Com a app Mediceus teria sido possível detetar mais cedo o aparecimento da Covid ou antecipar o surto de legionella de 2014, em Vila Franca de Xira”, avança Peter Villax, CEO da Mediceus, a start-up portuguesa

que acabou de patentear junto do Instituto Nacional da Propriedade Industrial uma solução informática que permite gerar dados de saúde, em total anonimato. “Inédita a nível mundial”, a nova funcionalidade regista todos os dados provenientes de hospitais públicos e de privados, bem como de laboratórios de análises, criando uma gigantesca base de dados de saúde.

A informação é enviada para a aplicação pelos prestadores de cuidados e pode ser consultada pelo utilizador que apenas tem de ter a app descarregada no seu telemóvel. Tudo isto acontece de forma criptografada e em total anonimato, sem que a Mediceus consiga re-identificar os titulares. “Conseguimos fazer isso sem saber nome, número de telemóvel ou localização”, sublinha o empresário e inventor. “É precisamente isto que está patenteado.”

Rastrear a imunidade da vacina
E como é que a partir de dados individuais se poderá chegar à previsão de fenómenos epidemiológicas de escala global, como a pandemia de Covid, ou local, como o surto de legionella? Com a integração de todos os dados numa plataforma única, que submetidos ao devido tratamento permitirão identificar padrões e tirar conclusões ao nível da saúde pública. E este é apenas um exemplo. De cada vez que surgem novos dados, estes vão sendo adicionados à plataforma. Numa primeira fase, o objetivo é a criação de uma base a nível nacional, sendo que Peter Villax já tem em mente a formação de uma base de dados europeia, que integre informação de todos os cidadãos. “Vamos ter um sistema que vai monitorizar em tempo real padrões inesperados nas análises clínicas de bactérias e de vírus, de forma a podermos identificar surtos epidémicos. Vamos detetar os padrões, concentrações anormais, ainda antes do médico.” Ou avaliar a diminuição da imunidade associada à vacina de Covid, ao longo do tempo, por exemplo.

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O CEO da Mediceus acredita no potencial de internacionalização da nova ferramenta
Confiando no enorme potencial da ferramenta – que começou a ser desenvolvida há dois anos, ainda antes do cataclismo Covid, portanto – a intenção de Peter Villax é ceder toda a informação à classe médica e científica, para que possam ser feitos estudos epidemiológicos, com possibilidade de antecipar o aparecimento de novas doenças ou o agravamento de outras já conhecidas, análise de farmacovigilância, para acompanhamento de efeitos secundários de medicamentos e classificação da eficácia de medicamentos.

Esta é a primeira patente de invenção da Mediceus, que recebeu a designação PT 115.479, tendo sido atribuída 20 meses depois do pedido ter sido feito. No entanto, esta será apenas a primeira parte de um processo de pedido de patente a nível internacional, uma vez que o âmbito da ferramenta é internacional. Por exemplo, para a codificação dos exames clínicos é utilizada a identificação internacional LOINC. “A interoperabilidade é uma das bases do nosso sistema. Isto faz com que os dados possam ser utilizados por qualquer unidade de saúde. É uma vantagem muito grande.”

Ao utilizador é pedido apenas que descarregue a app e introduza um código PIN. Aos hospitais e demais unidades de saúde pede-se que adiram ao sistema e aceitem o trabalho do data integrator que irá ser responsável pelo desenvolvimento da API (interface da aplicação) que permitirá a cada sistema de saúde ‘falar’ com a plataforma Mediceus. Obviamente que o sistema será tão mais valioso quanto mais entidades e utilizadores aderirem ao mesmo.


A app está disponível para iOS e Android
Hospitais, empresas e universidades fazem parte do grupo de 12 parceiros, entre eles o INESC-ID, que se associaram em consórcio, para reforçar e acelerar a implementação da ferramenta. A parte financeira será assegurada, espera Peter Villax, pelo Plano de Recuperação e Resiliência, numa candidatura que aponta para um valor de 20 milhões de euros.

O ensaio piloto da aplicação já está terminado, tendo sido feito no Grupo Germano de Sousa – que não integra o consórcio.

FONTE: VISÃO

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