Clara de Sousa é a rainha das audiências da SIC mas não teve um percurso fácil: "Nunca tive fiambre nem queijo flamengo em casa quando era criança".

Clara de Sousa é aos 53 anos o principal rosto da informação da SIC. A pivô consegue as maiores audiências no principal jornal da televisão de Paço de Arcos, onde alterna a apresentação com Rodrigo Guedes de Carvalho. Recentemente apresentou os 'Globos de Ouro', onde foi muito elogiada pela sua postura.

Mas a vida nem sempre foi fácil para a jornalista, que cresceu no concelho de Cascais. Mas não foi nem na Quinta da Marinha nem nos bairros de luxo que existem na vila. Clara recorda, em entrevista ao Expresso, que os pais sempre tiveram uma vida de trabalho e que ela, e o irmão, não tinham, por exemplo, "fiambre e queijo Flamengo em casa".

Hoje, com um ordenado muito acima da média dos portuguesas, Clara recorda os tempos da infância e juventude, onde aprendeu a cultura do trabalho e da poupança. "Tendo a ser uma pessoa poupada. Nunca conseguiria viver tranquilamente, com a minha alegria natural, a minha despreocupação natural, se estivesse sempre com a corda na garganta ou a viver acima das minhas possibilidades. Os meus pais conseguiram sempre mais com menos. A minha mãe dizia que o dinheiro não é de quem o ganha, é de quem o poupa", disse, ao Expresso.

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E acrescentou: "Com a ajuda dos vizinhos, enchendo placas de cimento, erguendo telhados, construíram uma casa. Uma das coisas que me marcaram foi a de que em minha casa nunca havia fiambre, nem da perna nem da pá, nem queijo Flamengo. Só comia essas coisas em casa da minha madrinha, onde a minha mãe começou a trabalhar aos 18 anos. A minha mãe veio com 11 anos para Lisboa para ser criada, porque era isso que acontecia: as jovens vinham do campo para serem criadas na cidade. Se me perguntarem se faltou alguma coisa de essencial, direi que não. Nem me achava pobre. Era de uma enorme riqueza e de uma liberdade imensa! Tinha a possibilidade de criar e de ocupar o tempo como queria. Se estava a chover, ficava dentro de casa e entretinha-me com jogos de tabuleiro, na rua jogava ao pião, ao berlinde. Adaptava-me às circunstâncias".

E questionada se hoje, em que é reconhecida por todos, é mais fácil assumir essas origens humildes, Clara responde: "Nunca as escondi [as origens humildes]. Quem se nega, desonra-se, e desonra todos os que estiveram antes e que permitiram que estivesse aqui."

Clara perdeu a mãe muito cedo, aos 56 anos, por causa do cancro. O pai morreu este ano, em agosto.

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