hoje a organização.

“Nós estamos a fazer este congresso para sensibilizar, desmistificar, para educar as pessoas para que possam perceber que os benefícios do cânhamo são imensos”, declarou à agência Lusa Graça Castanho, da organização do evento.

Segundo disse, aquela planta “está fora da lista das substâncias psicotrópicas” e “fora de qualquer contexto que prejudique o ser humano”.

“No dia 03 de outubro vamos reunir em São Miguel, pela primeira vez, um conjunto alargado de pessoas, de especialistas e de pessoas que vêm dar o seu testemunho no âmbito da produção, transformação e comercialização do cânhamo”, assinalou.

Para Graça Castanho, além de permitir o “rejuvenescimento” dos solos, o cânhamo pode ser uma “alternativa importantíssima” para os setores económicos tradicionais.

“É uma planta altamente rentável porque desde a raiz mais profunda até à folha mais leve, mais frágil no topo da planta, tudo é aproveitado de forma ecológica que garante a sustentabilidade que nós queremos para o planeta”, assinalou.

A professora universitária na área das Ciências da Educação considerou que os Açores “já vão atrasados” quanto à aposta no cânhamo, uma vez que “muitos países pelo mundo fora” têm “explorado as potencialidades” da planta.

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“As suas utilizações vão desde a alimentação até ao bem-estar e qualidade de vida, à construção civil, ao vestuário. Tudo aquilo que é passível de ser feito com plástico e com fibras sintéticas, é possível fazer com cânhamo numa base e com práticas sustentáveis”, acrescentou, salientando que o “mundo não aguenta mais plástico”.

Graça Castanho realçou que os extratos de cânhamo são “altamente importantes” para melhorar a “qualidade de vida” de pessoas com cancro, autismo e outras doenças ou síndromes.

O CannAzores vai decorrer no próximo domingo na Associação Agrícola de São Miguel, no concelho da Ribeira Grande.

Entre os convidados, estão os professores João Madruga e Maria de Lourdes Serpa, o médico Matthew Castanho, o empresário João Costa ou o secretário da Agricultura e Desenvolvimento Rural do Governo dos Açores, António Ventura.

"Portugal em séculos passados foi um grande produtor de cânhamo e os Açores também têm no seu ADN essa característica. Mas, depois da revolução industrial e com a chegada dos plásticos e dos sintéticos, fez-se uma guerra muito grande ao cânhamo", concluiu. 

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