Treze organizações moçambicanas da sociedade civil contestam a distribuição de mandatos para as próximas eleições legislativas e provinciais.

As discrepâncias entre os dados divulgados pela Comissão Nacional de Eleições (CNE) e Secretariado de Administração Eleitoral (STAE) estão relacionadas com o processo de recenseamento que foi desordenado, dizem.

Selma Inocência, porta-voz do grupo, disse que contribuiu para isso "o empolamento de números de registos eleitorais nas provinciais de Gaza, Cabo Delgado, sobretudo; abertura de postos de Recenseamento alguns dias para o fim do processo; a distribuição desigual de brigadistas em função das zonas de influência do partido no poder ou da oposição”.

Ela fez também referência ao “recenseamento realizado com grandes dificuldades nos distritos de Mocímboa da Praia, Macomia, Palma, Muidumbe, devido à insurgência que se vive desde 2017".

As mesmas desafiam o STAE a publicar na íntegra o relatório relativo ao recenseamento eleitoral que consideram estar cheio de vícios que culminaram com a distribuição irregular dos mandatos.

O porta-voz da CNE, Paulo Cuinica, diz que não houve manipulação e reitera que os dados divulgados são baseados no recenseamento.

"Os dados que nós temos são de pessoas que vieram ter connosco nos postos de recenseamento previamente definidos, e definidos por consenso, e estes resultados não foram realizados pela CNE, estavam brigadistas que estavam a fazer o recenseamento, estavam lá fiscais e observadores", disse Cuinica.

Ontem, a Renamo, líder da oposição, fez a mesma crítica ao processo, e advertiu que as irregularidades irão favorecer na votação o partido Frelimo, no poder.

Para evitar uma suposta fraude, a sociedade civil diz que vai fazer uma observação eleitoral nunca antes vista.

"Estamos a falar de no mínimo cinco mil observadores espalhados por todo país (…) nós não podemos impedir a fraude mas podemos dissuadir", garantiu a porta-voz da Sociedade Civil.

 

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