Apresentado em 1971, o Alpine A310 foi o último projeto aprovado pelo fundador da marca Jean Rédélé, tendo sido criado para secundar o A110, então já em fim de vida

, e dar origem a um verdadeiro GT francês, rápido e confortável, que servisse de alternativa a modelos italianos e alemães concorrentes.

Originalmente proposto com um motor de quatro cilindros, o A310 recebeu um mais nobre (e potente) V6 – o famoso PRV – no decurso de 1976. Serve este pequeno preâmbulo para dar a conhecer o sonho de um jovem de 26 anos que herdou o bonito e raro Alpine A310 do seu pai e que pouco o nada sabe de concreto sobre a forma como este veio parar às mãos da família ou o porquê de tão “extravagante” escolha.

A única coisa realmente certa que o David Parreira sabe sobre este Alpine V6 vermelho que lhe enche as medidas e preenche os sonhos é que “o A310 se encontra na família há vários anos. Seguramente há mais de 30. No entanto, não consigo precisar o tempo certo, visto que o Alpine pertencia ao meu pai que faleceu em 2008, altura em que eu tinha apenas 14 anos”.

Nessa altura, o David ainda não tinha a paixão automóvel que aos poucos foi crescendo dentro de si e que se tornou viciante, especialmente quando o objeto em causa é tão deslumbrante e exótico como este A310 num pouco subtil tom de vermelho vivo. “Neste momento tenho 26 anos e herdei o carro em questão. Mesmo tendo herdado, sabendo o significado deste carro e o facto de ter um irmão mais velho, não o considero como meu, mas sim nosso. Não me sentiria bem comigo mesmo se assim não fosse”.

Apesar da paixão que lhe corre nas veias, o maior desgosto do orgulhoso proprietário do Alpine é que este ainda tenha matricula francesa, algo que o David pretende reverter num futuro próximo, “quando a lei portuguesa permitir importar clássicos sem que se tenha de pagar novamente o preço de um carro para isso”, afirma convicto enquanto esboça um sorriso sarcástico.

Atualmente, e dadas as limitações impostas à circulação de veículos de matrícula estrangeira, o David só pode trazer o A310 para Portugal nos três meses de verão. Findo este período, tem de o “devolver” à proveniência (França) e esperar mais um ano para o voltar a “ver” e tirar partido do prazer que este lhe dá.

E não falamos apenas do gozo proveniente da condução. Para o David, um dos maiores prazeres que o Alpine lhe pode trazer é o de poder partilhar “histórias e experiências com desconhecidos. Já perdi a conta ao número de vezes que me abordaram a perguntar o que era? Se lhe podiam tocar ou ouvir o som do motor? Onde o tinha comprado, de que ano é ou que motor tem…? Isto dá-me um gozo tremendo e é sempre um bom motivo para trocar umas palavras ou tirar uma foto de conjunto”.

Matriculado em 1979, esta unidade equipada com o 2.7 V6 PRV com 150 cv e a caixa de cinco velocidades (os primeiros V6 tinham caixa de quatro) foi, segundo a história que o David terá ouvido, comprada pelo seu avô para oferecer ao seu pai em substituição de um A310 com o motor 1.6. “Se calhar até foi comprado novo na altura.” Mas isso pouco lhe importa, o que lhe interessa neste momento é desfrutar ao máximo desta herança que lhe veio parar às mãos por infortúnio, mas que se tornou um caso sério de paixão à primeira vista.

Restaurado em 2016, mantendo o maior número possível de peças originais, o Alpine A310 V6 mantém o interior original intocado, com os elegantes bancos em pele e a panóplia alargada de instrumentos. “Ainda hoje é um desportivo que impressiona pelo conforto, requinte e até futurismo, para a época. Convém não esquecer que esta unidade tem 40 anos. É bem mais velho do que eu!”

Dada a raridade do modelo, David diz que algumas peças são difíceis de encontrar. Felizmente, “a partilha da maioria dos componentes mecânicos com os Renault da altura (motor dos R16 e, mais tarde, R30, por exemplo), permite arranjar peças com maior facilidade. Difícil mesmo é encontrar pneus que sirvam esta medida.

Onde é que se conseguem arranjar pneus com alguma qualidade na medida 205/60 (à frente) e 235/60 (atrás) em jantes de… 13 polegadas? A solução pode passar por equipar este A310 com jantes de 16”, medida adotada por vários proprietários e que permite uma escolha ligeiramente mais alargada de pneus à altura.

É que este carro não é só bonito, também é muito divertido de conduzir e até teve uma carreira de relativo sucesso nas competições da altura, tendo vencido o campeonato francês de Ralis em 1977 com o famoso piloto Guy Fréquelin”.

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